<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998</id><updated>2012-01-27T18:28:01.278-02:00</updated><category term='costas'/><category term='dor'/><title type='text'>OLHARES LOIROS</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>180</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-2104171719725332067</id><published>2012-01-19T15:48:00.004-02:00</published><updated>2012-01-19T16:30:52.805-02:00</updated><title type='text'>30 anos e 2 dias</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-LgX8RwQzeGU/TxhfvWdUB3I/AAAAAAAAAYM/KHP6gkzBogc/s1600/images-1.jpeg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 266px; height: 190px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-LgX8RwQzeGU/TxhfvWdUB3I/AAAAAAAAAYM/KHP6gkzBogc/s400/images-1.jpeg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5699410595524380530" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Se é verdade que todo homem é um universo particular, no planeta Mário Viana a cantora Elis Regina ganhou dois dias de sobrevida. Em janeiro de 1982, eu acabava de chegar a Paris no mais perfeito estilo mochileiro: dinheiro não havia, o francês falado era xexelento e o jeito era se virar no subemprego. Fomos morar, Wanderley e eu, no quarto de um amigo pernambucano, no Hotel du Roussillon, Place d`Italie. Era uma verdadeira pensão - por onde haviam passado Alceu Valença, Florestan Fernandes Jr., Geneton Moraes, Ciro Cozzolino e muitos outros -, sem banheiro privativo, nem TV. Telefone, um só, na portaria - para recados. &lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;No dia 21 de janeiro, consegui meu primeiro trabalho - pintar o apartamento de um colombiano que acabara de terminar o casamento com uma brasileira. Munido de um dicionário de bolso, eu li as instruções para aprender a abrir a lata de tinta... Por aí, pode-se imaginar o resultado da pintura: a conterrânea abandonada adorou, o colombiano reclamou que eu tinha deixado o carpete parecendo uma onça (eu li que a tinta era lavável e nem me preocupei em cobrir o chão...). "Vou te pagar só para não ter de ver nunca mais na vida", resmungou o colombiano. Deus ouviu suas preces.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Na hora do almoço, enfrentei a neve e fui encontrar o Wanderley num restaurante universitário próximo à Rue du Moufftard, na parte mais velha de Paris. Eu estava assustado com a primeira manhã de trabalho e ele, meio atônito. "Me falaram uma coisa, eu acho que é mentira", ele começou - havia um toque de carinho no cuidado pra dar a notícia a um fã. "Disseram que a Elis Regina morreu". Eu levei um susto, peguei minha bandeja, sentei. "Mentira". E começamos a almoçar. Eu parava. "Só se foi acidente de carro. Foi acidente?" Ele não sabia, ninguém sabia. Voltamos juntos pro apartamento do colombiano. Entre um e outro golpe de tinta na parede - não vejo outro modo de definir nosso trabalho - descobrimos o telefone do consulado brasileiro e eu liguei. Dois dias haviam se passado desde a morte e o rapaz que me atendeu só sabia confirmar a notícia. A causa, nada.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Em uma semana, começaram a chegar as cartas. No Roussillon, a brasileirada trocava recortes de jornais, revistas, tinha um que ia à loja da Varig roubar jornal antigo, um tinha o Globo, o outro a Folha... Ninguém podia gastar dinheiro em um telefonema ao Brasil e saber o que estava acontecendo... Eram outros tempos, definitivamente. Hoje, saberíamos da morte de Elis antes mesmo do corpo chegar ao IML. Teríamos todos os detalhes, os mais sórdidos, os mais chorosos. Não que isso aliviasse a dor de perder um artista querido. Claro que não. Mas era como um período pra curtir a dor, deixá-la encontrar espaço.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;A rapidez das notícias acelerou também a velocidade do esquecimento. Recebemos tudo em grande quantidade e a comoção histérica vem no embalo. Louvações e linchamentos nivelam-se nas redes sociais, com a mesma intensidade. Paixões e ódios também são abandonados no acostamento, sem maiores explicações. E sem que esperemos, chega um artista e ocupa algum território ainda inexplorado de nosso sentimento. As gerações seguintes custam a compreender por que seus antecessores choraram tanto esse ou aquele. O enterro de Carmem Miranda parou o Rio? Chico Alves deixou o Brasil em lágrimas? Por que tantos choraram e choram até hoje por Elis Regina? Da mesma maneira que os seguintes lamentariam Renato Russo, Raul Seixas e Cássia Eller. Da mesma maneira que, talvez, alguém chore no futuro a morte súbita de Amy Winehouse.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Há artistas que completam lacunas. Em suas ausências, nos fazem refletir e crescer. Avançar, um tiquinho que seja. Devolvem-nos a condição de homens perplexos diante do incompreensível.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7398137140753176998-2104171719725332067?l=olharesloiros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/2104171719725332067/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2012/01/30-anos-e-2-dias.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/2104171719725332067'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/2104171719725332067'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2012/01/30-anos-e-2-dias.html' title='30 anos e 2 dias'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-LgX8RwQzeGU/TxhfvWdUB3I/AAAAAAAAAYM/KHP6gkzBogc/s72-c/images-1.jpeg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-1503458847502453903</id><published>2011-12-27T16:22:00.003-02:00</published><updated>2011-12-27T17:16:42.207-02:00</updated><title type='text'>Posta e deixa rolar...</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-ciURptCVJ9k/TvoW9lbzcvI/AAAAAAAAAYA/KSw9zftVkms/s1600/images-1.jpeg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 235px; height: 214px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-ciURptCVJ9k/TvoW9lbzcvI/AAAAAAAAAYA/KSw9zftVkms/s400/images-1.jpeg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5690886326412604146" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Quantos posts dura a sua revolta? Você já se habituou a conter sua indignação nos 140 toques do twitter? As redes sociais estão aí e há mesmo quem diga que a primavera árabe começou graças a meia dúzia de twittadas bem dadas. Tenho minhas dúvidas sobre a eficácia do facebook como agente propagador de revolta - pelo menos, do tipo de revolta que derruba ditadores, destitui o senado e avança rumo à liberdade. Como se fosse um personagem de peça enigmática dos anos 70, me pergunto se "O Sistema" permitiria realmente a ampliação descontrolada de um serviço que pode causar tantos danos aos de cima.&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Do ponto de vista de brasileiro habituado a navegar nos mares dos perfis e opiniões definitivas das redes, não tenho motivos para muita euforia. Por aqui, o que mais rolou mesmo foi "Lula, vá se tratar no SUS", "Imprensa burguesa ignora A Privataria Tucana" e "Todo mundo morre (ou todo mundo perde o emprego), menos o Sarney". Sinceramente, estamos a anos-luz de uma primavera árabe. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Houve também a caça aos torturadores de animais, com fotos, dados pessoais e chamadas ao apedrejamento moral em infinitos posts. Os acusados foram condenados antes mesmo de qualquer investigação - e as notícias que as coisas não eram bem daquele jeito são ignoradas nas redes. Se for realmente comprovada sua culpa, os tais torturadores merecem ser punidos e não apenas pagar uma multa. Mas não podemos queimar etapas e dar o veredito antes do julgamento. Se queremos que se aplique justiça, devemos começar a partir de nós mesmos. Entretanto, nem os culpados foram punidos, nem os revoltosos partiram para a ação armada. A indignação coube no facebook.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Também pelo lado bom da coisa, a eficácia das redes sociais é duvidosa. Temos pena de quem sofre, choramos por um menino acuado por bullying na França, achincalhamos o prefeito ou o governador ou o/a presidente por não tentar resolver os problemas sociais que se espalham ao nosso redor. Mas poucos de nós levantam realmente o traseiro do sofá e vão à luta, reúnem roupas que não usam mais, compram cestas básicas, aderem ao transporte público ou tomam alguma outra atitude mais elogiável. Trocamos tudo por um post inteligente, de preferência com muita repercussão entre quem nos curte.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Estamos contaminados pelo bom mocismo. Somos instados a nunca mais pisar num supermercado que use sacolas plásticas, mas nem percebemos que a campanha dita ecológica só servirá mesmo para livrar o quitandeiro de pagar pelo saquinho que continua a ser oferecido ao cliente - a diferença é que o Abílio Diniz quer que &lt;b&gt;você&lt;/b&gt; pague pelo tal saquinho. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Da mesma forma, os ciclistas - que a colunista Bárbara Gancia apelidou acertadamente de talebikers - gritam em defensa de vias exclusivas. E todo mundo, mesmo quem não diferencia uma Monark de uma Caloi dobrável, inicia a infinita série de posts bem intencionados sobre a ciclovia e sua importância para a sobrevivência da espécie no planeta. Eu defenderei os bikers com muito gosto a partir do momento em que não correr mais o risco de ser atropelado por um deles. Deve ser um dogma da categoria: ciclista ignora sinal vermelho e avança sobre o pedestre com a impiedade de um tubarão faminto. Isso não é bacana.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;As lições de convivência e respeito,  tão cantadas nas redes sociais, ainda estão no limite das boas intenções. Depois de escrever meia dúzia de palavras legais sobre um tema edificante, nos sentimos liberados a puxar a brasa pra nossa sardinha, dane-se o resto. Desde que possamos espalhar nossos pensamentos profundos e fundamentais sobre qualquer tema humanitário, adquirimos passe livre pra não nos mexermos e fazer o que realmente é preciso para melhorar o mundo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Uso e acho muito legais o facebook e o twitter. Mas não atribuo a eles a capacidade de melhorar a sociedade em que vivo. Não somente pelo fato de, ali, desfilar muita gente preconceituosa, carola, egoísta e, acima de tudo, sem a menor intimidade com a língua pátria. Tem muita gente legal também. Gente inteligente, bem humorada, do bem. Mas nem os "malvados" partem pra porrada, nem os "bonzinhos" largam sua nuvem. É tudo muito adolescente, tudo muito "amo" ou "odeio", "morte a isso", "fora com aquilo". A convivência, que é bom - e é o melhor desse jogo chamado vida -, está se diluindo nas nuvens do virtual. Isso é real.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7398137140753176998-1503458847502453903?l=olharesloiros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/1503458847502453903/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2011/12/posta-e-deixa-rolar.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/1503458847502453903'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/1503458847502453903'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2011/12/posta-e-deixa-rolar.html' title='Posta e deixa rolar...'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-ciURptCVJ9k/TvoW9lbzcvI/AAAAAAAAAYA/KSw9zftVkms/s72-c/images-1.jpeg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-7925371432148929649</id><published>2011-12-13T20:21:00.003-02:00</published><updated>2011-12-13T21:02:51.749-02:00</updated><title type='text'>Monstros sem Freud</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-fDwfaJhIVyE/TufWN8qK9dI/AAAAAAAAAX0/Gao1EyWh5m0/s1600/Unknown-2.jpeg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 243px; height: 208px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-fDwfaJhIVyE/TufWN8qK9dI/AAAAAAAAAX0/Gao1EyWh5m0/s400/Unknown-2.jpeg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5685748589688190418" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;A culpa deve ser do Tom e Jerry. Ou do Bip Bip e Coiote. Não há outra explicação razoável para a série de atentados terroristas que tem vitimado cães, no que parece ser a última moda em bestialidade moderna. O sujeito pega o cachorro, amarra no carro e sai arrastando o bicho estrada a fora. Outro enterra o cãozinho recém-nascido ainda vivo. Soube de crianças em um condomínio que brincaram de atirar gatinhos recém-paridos contra a parede - um deles sobreviveu com sequelas cerebrais. Não é culpa dos astros, dos pais nem da água? Então, só pode ser coisa de Tom e Jerry: as pessoas deram pra acreditar que o mundo é um desenho animado, você explode uma bomba aqui, atira o outro pela janela ali - e no quadro seguinte, a vida prossegue como se nada houvera.&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Há também a série de mães que se livram de filhos indesejados largando-os na rua, em sacos plásticos, lixeiras, rios. Outro dia, uma mãe atirou os bebês gêmeos pela janela. Para estes casos, bem ou mal, a ciência parece encontrar explicações. Depressão pós-parto, miséria extrema, vício em crack, sempre se saca algum freud da cartola. É aterrorizante pensar que se possa abandonar assim um neném tão frágil, indefeso. O terror cresce quando quem faz isso é a mãe, o pai, o gerador daquela vida. Não há nesse comentário nenhum cristianismo, é pura sensação de sobrevivência da espécie. Tenho comigo a ideia fixa de que lutamos para preservar os nossos, como quem se assegure da continuidade da própria semente.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;A maldade contra animais ainda escapa à análise. À minha, pelo menos. Ninguém obriga um sujeito a ter um cão. Eu nunca tive, não gosto de cachorro, procuro evitar a menor intimidade, meus amigos sabem disso. Nem por isso, abafo em mim um envenenador de cães, um atropelador de gatos, um estripador de sapos. Eles lá e eu aqui, esse sempre foi meu lema em relação a bichos. O lema agora mudou: "eles lá, eu aqui e as feras que maltratam bichos na cadeia". Não é possível que a pessoa arraste um pitbull amarrado ao carro, até o bicho perder as patas e a vida, e não receba mais que uma multa. (Pensando bem, é possível, sim: atropeladores embriagados depositam a fiança e voltam para casa, com a carteira de motorista no bolso, sem sequer serem obrigados a pagar o tratamento ou o enterro de suas vítimas).&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Para as mães que tentam se livrar de seus filhos, parece, resta alguma esperança: de que ela se arrependa e volte chorando; de que seu estado de penúria seja amenizado e ela tenha condições de amar sua prole... É a esperança na justiça, divina, terrena ou satânica. A vingança pelos inocentes sacrificados. Agora, quem sadicamente tortura animais abdica dessa esperança. Para covardes assim, não há cura na linha do horizonte.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Quem enterra um filhote recém-nascido ainda vivo não deve ter muita noção dos limites que a vida estabelece. O homem que liga o carro e arrasta o cão que certamente o adorava está pouco ligando para o que sentem outros seres humanos. Maltratar um cão ou um velho ou uma criança ou uma mulher são apenas dobraduras do mesmo origami sangrento. Em algum ponto de suas vidas, essas criaturas sádicas deixaram de ser corrigidas ou simplesmente notadas. Alguma falha no sistema houve. Ninguém sai do comportamento de anjo de procissão para o rally do cachorro arrastado em dois ou três dias. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Assistimos perplexos a essas aberrações. Lemos no jornal, vemos na TV. Ficamos chocados. Mas não conheço ninguém que seja parente, amigo, vizinho ou sequer conhecido de um desses torturadores que brotam dos noticiários como gremlins ensandecidos. A vida torna-se um reality show do terror. O sujeito inspira-se num monstro e decide cometer uma atrocidade ainda maior. Busca o holofote, o flash. Seu cão escapará. O Tom sempre sobreviveu aos ataques do Jerry. E o Tom era apenas um gato!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Me pego pensando em como reagiria se um vizinho fosse esse personagem monstruoso. O primo de um amigo. O irmão de um colega de trabalho. O pavor ganharia corpo e voz. Por enquanto, ainda, a água não atingiu meu quintal... &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7398137140753176998-7925371432148929649?l=olharesloiros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/7925371432148929649/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2011/12/monstros-sem-freud.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/7925371432148929649'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/7925371432148929649'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2011/12/monstros-sem-freud.html' title='Monstros sem Freud'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-fDwfaJhIVyE/TufWN8qK9dI/AAAAAAAAAX0/Gao1EyWh5m0/s72-c/Unknown-2.jpeg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-3890669988274205948</id><published>2011-12-06T11:24:00.004-02:00</published><updated>2011-12-06T12:34:50.494-02:00</updated><title type='text'>Muitas Chinas</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-0uREvgirBLc/Tt4lkESgcdI/AAAAAAAAAXo/T5y3THNRMEo/s1600/Xangai%2B4%2BMinas.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-0uREvgirBLc/Tt4lkESgcdI/AAAAAAAAAXo/T5y3THNRMEo/s400/Xangai%2B4%2BMinas.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5683021081345028562" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Quando a escritora Lygia Fagundes Telles embarcou para a China, em setembro de 1960, eu era apenas um bebê de dois meses e meio, nascido abaixo do peso e sem muitas garantias de sobrevida. Lygia já era Lygia, tanto que foi convidada pelo governo chinês, junto com um grupo de intelectuais e artistas, como a atriz Maria della Costa, a visitar o país e constatar com os próprios olhos o que a revolução comunista vinha aprontando havia 10 anos na antiga terra dos mandarins. A tinta revolucionária estava fresca nas paredes, já houvera uma troca de comando na cúpula e a Camarilha dos Quatro, gangue que implantou o terror governista com a Revolução Cultural, ainda não tinha posto as manguinhas de fora. Essa viagem está no delicioso "Passaporte para a China", que a Companhia das Letras acaba de lançar.&lt;div&gt;O livro é pequeno, menos de 100 páginas, e se você não se segurar é capaz de ir da primeira à última linha enquanto espera ser atendido pelo médico. Ou enquanto o ônibus não chega. Ou enquanto foge das besteiras televisivas. Enfim, é leitura rápida, agradável e - acima de tudo - inspiradora. Dá vontade de terminar o livro já no balcão de qualquer companhia aérea, preferencialmente rumo à China.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O melhor é que Lygia não fez um guia de viagens, nem um querido diário de bordo. Fez crônicas, que foram publicadas aos trancos e barrancos no jornal Última Hora. Na época, não havia facilidades em se transmitir notícias ou enviar encomendas. A viagem em si já era uma maratona: o grupo da escritora saiu do Rio de Janeiro no dia 24 de setembro e só foi pisar em Pequim no dia 29. Pernoitaram em Paris, Praga, Moscou e mais duas cidades da Sibéria, antes de chegar ao destino final. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não deixava de ter seu charme dormir em Paris e outras cidades. Tomava-se um banho confortável, jantava-se bem, dormia-se na horizontal, feito gente. Hoje em dia, a viagem para a China leva pouco mais de 21 horas, com alguma escala - sem banho nem caminha - em alguma Dubai da vida. Para quem tem medo de avião, como Lygia, a longa duração prolongava o sofrimento de mais uma vez estar a bordo de uma nave misteriosa, piorando a cada etapa, pois as línguas agora não eram mais aquelas que se aprendia no colégio, mas alguma coisa de raiz eslava ou oriental. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Estive na China duas vezes - uma a trabalho, em 1993, e outra, de férias, em 2008. Foram duas Chinas. Agora, que li o livro de Lygia, descubro que há muito mais Chinas do que supõe a nossa vã geografia. A China que Lygia visitou ainda engatinhava no comunismo, havendo mesmo ainda proprietários de casas e terrenos herdados do antigo regime. A primeira China que eu conheci não se abrira para o capitalismo, tentava atrair turistas e investidores, mas pouco oferecia além de suas atrações históricas: era um país ainda agrícola, com uma população mal vestida e maltratada pela vida dura. A segunda China atracara-se de vez com as tentações do dinheiro, exibia-se com todos os brilhos possíveis em sua arquitetura ousada e tripudiava do Ocidente servindo de bandeja tudo o que o consumismo valorizava, em versões assumidamente piratas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Se na China de Lygia, o líder Mao Tsé Tung era o grande timoneiro, na minha primeira China ele era ainda o modelo a ser seguido. Na new China, era apenas um avozinho cheio de manias a quem os netos tratavam com desdém. Nos anos 60, seria impensável ver Mao enfeitando camisetas, canecas, almofadas e bonés, tal qual um Mickey de olhos rasgados. A minha guia na primeira viagem era uma estudante que impunha um regime de ferro ao grupo - "Temos 20 minutos para visitar a Cidade Proibida" -, mas o segundo era um rapaz bem humorado, que falava espanhol com relativa fluência e que citava o governo sem o medo que seus pais tinham.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;No livro, é divertido acompanhar o trajeto entre Pequim e Xangai, as duas mais importantes cidades do país. A primeira, por ser capital, grandiosa, exuberante, megalômana. A segunda por simbolizar, em 1960, o período em que a China foi colonizada por ingleses e franceses. Na época de Lygia, ia-se de trem - 30 horas de viagem! Hoje, pouco mais de 2 horas pelo ar e você deixa o gigantismo pequinês para mergulhar na feérica Xangai, com sua arquitetura ousada, seus serviços de primeiro mundo, seu ar de "cidade de todos". Comum, em 1960 e em 2008, foi a mesma paixão imediata por Xangai.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;As viagens eram mais demoradas, viajar para outro país era uma atividade mais elitista, havia o que os nostálgicos chamam de "mais classe" - leia-se "menos pobres". Ir ao aeroporto era quase um programa cultural e até os palitos de dentes que vinham nas bandejas eram guardados como relíquias a ser exibidas aos menos favorecidos. "Olha o saleirinho, que bonitinho!" - o pai do meu amigo João Alberto tinha viajado de avião (a trabalho!) e trouxera pra nos mostrar o saleiro e o pimenteiro distribuídos na Varig. O cobertor de lã, então, chamava mais a atenção do que qualquer tapete marroquino com 1200 fios.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Dos Telles aos Viana, a China mudou - mas mudou também o mundo e a indústria das viagens. Para atender a um público cada vez maior e, claro, embolsar um lucro mais polpudinho, as companhias aéreas agora já não capricham tanto - porque acham que não precisam. O sal vem num saquinho de papel, os talheres são de plástico e a refeição, idem. O espaço das poltronas seria perfeito se o passageiro não teimasse em ter 2 pernas, quadris, costas... &lt;/div&gt;&lt;div&gt;As viagens são mesmo mais rápidas e você chega ao outro lado do mundo sem ao menor ter dormido as oito horas de sono regulamentares. Café preto com pão e manteiga de manhã, pato laqueado no almoço do dia seguinte. Antes, não só por questões de tecnologia, mas também por que o mundo parecia exigir mais tempo das coisas, as viagens eram no gerúndio, iam sendo feitas aos poucos, como se estivéssemos eternamente numa caravela. Hoje, os aviões brincam de Apolo XI e comprimem o tempo e a delicadeza. Até por isso, pra nos lembrar que viajar não era apenas uma maratona de compras e superficialidades disfarçadas de cultura, é que o livro de Lygia merece ser lido. Por ela, claro. Mas principalmente por nós.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7398137140753176998-3890669988274205948?l=olharesloiros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/3890669988274205948/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2011/12/muitas-chinas.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/3890669988274205948'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/3890669988274205948'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2011/12/muitas-chinas.html' title='Muitas Chinas'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-0uREvgirBLc/Tt4lkESgcdI/AAAAAAAAAXo/T5y3THNRMEo/s72-c/Xangai%2B4%2BMinas.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-4009171633743660386</id><published>2011-11-25T19:02:00.004-02:00</published><updated>2011-11-25T19:31:34.187-02:00</updated><title type='text'>A lei do Hato</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-e4sN6Dz286A/TtAH7IEdxrI/AAAAAAAAAXc/EyB6XqjQ8fQ/s1600/Phnom%2BPenh%2BCiclista%2B1.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-e4sN6Dz286A/TtAH7IEdxrI/AAAAAAAAAXc/EyB6XqjQ8fQ/s400/Phnom%2BPenh%2BCiclista%2B1.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5679047842474084018" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Quando ainda era vereador, o hoje deputado Jooji Hato estava em seu carro e foi assaltado por um motoqueiro - ou melhor, pelo carona do motoqueiro, que ia na garupa. Foi traumatizante, diz o deputado, e ninguém duvida. Por conta disso, o político vem há anos tentando emplacar uma lei que proíbe o transporte de caronas em motos. A motocicleta, como todos sabem, tem espaço para duas pessoas - o piloto e seu convidado. Em qualquer lugar do mundo é assim. Menos no Estado de São Paulo, a depender da vontade de Jooji Hato e seus colegas de plenário. Espera-se agora que o anjo que soprou um pouco de bom senso nos ouvidos da então prefeita Marta Suplicy tenha igual fôlego quando o projeto estiver diante do governador Geraldo Alckmin - e, assim como fez a petista, o tucano vete o projeto de lei, sob risco de sair de destaque no grande desfile dos ridículos a que somos expostos pela incansável classe política.&lt;div&gt;Jooji Hato ficou chocado com o assalto sofrido, qualquer um de nós ficaria. Mas nós não temos a máquina legislativa a nosso serviço. Jooji Hato poderia ter ficado chocado também com o tanto de crianças pedindo esmolas nas esquinas, vendendo bala e pano de prato, nariz escorrendo e medo do adulto que as controla de um ponto adiante. Isso não chocou o vereador-deputado. Nem as hordas de miseráveis que se espalham pelas calçadas de todas as cidades, é só olhar pros lados - mesmo em carros com vidro fumê dão acesso a essa deprimente paisagem. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;É mais fácil atacar os motoqueiros - categoria que irrita onze em cada dez motoristas, é verdade, mas nem por isso formada só por assaltantes. Talvez seja difícil pro senhor Hato e sua equipe acreditarem, mas há pessoas que usam motocicletas como... digamos... meio de transporte. Nem digo para trabalhar, mas para se locomover, levar o filho à escola, levar a namorada ao cinema ou a mulher ao trabalho dela. Enfim, as pessoas usam o veículo que o deputado e seus parceiros querem vetar. Aliás, o rasgo de genialidade é proibir a prática da carona nos dias úteis - partindo-se do princípio que assaltantes obedecem a semana inglesa. O deputado e seus assessores confundiram os horários dos ladrões com os dos políticos. Acontece.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O engraçado é que, assim como os jornalistas que pautam seus cadernos e revistas pelo que acontece em seus horizontes cotidianos (quem tem filho pequeno faz matéria de preço de escola, quem sai na noite fala dos bares que frequenta, etc), os políticos pautam seus projetos pelo muito que lhes acontece fora de seus ambientes de trabalho - onde, convenhamos, eles vão muito pouco. O projeto do Hato é assim, nascido de uma traumática experiência pessoal, que teria sido evitada se a cidade fosse mais iluminada e tivesse segurança pública, etc etc. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas o Brasil é o país em que se receita aspirina pra combater tumor no cérebro. Tem assalto na saída do banco? Proíbe-se o uso de celular dentro da agência. Aconteceu outro dia comigo: um problema no Bradesco exigia que eu falasse imediatamente com a advogada, mas eu só poderia fazer isso se saísse da agência e perdesse meu lugar na fila... Outra modalidade tipicamente verde-amarela: somos o único país do mundo onde banco 24 horas funciona em horário comercial. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Vivemos também em uma cidade onde gangues andam pela Avenida Paulista agredindo gays, pretos e pobres sempre nas madrugadas - e o policiamento que o governo anuncia acontece das 6 às 22 horas. Tente passar depois disso e você não verá ninguém fardado por quilômetros. É como a turma que faz blitz da lei seca, que só trabalha até as 4 horas - que é quando bares e baladas estão fervendo: os briacos pegam seus carros depois das 4 e tudo bem.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;É mais fácil sair proibindo isso e aquilo, em vez de atacar a verdadeira causa dos males. A hipocrisia impera, os governantes relaxam porque sabem que nós, do lado de cá da urna, logo esqueceremos - e muitos desses políticos de quinta retornarão aos cargos, premiando-se aumentos infinitos e, de vez em quando, aprovando leis sem nem sequer se importar se ferem ou não a Lei. Estamos na terra do faz de conta, no labirinto do fauno, onde a polícia finge que protege, o fiscal finge que toma conta e o deputado finge que legisla em nome do povo. Só mesmo os assaltantes e agressores é que levam a coisa a sério. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7398137140753176998-4009171633743660386?l=olharesloiros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/4009171633743660386/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2011/11/lei-do-hato.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/4009171633743660386'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/4009171633743660386'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2011/11/lei-do-hato.html' title='A lei do Hato'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-e4sN6Dz286A/TtAH7IEdxrI/AAAAAAAAAXc/EyB6XqjQ8fQ/s72-c/Phnom%2BPenh%2BCiclista%2B1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-7683202124109426342</id><published>2011-11-02T09:54:00.004-02:00</published><updated>2011-11-02T11:07:11.855-02:00</updated><title type='text'>O SUS do Lula</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-50420LbJpuE/TrE08LfPFvI/AAAAAAAAAXQ/L3ow5HKEQEM/s1600/images-8.jpeg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 190px; height: 266px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-50420LbJpuE/TrE08LfPFvI/AAAAAAAAAXQ/L3ow5HKEQEM/s400/images-8.jpeg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5670371614316762866" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Foi como tosse no intervalo de um concerto. Mal saiu a notícia de que Lula teve diagnosticado um câncer na laringe, começaram a pipocar na Internet os mais variados comentários - do apoio solidário às piadas de humor negro. Teve início uma campanha para que o ex-presidente abrisse mão do atendimento em um dos melhores hospitais do país para tratar-se no SUS, o Sistema Único de Saúde mantido aos muitos trancos e abissais barrancos pelo governo federal. &lt;div&gt;Do outro lado da trincheira, brigava-se pelo respeito às emoções de quem descobre uma doença grave em si mesmo ou em alguém próximo. Era uma briga feia e, como em todo bate-boca por rede social, recheado de agressividade incontida, de ambos os lados. Mais que aversão política, a campanha "Lula, vá se tratar no SUS" revelou que séculos de civilidade não resistem às dinamites grosseiras das redes sociais.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A tecnologia criada para aproximar pessoas dos rincões mais afastados do planeta serve também para implodir a "educação que mamãe nos ensinou". Alguém, num blog ou artigo opinativo, apontou o anonimato como estímulo para que as pessoas manifestem tão abertamente sua deselegância. Não sei se concordo. Conheço alguns dos que ajudaram a espalhar essa campanha pelo facebook e pelo twitter, seus posts vêm assinados, muitos trazem a foto da própria pessoa. Pudor é o novo mico-leão dourado da língua, ameaçado de desuso. Não existe mais vergonha de expor opiniões e sentimentos que, antes, mal eram sussurrados no ouvido do analista. E, quando eram, faziam o paciente sair do consultório de olhos inchados de tanto chorar. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Hoje, não. Assim como o gosto pelo popularesco não é mais apanágio das "empregadinhas" - notem as aspas, por favor, elas têm uma função crítica -, também a brutalidade e a indelicadeza não são mais atributos de gente tosca. Pelo contrário. Quanto mais bem formado o sujeito, quanto mais bem situado na pirâmide social, mais ele se julga portador de um passe que dá livre acesso à grosseria generalizada. &lt;b&gt;É claro&lt;/b&gt; que nem todo rico é mal educado, nem todo pobre é um anjo caído do céu. A pirâmide social do meu comentário é aquela que cada criatura constroi para si próprio.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Colonização, escravagismo e outros desvios históricos criaram em nosso DNA coletivo a ideia de que bom mesmo é ser da elite, não precisar trabalhar muito (ou nada) e, sempre que possível, exibir à patuleia desabençoada os sinais de nosso privilégio. "Público", aqui, é sinônimo de "coisa de pobre, de qualquer um". Pior: é sinônimo de "de ninguém". Não zelamos nem pela área comum de nossos prédios, que dirá do transporte ou da escola pública, do qual - graças a Deus - tiramos nossos filhos. Achar que Lula, ao entrar na hipotética fila do SUS, melhoraria o sistema é mascarar hipocritamente a vontade de que ele morra com a senha na mão. Dane-se se o sistema vai melhorar ou não ("eu tenho meu plano de saúde, meia boca, mas meu"), o importante é que ele pague por "tudo o que não fez" pela saúde do Brasil.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Em princípio, eu concordo plenamente com a teoria de que políticos brasileiros deveriam usar os hospitais públicos, o transporte público e o ensino público. Na verdade, eu sou radical e vou mais longe. Acho que todos nós - todos: eu, você, sua vizinha, seu padrasto, seu irmão adotivo, seu ficante - todos nós devíamos usar os serviços públicos pelos quais pagamos altos impostos. O verdadeiro desaforo não é Lula - ex-presidente, que cobra 200 mil dinheiros por palestra, tendo recursos pra pagar um bom plano de saúde que inclua o Sirio-Libanês -, repito, o desaforo não é Lula tratar-se em hospital de elite. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O desaforo é nós não podermos usar os serviços pelos quais pagamos: eu queria chegar no HC e encontrar rapidamente um ortopedista que desse um jeito na minha dor nas costas; eu queria fazer um bom curso bancado pelo Estado ou ir e voltar dos compromissos usando metrô e ônibus confortáveis. Queria voltar do cinema à noite caminhando sem medo por ruas policiadas e até estacionar meu carro na rua sem medo de não encontrá-lo na volta, já que haveria segurança garantida.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Enquanto apertamos o orçamento pra pagar plano de saúde, colégio particular e estacionamento extorsivo, exigimos que Lula use o serviço público que nós evitamos a todo custo. "Ele precisa dar o exemplo", me escreveu uma garota bastante raivosa. E eu perguntei: "exemplo do quê?" De abnegação cristã? Se assim o fizesse, não faltaria quem o acusasse de populismo e até o atacasse por ter furado a fila - maiores de 65 anos podem fazer isso, está na lei. O fundamental é que ele, o iletrado que virou presidente, voltasse a sentir o gosto de um mau atendimento. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Atire a primeira pedra aquele que, tendo nas mãos o diagnóstico de uma doença grave (em si ou em alguém que ame), não faria de tudo pra conseguir o melhor tratamento. Venderia a casa, o carro, abriria mão de vários confortos. Recusar esse direito a qualquer pessoa - de Lula a Sarney, de Zezé de Camargo a Reynaldo Giannechini -, em nome de uma causa partidária ou algo que o desvalha, está abaixo das normas mínimas de civilidade, até para um usuário de facebook.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7398137140753176998-7683202124109426342?l=olharesloiros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/7683202124109426342/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2011/11/o-sus-do-lula.html#comment-form' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/7683202124109426342'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/7683202124109426342'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2011/11/o-sus-do-lula.html' title='O SUS do Lula'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-50420LbJpuE/TrE08LfPFvI/AAAAAAAAAXQ/L3ow5HKEQEM/s72-c/images-8.jpeg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-4041488792675855694</id><published>2011-10-27T13:04:00.003-02:00</published><updated>2011-10-27T14:06:35.271-02:00</updated><title type='text'>Aética Aplicada</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-3IjUGJpYCzM/TqmAcopo0RI/AAAAAAAAAXE/GlBboOeT5-E/s1600/images-7.jpeg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 288px; height: 175px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-3IjUGJpYCzM/TqmAcopo0RI/AAAAAAAAAXE/GlBboOeT5-E/s400/images-7.jpeg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5668202835459232018" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Ninguém sabe com certeza se foi Charles ou William Lynch quem oficializou, ainda no século 18, o assassinato de uma pessoa, cometido por uma multidão, sem prévio julgamento ou prova de culpa. O certo é que a prática do linchamento tornou-se corriqueira e ganhou, mesmo, entre nós, uma subcategoria, a do linchamento moral. No Brasil, em especial, parece que linchar é um esporte tão fácil de praticar quanto jogar peteca ou chutar bola. Com o auxílio tecnológico das redes sociais, então, ficou ainda mais fácil participar de qualquer campanha linchatória sem sequer sujar as mãos. E é tudo muito rápido, veloz, um zás-trás: anteontem era o Rafinha Bastos, ontem foi o Orlando Silva e amanhã... talvez o ministro da Educação, por conta das sucessivas besteiras em torno das provas do Enem. É bom preparar as pedras - virtuais ou não.&lt;div&gt;    O esforço gasto no linchamento alheio talvez seja o motivo de as pessoas não prestarem atenção nos detalhes sórdidos das histórias. Vamos pegar o caso do Orlando Silva como exemplo. Não acredito que o ex-ministro dos Esportes seja o anjo de candura e inocência que ele, seus correligionários e uma ala mais à esquerda da política querem mostrar. Também não acredito que ele devesse ser crucificado tão logo apareceu a primeira denúncia, como queriam os centro-direitistas espalhados pela política e pela imprensa. Há que se apurar antes de se dar qualquer sentença - pelo menos é isso o que eu espero que façam comigo, no hipotético caso de ser acusado de alguma coisa. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;   Não basta ser inocente, é preciso parecer inocente aos olhos da opinião pública. Mas vivemos numa situação em que, por princípio, todos parecem culpados de alguma coisa. Com isso, o bate-boca entre situação e oposição, normalmente já subnivelado, atinge o inimaginável. Deveria ser prática corrente o sujeito colocado sob suspeita pedir o chapéu e - temporariamente - sair do cargo que ocupa. Daria à investigação, ao menos, a aparência de que algo seria feito. Constatada a inocência, o sujeito voltaria pra sua salinha, sua secretária, seus despachos. Assim como outros ministros apanhados em algum tropeço, Orlando Silva não fez isso e, claro, submeteu o governo inteiro a uma frigideira quentíssima.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;   O mais impressionante no caso do Orlando - podemos tratar na intimidade, há 15 dias só se fala no homem, ele ja é de casa - é que, se levadas a sério, as denúncias deveriam derrubar tudo quanto é ONG, instituição beneficente, sociedade amigos de bairro, salão paroquial, o diabo a quatro. O desfile de organismos que levaram grana - e grana preta - do governo pra atender crianças que não existiam é de ofuscar concurso de miss. Os valores, sempre milhares de dólares, parecem saídos de um livro do Sidney Sheldon ou outro best-seller desvairado: não pode ser coisa de vida real lidar com 3 milhões aqui, 5 milhões ali, como se estivéssemos falando do troco pra comprar um chiclete.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;   Enquanto isso, no lado dos que gostam de arrotar moralidade em cima do outro partido, uma série de "denúncias" ameaça fechar um shopping construído em cima de um lixão, porque aquilo tudo poderia ir pelos ares. Quando alguém lembrou que havia um conjunto residencial popular - uma ex-favela devidamente encaixotada em alvenaria - logo também se chegou a um acordo e surgiram providências que deveriam ter sido tomadas há anos (e não o foram por dificuldades técnicas intransponíveis). Ficou tão evidente que rolou um "cala a boca" entre as devidas partes envolvidas que a gente até perde a noção do certo e do errado. O que antes era tratado com certo pudor, agora é praticamente escancarado. Perdeu-se o pudor de &lt;i&gt;parecer&lt;/i&gt; desonesto.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;   Essa constante aula prática de Aética é o que tem guiado jornais, seja da mais raivosa direita, seja da mais energizada esquerda. Não há, até o momento, nenhum sinal de que princípios de moralidade e decência no trato da coisa pública sobrevivam em algum rincão de nosso território. Isso é muito triste, porque desobriga qualquer pessoa a cumprir uma lei que seja. Se a direita sempre fez o que bem quis e a esquerda, quando sobe, demonstra ter aprendido direitinho o que não presta... não sei bem o que devemos esperar desses seres que nos governam. Nem mesmo de nós, os governados. Fico perdido, entre o susto e o desânimo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7398137140753176998-4041488792675855694?l=olharesloiros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/4041488792675855694/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2011/10/aetica-aplicada.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/4041488792675855694'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/4041488792675855694'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2011/10/aetica-aplicada.html' title='Aética Aplicada'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-3IjUGJpYCzM/TqmAcopo0RI/AAAAAAAAAXE/GlBboOeT5-E/s72-c/images-7.jpeg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-5322353750863422890</id><published>2011-10-13T18:10:00.003-03:00</published><updated>2011-10-13T19:02:44.468-03:00</updated><title type='text'>Alô, alô... responde...</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-WIzijQNCeM8/TpddBVb0xYI/AAAAAAAAAW4/uxN33YBrZ2Q/s1600/images-5.jpeg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 275px; height: 183px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-WIzijQNCeM8/TpddBVb0xYI/AAAAAAAAAW4/uxN33YBrZ2Q/s400/images-5.jpeg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5663097333956789634" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Quantas palavras existem no mundo, não faço a menor ideia. Só sei que todas elas, juntas, não estão dando conta do recado. Nunca se falou tanto, nunca se escreveu tanto, nunca se comunicou tanto para tantos - e, contraditoriamente, nunca nos entendemos tão pouco. Nos e-mails, nas redes sociais, nos livros, jornais, blogs, revistas, nunca tantas palavras foram atiradas a esmo. Emitimos sinais, contamos façanhas, lançamos apelos - para quem? Antes, quando escrevíamos uma carta, colocávamos o destinatário no envelope e dávamos um rumo definido à mensagem. Trocamos o destinatário por "amigos" e "seguidores", subtraímos rosto e digital - mas perdemos em retorno. Com quem falamos? Quem tenta, em algum ponto do planeta, falar conosco? Consegue?&lt;div&gt;&lt;div&gt;A "descomunicação" é o tema que une três filmes argentinos. Não deve ser coincidência que um dos povos mais falastrões do mundo tenha levado ao cinema essa preocupação - a comunicação com o outro está interrompida, fora de área, sem sinal. Estamos sós. Solitos, dizem os argentinos em filmes como "Um conto chinês", "Medianeras" e "O dia em que não nasci". É bom prestarmos atenção nisso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Embora aparente ser o mais óbvio, "Um conto chinês" é o mais universal dos três filmes. Na fábula do irritadiço comerciante portenho (vivido com especial brilho por Ricardo Darín, o Mastroianni da nossa época) e de seu hóspede chinês (Ignacio Huang), que desembarca na Argentina sem saber nem um "hola que tal" básico, está muito da nossa vida atual. O desconforto com o desconhecido, o medo da solidão - e o pavor de aprender a conviver, tudo isso está no filme de Sebastian Borenztein. Os dois protagonistas não trocam uma só palavra diretamente. Nada de nada. Ali, não há lugar para google translator, nem para aqueles antigos dicionários de frases básicas para viajantes. Eles nunca se falam, mas acabam se entendendo. Une-os a solidão e esse é um dado fundamental para entender os três filmes e a nossa vida.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O segundo filme é uma co-produção Alemanha-Argentina, que toca numa ferida sensível - o destino dos filhos dos mortos pelo regime militar que dominou nosso vizinho nos anos 70/80. Se "A História Oficial" (1985) falava de uma mulher (Norma Aleandro, estupenda) que saía do casulo protetor da classe média ao descobrir ter adotado filhos de perseguidos políticos, o filme "O dia em que não nasci" conta a história de uma dessas crianças. Uma nadadora alemã, ao fazer escala de voo em Buenos Aires, lembra-se de uma canção de ninar cantada em espanhol, uma língua que ela nunca falou. É o mote para descobrir ser filha de um casal morto pela ditadura - e outras descobertas terríveis virão. O filme cresce, imensamente, quando entra em cena a tia argentina da moça - vivida por Beatriz Spelzini, uma atriz fantástica. A mulher está feliz por reencontrar a sobrinha que julgava perdida, mas não esquece que é preciso justiça para quem tirou a menina da família. O embate entre a alemãzinha e seus tios argentinos se dá por mímica ou por um vocabulário de inglês mequetrefe. Um não fala a língua do outro, mas ambos buscam desesperadamente um ponto em comum e, quando o encontram, descobrem que isso pode ser um problemaço. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;O terceiro filme está fazendo mais sucesso, pois tem visual moderninho e soluções criativas para várias cenas. Infelizmente, é o de roteiro mais frouxo, esquemático. "Medianeras" seduz pelo que indica, não pelo que mostra. Espécie de "Nunca te vi, sempre te amei" da geração Apple, o filme  tem um casal protagonista fofo - ela, a espanhola Pilar Lopez de Ayala é linda toda vida, e ele, Javier Drolas, tem charme - e usa &amp;amp; abusa de todos os ícones de nossa pretensa modernidade: internet, chat, computador da Apple, auto-depreciação bem humorada, onde está Wally, sexo sem paixão e delivery de comida chinesa. Saímos do cinema com o ar satisfeito de quem se viu na tela, em pelo menos um dos momentos, e nem nos damos conta que o roteiro é um curta espichado sem burilamento: faltou desenvolver melhor a personagem feminina, suas cenas de "solidão" são basiquinhas e repetitivas. Talvez por ser homem, o diretor caprichou mais nos percalços masculinos. E mesmo assim não explica como o rapaz de roupas sempre discretas tira do armário o moleton que usa na última cena. OK, fica uma gracinha, a gente suspira ("viu só? o segredo é não desistir de procurar"), mas não faz sentido. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;O filme de Gustavo Taretto, no entanto, é eficiente ao mostrar que a solidão dos personagens é gritante e seus desencontros são a marca de nosso tempo. Estamos todos assim, vários mundos desconexos em estreitíssima convivência e sem tradução simultânea. O bom é que o cinema mostra que isso ainda nos incomoda. Só por isso, já dá pra ter esperanças.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7398137140753176998-5322353750863422890?l=olharesloiros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/5322353750863422890/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2011/10/alo-alo-responde.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/5322353750863422890'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/5322353750863422890'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2011/10/alo-alo-responde.html' title='Alô, alô... responde...'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-WIzijQNCeM8/TpddBVb0xYI/AAAAAAAAAW4/uxN33YBrZ2Q/s72-c/images-5.jpeg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-2122504149759648006</id><published>2011-10-04T18:09:00.003-03:00</published><updated>2011-10-04T19:28:31.915-03:00</updated><title type='text'>Rafinha: basta.</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-3Dmj4TLkSuo/TouGM-kcFbI/AAAAAAAAAWw/cdF0FFjyhps/s1600/images-3.jpeg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 273px; height: 184px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-3Dmj4TLkSuo/TouGM-kcFbI/AAAAAAAAAWw/cdF0FFjyhps/s400/images-3.jpeg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5659764914233546162" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O imaginário cultural brasileiro vive num clima de eterno Fla-Flu: você é marlene ou emilinha, chico ou caetano, elis ou gal, machado ou zé de alencar, legião ou barão. É como se no verde-amarelo das cores pátrias não houvesse lugar para o cinza ou, vá lá, um verde mais claro. Somos xiitas disfarçados em pele de cucas frescas. Nesse eterno sábado de aleluia tropical, o judas da temporada atende pelo nome de Rafinha Bastos. O irônico é que - mantendo a metáfora das festas católicas - o mesmo Rafinha passou o Natal sob melhores luzes: não era o cristinho da manjedoura, mas um dos reis magos, com certeza. Os ventos sopraram em outra direção, Rafinha Bastos não se tocou e agora se tornou a celebridade que todo mundo quer achincalhar. E só por escrever isto é bem capaz de alguém interromper a leitura e já me chamar de "adorador" do Rafinha. Dá um tempo. Continua a ler, no final a gente conversa.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não vejo graça em Rafinha Bastos. O programa que ele faz - ou fazia -, o CQC, assisti, se muito, duas vezes. Do stand up do rapaz só vi alguma coisa porque, quando lançaram o DVD, eu estava na Fnac e uma TV exibia aquilo ininterruptamente, sempre assistido por um grupo interessado. Confesso que, pra comediógrafo, eu sou bem azedo quando assisto humor. E o humor que Rafinha e seus colegas fazem realmente não me atrai. Diante disso, tomei a atitude básica - não assisto. Não sei vocês, mas o aparelho de TV que comprei veio com um controle remoto sensacional. A modem da TV a cabo também tem um controle remoto e o DVD player, idem. Ou seja, são três oportunidades que a tecnologia me dá para não assistir coisas que não quero. E nem estou listando livros ou conversas com amigos...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Em resumo: contrariando algum instituto ligado ao Twitter, Rafinha Bastos nunca teria a menor influência em minha pacata vidinha, caso eu não fosse bombardeado com notícias sobre ele a cada piada boba, frase deselegante ou campanha publicitária estrelada pelo rapaz. Graças a isso, fiquei sabendo, entre outras coisas, que ele chamou de "feia" toda mulher que reclama de estupro... e que comeria Wanessa Camargo e o bebê que a cantora espera. Realmente, hors concours em qualquer concurso de frases de borracharia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não conheço Rafinha Bastos pessoalmente, nem a turma (ou ex turma) dele. Não posso dizer que são isso ou aquilo. De repente, o cara é até legal em churrasco de domingo, sei lá. Mas, pelos exemplos que pipocam em redes sociais e noticiários, dou a ele o mesmo nível de atenção que dedico a participante de reality show: zero. Ele lá e eu aqui. O mundo gira, a lusitana roda e nenhum dos dois lados perdeu o sono por conta disso. Mas a coisa começou a incomodar - e tudo por causa do tal do Rafinha Bastos, que eu nem sabia que era gaúcho (soube porque li na Vejinha).&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O cara que sempre fez piada escrota e que era "irreverente", de repente virou "persona non grata". As feministas já tinham reclamado dele na ocasião da piada do estupro ("piada do estupro" é horrível, eu sei) e ganharam munição quando ele atacou uma mulher grávida e seu bebê ainda em gestação. Pior, uma gestante que, pelo jeito, o Brasil inteiro ama de paixão avassaladora. Lamento informar a moçada, mas tenho cá comigo que o politicamente correto teve peso mínimo nessa pendenga. O grande pecado do Rafinha Bastos foi mexer com o economicamente correto.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O marido da cantora e seu sócio famoso, Ronaldo Fenômeno, partiram pro ataque com a rapidez e a agilidade que todo corintiano, em vão, um dia quis do jogador. Foi um ataque agressivo, violento, bola alta, altíssima: eles teriam ameaçado convocar todos os anunciantes do programa da Band para um boicote. É dinheiro até dizer chega: o CQC deve ser a atração mais rentável da emissora. Mexer com grávidas e feias, poxa, Rafinha, isso não se faz, dá aqui a orelha pra um puxãozinho. Mas mexer com anunciante, opa! &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Tal como vários políticos se habituaram a fazer nos anos de ditadura - hábito que alguns ainda mantêm em tempos democráticos - , o ex-jogador e seu sócio pediram aos donos da emissora a cabeça do humorista numa bandeja de prata. Verdade seja dita: nos tempos da ditadura,  os políticos pelo menos fingiam não haver pedido nada aos donos dos jornais e TVs. As duas salomés barbadas parecem não ter se envergonhado disso, não. Deram à baixaria do humorista uma resposta igualmente baixa, só que apoiada em dinheiro. Mas até dá pra dizer que era caso de vingança pessoal.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Por trás desse troca-troca de baixarias e falta de ética, me assusta mais ver que, pouco a pouco, as pessoas perdem o pudor de querer a volta da censura. De qualquer censura. Ainda outro dia, comentei sobre comerciais que considero assustadoramente conservadores em seu conteúdo: o da Gisele Bundchen, de calcinha, dizendo que bateu o carro do marido, e o do pai bonitão dizendo que deveria ter vergonha do filho que não pega onda, nem toca guitarra, nem pegou mulher ainda. Uns concordaram, outros discordaram disso e daquilo, mas uma ou duas pessoas - que considero inteligentes, sagazes, etc - defenderam a retirada dos comerciais do ar. Tirar do ar por conta de um erro histórico grosseiro (o Machado de Assis quase loiro da CEF) ou por propagar conceito criminoso é uma coisa. Cortar porque a ideologia do anúncio contraria esse ou aquele interesse é outra coisa: é censura.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não é a primeira nem, infelizmente, será a última vez que ouviremos a defesa desse tipo de corte. Também não será a primeira e, felizmente, nem a última vez que vou brigar contra a censura. Desde que, nos anos 80, o brilhante economista Celso Furtado defendeu a censura do filme "Je vous salue, Marie", do Godard, nunca mais li nada dele. Não dá pra acreditar num pensador que defende o sufocamento de uma ideia diferente da sua. Também não dá pra acreditar numa sociedade que, na defesa de um alegado bom gosto, comemore a caça ao humorista por meios contra os quais ele não tem defesa. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Insisto em reafirmar: não gosto das piadas que Rafinha e seus pares fazem. Mas não me recordo de ter sido obrigado a entrar no Comedians, na Rua Augusta, ou a sintonizar minha TV na Bandeirantes toda segunda-feira. Só haveria sentido em se pedir a cassação de um programa se fôssemos obrigados a vê-lo. Enquanto for opcional, por favor, me livrem de saber das bobagens que esses senhores cometem. E tratem de zelar pelo respeito à opinião alheia, porque conformar-se com a censura ao outro é o primeiro passo de quem será obrigado, mais dia menos dia, a engolir a censura à sua própria opinião - especialmente se quem não gostar da sua opinião for alguém muito mais rico ou muito mais poderoso que você. Se liga.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7398137140753176998-2122504149759648006?l=olharesloiros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/2122504149759648006/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2011/10/rafinha-basta.html#comment-form' title='33 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/2122504149759648006'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/2122504149759648006'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2011/10/rafinha-basta.html' title='Rafinha: basta.'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-3Dmj4TLkSuo/TouGM-kcFbI/AAAAAAAAAWw/cdF0FFjyhps/s72-c/images-3.jpeg' height='72' width='72'/><thr:total>33</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-1561939648655940541</id><published>2011-09-23T12:45:00.004-03:00</published><updated>2011-09-23T14:03:10.428-03:00</updated><title type='text'>Sem Olívia nem Stabler</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-4QbRtCswkBs/Tny0b2oPW1I/AAAAAAAAAWo/0jR-WbqX9J8/s1600/images-1.jpeg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 268px; height: 188px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-4QbRtCswkBs/Tny0b2oPW1I/AAAAAAAAAWo/0jR-WbqX9J8/s400/images-1.jpeg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5655593622684261202" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Narrada em poucas linhas, a notícia parecia mais a sinopse de um episódio de "Law &amp;amp; Order: Special Victims Unit". No meio da aula, um garoto de 10 anos se levanta, aponta um revólver para a professora e atira. Em seguida, volta a arma para a própria cabeça e se mata. Infelizmente, a história é real, aconteceu em São Caetano do Sul, na região metropolitana de São Paulo, e está fora da jurisdição de Olivia Benson e Eliott Stabler, os carismáticos detetives da série de TV. Nos jornais do dia seguinte, repórteres e especialistas tentam, mas não conseguem explicar o que houve naquela escola.&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Cenas de suicídio são traumáticas para quem assiste e para quem sobrevive. Cenas de crianças armadas apavoram. A ideia de uma criança de 10 anos tirando a própria vida com um tiro ultrapassa qualquer noção de tragédia. É inconcebível. Mas aconteceu. O que teria levado o menino de 10 anos - miúdo, segundo relatam colegas de escola - a se matar? Uma depressão não diagnosticada pelos médicos da saúde pública, pelos professores, pelos pais? Ou a vaga ideia de que aquilo era apenas uma brincadeira e que, passado o susto, ele voltaria à ação, como personagem de um videogame? Se houver vida depois do último suspiro, o menino deve estar espantado, como quem quebrou definitivamente o carrinho preferido.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;O que deu errado na curta vida desse menino? Ele e o irmão mais velho estudavam na melhor escola pública da cidade, considerada ótima pelos padrões do Enem ("é difícil arrumar vaga", diz uma aluna ao jornal), tinham casa e família estruturada. O pai, guarda municipal, não parece do tipo ausente: assim que notou a falta da arma em casa, correu até a escola e falou com os dois filhos. Ambos negaram ter pego o revólver calibre 38 e o pai, agora, se castiga por não ter revistado a mochila dos meninos. Ele confiou na palavra dos filhos, o que - a princípio - é sinal de uma relação saudável. O caçula era bom aluno, quieto e, até agora, só o namorado da professora ferida é quem teria apontado algum desvio de conduta do moleque. Salvo esse depoimento, a vida do menino parecia um comercial de margarina.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Mas havia uma arma no cenário e isso muda muito a luz dos fatos. Era uma arma legalizada, com o registro em dia, instrumento de trabalho do pai - embora fosse um revólver comprado em caráter particular, não era da corporação. Numa hora dessas, inevitável pensar que a falha trágica começou no instante em que o pai decidiu comprar o revólver. Por que ter uma arma em casa? É o que ele mesmo deve se perguntar a todo instante, enquanto vela o corpo do filho, sem necessidade do nosso dedo acusador tocando a ferida aberta. A ideia talvez fosse proteger a casa e foi através dela que a tragédia se instalou.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;O comercial de margarina começou a ruir aí. Armas podem fascinar crianças que estejam habituadas aos games e filmes, nos quais  destruição e morte são apenas cenas, invenção, mentirinha. Armas de fogo contradizem qualquer desejo de harmonia, paz ou entendimento, pela simples razão de serem, elas mesmas, instrumentos de coerção, de ameaça, de imposição da vontade - mando eu, que detenho a posse do revólver.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;O menino de 10 anos, dizem os especialistas em dar diagnósticos a distância, já teria noção de certo e errado. E, por isso mesmo, teria se matado, com medo da punição pelo crime que cometera atirando na professora. É curioso perceber que, ao contrário do que fazem os meninos quando roubam a arma do pai, este não quis se exibir perante os colegas. Ele tinha um objetivo, atacar a professora, símbolo de superioridade na hierarquia da sua vida.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Ao ler o noticiário sobre o caso, lembrei-me de Roberto Peukert Valente que, em 1985, aos 18 anos, matou pai, mãe e três irmãos, depois de levar uma bronca materna por ouvir som muito alto. No velório da família, eu - repórter da Folha - tinha a tarefa de montar um perfil do asssassino através dos depoimentos de vizinhos, parentes e amigos. Quando voltei para a redação, a editora Renata Rangel e o diretor Boris Casoy me chamaram pra dar um resumo da ópera: quem era o criminoso? Eu, assustado, dizia: "Era um cara normal. Foi o que mais escutei hoje no cemitério. Ele era um rapaz normal". O único ponto diferente dos outros normais era que Roberto nunca havia desobedecido os pais, nem elevado a voz, nem mesmo batido a porta do quarto. Era "normal", o que já o excluía do comportamento geral dos adolescentes. Roberto explodiu uma única vez - e, depois, confessaria o crime, comendo uma pizza na delegacia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pode ser que uma história não tenha nada a ver com a outra e seja tudo viagem da minha cabeça. Mas o mundo de propaganda de cartão de crédito em que, lemos hoje, vivia o menino de São Caetano não combina com o que aconteceu dentro da escola. Ninguém usa revólver em comercial de margarina.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7398137140753176998-1561939648655940541?l=olharesloiros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/1561939648655940541/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2011/09/sem-olivia-nem-stabler.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/1561939648655940541'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/1561939648655940541'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2011/09/sem-olivia-nem-stabler.html' title='Sem Olívia nem Stabler'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-4QbRtCswkBs/Tny0b2oPW1I/AAAAAAAAAWo/0jR-WbqX9J8/s72-c/images-1.jpeg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-9002529150665802539</id><published>2011-09-16T18:06:00.003-03:00</published><updated>2011-09-16T19:03:29.865-03:00</updated><title type='text'>Parceiros, ainda e sempre</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-3ntH3rLq-ww/TnO_GMtLxMI/AAAAAAAAAWg/McHWSybA6y8/s1600/Pantagruel.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 267px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-3ntH3rLq-ww/TnO_GMtLxMI/AAAAAAAAAWg/McHWSybA6y8/s400/Pantagruel.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5653072070490965186" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Coloquei o ponto final na primeira versão de "Pantagruel" no dia 10 de setembro de 2001. No dia seguinte, extremistas a mando de Bin Laden jogaram dois aviões contra o World Trade Center, em Nova York. Obviamente, um fato não tem relação nenhuma com o outro, mas a gente encontra meios muito particulares de marcar acontecimentos importantes em nossas biografias. Para mim, o 11 de setembro é e será sempre o dia seguinte ao fim da primeira etapa de um trabalho que mudou a minha vida: terceira parceria minha com os Parlapatões, "Pantagruel" me estimulou a pedir 4 meses de licença não-remunerada do Estadão e, por sua vez, estimulou o Estadão a me colocar na lista de demitidos quando houve um corte brutal na redação. &lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Meu retorno ao  jornal, em dezembro de 2001, durou 15 minutos. Já demitido, antes mesmo de pegar o carro no estacionamento pra deixar o prédio na Marginal do Tietê, decidi que ia me dedicar de vez à dramaturgia. Na bagagem, tinha uma comédia estrelada por Rosi Campos, "Ifigônia", e três peças com um grupo que, naquele 2001, comemorava dez anos de existência - os Parlapas. Esta semana, em que o grupo de palhaços festejou 20 anos de vida, serviu também para eu colocar a minha trajetória em perspectiva. Não foi nada radical, nem depressivo, foi só a constatação de que, ao cruzar caminho com os parlapatões, eu encontrei um novo rumo. Não igual ao deles, mas o meu - meio paralelo, meio avesso, meio cruzando-se de novo (como no divertido espetáculo itinerante "O Pior de São Paulo").&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Só sei que, na minha carreira, os Parlapatões foram muito importantes - são até hoje e serão por muito mais, assim espero -, mas creio que eu também tenho lá minha funçãozinha no meio desses 20 anos de palhaçadas. No mínimo, como segundo autor mais montado do grupo, abaixo apenas do diretor-ator-autor Hugo Possolo. Se alguém me perguntar o que um grupo de palhaços tem a ensinar a um autor que achava não ter mão pra comédia, eu diria rapidamente: me ensinaram a ser sério. Sem piada. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Fazer rir, aprendi com eles, é de um rigor, de uma precisão e de um respeito absurdos. Fazer rir não é levar tudo na flauta - tente chegar 5 minutos atrasado pra reunião ou pro ensaio e você saberá que rapadura é doce, mas não é mole, não. Ah, mas eu aprendi também a encontrar o tempo da piada, a frase certa pra dar ritmo à cena, a noção de tempo e espaço que o humor (e o teatro, como um todo) exige. Aprendi a trabalhar com gente que se dedica integralmente ao trabalho e que respeita radicalmente seus parceiros de jornada. Ética faz parte da receita.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;O melhor de tudo foi o que surgiu a partir dos trabalhos - a relação de amizade profunda com Hugo, Raul, Napão, Claudinei, Cris, Marcinha... E a total independência de poderes, a relação aberta que nos permite trabalhar com meio mundo e, de repente, voltar um pros braços do outro. Quando o Hugo me liga e chama de "Marião" é a senha pra uma nova fria - ou trabalho, o que, com eles, é sempre meio sinônimo. "Vamos fazer uma peça sem roteiro dentro de um ônibus e... ah, sem ensaio". Resposta: "Tá". E dá certo!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Bom também é não precisar idolatrar tudo o que o outro faz. Nem tudo o que eles fizeram nesses últimos 10 anos foram do meu agrado e nem todo trabalho meu foi assim uma coqueluche entre os parlapas. Mas quando agrada, ah, é uma alegria danada. Domingo, ao assistir "Ridículos ainda e sempre", um texto russo que parece ter sido escrito para os Parlapatões (como bem previu o diretor Antonio Abujamra, que mostrou a peça pro grupo)... durante a apresentação, enfim, eu me senti muito feliz por ver os meus camaradas mandando uma brasa danada no palco. Raul e Hugo, ao lado de Jaqueline Obrigon, Abhyanna e o pop star Helio Pottes, apossam-se do texto de Daniil Kharms e, entre uma risada e outra, atingem níveis incríveis de poesia. Saí do teatro feliz da vida, como se fosse uma boa estreia minha. Se isso não é parceria, olha... não sei mais o que é.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7398137140753176998-9002529150665802539?l=olharesloiros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/9002529150665802539/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2011/09/parceiros-ainda-e-sempre.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/9002529150665802539'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/9002529150665802539'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2011/09/parceiros-ainda-e-sempre.html' title='Parceiros, ainda e sempre'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-3ntH3rLq-ww/TnO_GMtLxMI/AAAAAAAAAWg/McHWSybA6y8/s72-c/Pantagruel.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-3241685438565336576</id><published>2011-09-07T09:26:00.003-03:00</published><updated>2011-09-07T10:27:05.439-03:00</updated><title type='text'>Um chicabon metafórico</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-69jz7yuHiwo/TmduoVKTOeI/AAAAAAAAAWY/CNSknf919sI/s1600/Totatiando%2B8%2B-%2BFoto%2BJo%25C3%25A3o%2BCaldas.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 266px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-69jz7yuHiwo/TmduoVKTOeI/AAAAAAAAAWY/CNSknf919sI/s400/Totatiando%2B8%2B-%2BFoto%2BJo%25C3%25A3o%2BCaldas.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5649605896713746914" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;A página da Wikipedia informa que a cantora Zélia Duncan completou os 42 km de sua primeira maratona em 5 horas, 10 minutos e 34 segundos, no dia 10 de outubro de 2010. A enciclopédia virtual ainda não comunica aos leitores que no dia 3 de setembro passado, a cantora de Niteroi comemorou 30 anos de carreira fazendo em cerca de 60 minutos uma estreia impecável: "Totatiando", o espetáculo que Zélia não quer chamar de show, é sedutor da primeira à última sílaba. Se, no começo, as pessoas estranham a cantora espremida num terninho escuro... Se, ao contrário dos shows normais, há poucos aplausos entre uma música e outra... Se a encenação bem conduzida pela atriz Regina Braga segue uma partitura detalhada... Tudo isso converge para um final que poderia ser chamado de apoteótico, caso o adjetivo não estivesse tão desgastado. É um final energizante, pronto. &lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Cantora e diretora explicam que "Totatiando" é uma peça porque tem roteiro e personagem definido - o narrador seria o próprio compositor paulistano Luiz Tatit, autor de quase tudo o que Zélia fala em cena. A exceção é o poema em que Mário de Andrade espalha o próprio corpo despedaçado em vários pontos da cidade. É um dos melhores momentos do... ah, do show, pronto. Outro grande momento? A interpretação de "Dodoi", parceria de Tatit e Itamar Assumpção. Outro? "Felicidade". Outro? Melhor ir ver o show, a peça, o que for. Melhor correr para o Sesc Belenzinho e garantir seu ingresso, "Totatiando" fica em cartaz até 18 de setembro. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Entende-se a hesitação da equipe em definir "Totatiando". Ousar, às vezes, exige um novo vocabulário. Mas no caso do espetáculo, Zélia pode contar alguns precedentes desde que, em 1976, Elis Regina aliou-se à diretora Myriam Muniz para implodir o esquema banquinho-violão-conjunto ao fundo-microfone. Em "Falso Brilhante", tudo estava a serviço de uma 'história', a da própria Elis. Cenários e figurinos (de Naum Alves de Souza), luz, músicos, músicas, voz, tudo estava encadeado. Não foi à toa que ficou quase dois anos em cartaz lotando um teatro de 1.200 lugares.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Escoltada sempre por bons diretores de teatro, Maria Bethânia faz shows - sim, shows - com intenções bem definidas. Desde os popurris dirigidos por Fauzi Arap nos anos 70 ( "Drama Terceiro Ato", "A Cena Muda"), sinais de um país e uma cultura retalhada pela ditadura militar, até os mais recentes, conduzidos por Bia Lessa, cujos barroquismos casam-se bem com a alma despudorada de Bethânia - e quem assistiu "Brasileirinho" pode ver isso: o show tinha uma linha de pensamento, havia coerência de uma canção a outra, de um poema a outro. Como escreveu Evaldo Mocarzel no Caderno 2, "havia dramaturrrgia". &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;"Totatiando" merece aplausos entusiasmados por vários motivos: primeiro, porque realmente é bom, é bonito (o cenário, a luz, os dois músicos, excelentes). Depois, porque oferece ao distinto público a chance de conhecer melhor a obra de Luiz Tatit, mais ligado ao Grupo Rumo e à cantora Na Ozetti. Finalmente, por dar a esse mesmo público a oportunidade de sair da mesmice. Zélia poderia comemorar três décadas de cantoria enfileirando no palco sucessos e preferências. Optou por fazer algo diferente, radicalmente diferente: no show não há espaço para alguém gritar do fundo da platéia "Canta Catedral!".&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Ousar é um verbo meio em desuso - eu ia escrever nas artes, que é onde mais conduzo meu barquinho, mas falta ousadia em tudo, ultimamente. Nem na política temos coragem de romper tradições. Reclamamos do Sarney, do Roriz, do Calheiros, mas pouco avançamos além dos queixumes. Assim, a cada pleito, lá estão eles, de novo, não apenas disputando, mas conquistando efetivamente o voto dos eleitores. As novelas repetem elencos e tramas, os filmes copiam e colam o mesmo roteiro, os escritores da nova geração capricham na auto-referência repetitiva, o teatro divide-se entre a cena do sofá na sala e o gelo seco com voz tremida, porque uma vez isso foi moderno. Boceja-se sem pudor.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Fazer um show diferente do formato esperado pode não abalar as estruturas do sistema. Pode deixar alguns fãs tradicionais mais frustrados ("Poxa, ela não cantou Catedral..."). Pode até mesmo errar - não é o caso, mas havia o risco. Aliás, essa é "a" palavra. Risco. Estamos cada vez mais fugindo dos riscos. E como dizia Nelson Rodrigues: sem se arriscar, a criatura não chupa um Chicabon.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;O risco é o grande medo. Protegemos nossa opinião barrando das redes sociais qualquer pessoa que pense diferente e nos faça avaliar um novo ponto de vista. Evitamos olhar alguém numa festa, corremos o risco de nos apaixonar. Vai que... "Vai que" virou mantra e bordão de propaganda - ganhando uma conotação pessimista: vai que dá errado... A pista é outra: vai que dá certo? &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;P.S.: Zélia, Regina, Célia... Eu acho que é show.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7398137140753176998-3241685438565336576?l=olharesloiros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/3241685438565336576/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2011/09/um-chicabon-metaforico.html#comment-form' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/3241685438565336576'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/3241685438565336576'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2011/09/um-chicabon-metaforico.html' title='Um chicabon metafórico'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-69jz7yuHiwo/TmduoVKTOeI/AAAAAAAAAWY/CNSknf919sI/s72-c/Totatiando%2B8%2B-%2BFoto%2BJo%25C3%25A3o%2BCaldas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-8014825208510176132</id><published>2011-08-29T17:05:00.004-03:00</published><updated>2011-08-29T17:41:48.887-03:00</updated><title type='text'>Azelite</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-xWKaxfryCR4/Tlv1DzfpXII/AAAAAAAAAWQ/oh79Ei4PFss/s1600/gatinho.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 275px; height: 183px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-xWKaxfryCR4/Tlv1DzfpXII/AAAAAAAAAWQ/oh79Ei4PFss/s400/gatinho.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5646376003550403714" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Hoje cedo, ouvindo a Band News FM, escutei a entrevista de uma moradora do Morumbi, um bairro que a gente da minha safra cresceu sabendo que era "dos ricos". De uns bons tempos pra cá, o Morumbi ganhou favelas, conjuntos residenciais e, pasmem, chegou a ser definido - pelo locutor, esta manhã - como bairro de classe média. Alta, mas média. A notícia hoje era que moradores do Morumbi organizaram uma manifestação, um protesto, pela falta de segurança no bairro. &lt;div&gt;Ao contrário do que acontece nos aglomerados populares, os revoltosos não precisaram atear fogo em pneus para chamar a atenção da mídia - e colabora muito o fato de a Band estar fincada no alto do bairro nobre. A polícia apareceu, o comandante reconheceu a farra dos assaltantes e prometeu estudar melhoria no policiamento, e a tal moradora que deu entrevista falou bem e bonito, avisando que até a população de baixa renda - antigamente conhecida como pobres e/ou favelados - seria beneficiada com as melhorias. O Morumbi, pra quem não conhece a área, abriga uma das maiores favelas urbanas de São Paulo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Enquanto isso, na imprensa e nas redes sociais, o bafafá ficou por conta de um artigo da ombudsman da Folha, Suzana Singer, publicado no dia 21 de agosto. No artigo, Suzana cutucava a chamada crítica especializada de teatro, que esbanja seus conhecimentos teóricos em frases empoladas e sem muito sentido. Não demorou muito para um grupo de profissionais do teatro se levantarem contra esse artigo, acusando a ombudsman de querer "vulgarizar" o texto dos jornais.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;De modo geral, concordei com o artigo de Suzana. Há mesmo - e não é só na área de teatro, mas em cinema e literatura também - um certo esnobismo nos textos. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;É como aqueles textos gravados nas paredes das exposições de artes plásticas: por que essas pessoas fazem questão de não escrever claro? Elas querem mostrar que são cultas e, por dominar um vocabulário no qual sobressaem palavras com mais de quatro sílabas, julgam-se afora e acima da manada.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pode parecer que estou tratando de dois assuntos, mas não. O tema é a elite, o bacana, o que se tem em alta conta. No caso do Morumbi, foi preciso que a horda criminosa começasse a atacar as ruas, carros e casas da parte nobre para que a polícia fosse chamada às falas. Enquanto atingia as vielas das favelas... eles que se entendessem.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;No caso da polêmica cultural, fiquei pensando em como parte da classe artística gosta de se ver à parte do mundo real. A língua que eu, você e mais um bando de gente usamos para comunicar ideias por escrito ou falando... essa língua não lhes parece rica o suficiente para exibir cultura. É preciso ser barroco, rebuscado, porque quanto menos a patuleia entender, melhor. Se ela, a patuleia, achar que entendeu é capaz de não achar o outro tão intelectual assim. Complica ainda mais porque a própria patuleia também acha isso, de vez em quando. No fundo, o fantasma de Odorico Paraguaçu e sua linguagem particular assombra a nossa rotina.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Há um falso conceito de que as coisas simples são rasas. Raso é quem se apega à boia do rococó pra disfarçar o oco das ideias. Mas é sempre bom deixar claro que textos com análises profundas de qualquer manifestação artística são bem-vindíssimos. O que, acredito, a ombudsman afirmou é que reflexões profundas não precisam ser labirínticas. Eu não tenho vergonha de buscar sempre ser claro e compreendido. Não creio que isso me diminua como escritor e dramaturgo. Mas, é claro, é apenas uma opinião de quem não gosta de labirinto nem mora no Morumbi. Acho que uma coisa tem a ver com a outra. Vai saber...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7398137140753176998-8014825208510176132?l=olharesloiros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/8014825208510176132/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2011/08/azelite.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/8014825208510176132'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/8014825208510176132'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2011/08/azelite.html' title='Azelite'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-xWKaxfryCR4/Tlv1DzfpXII/AAAAAAAAAWQ/oh79Ei4PFss/s72-c/gatinho.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-4845909439283224189</id><published>2011-08-17T09:53:00.007-03:00</published><updated>2011-08-17T10:45:52.719-03:00</updated><title type='text'>A Bovary do Horto</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-tOffYShBkso/TkvDOJBQKOI/AAAAAAAAAWI/pXv1za1fCl4/s1600/Unknown.jpeg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 240px; height: 180px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-tOffYShBkso/TkvDOJBQKOI/AAAAAAAAAWI/pXv1za1fCl4/s400/Unknown.jpeg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5641817605918435554" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Publicações em blog têm curta validade e este, em especial, vence na sexta-feira, quando a última cena de "Insensato Coração" for ao ar. Eu sei que há coisas mais importantes em que pensar - a indignação do governo federal com a publicação das fotos dos presos no escândalo do Amapá, por exemplo, dá muito pano pra manga. Mas vou falar da novela. &lt;div&gt;Sim, eu poderia sugerir ao ministro da Justiça e à presidente Dilma que preferiria vê-los esbravejando contra o descaso das explosões impunes de bueiros no Rio ou contra o fato de um parque de divesões caindo aos pedaços ter alvará de funcionamento e, por isso, ter provocado a morte de dois adolescentes... São muitos os motivos que deveriam deixar um dirigente político indignado (embora a exibição pública de suspeitos seja proibido por lei, claro - mas há alguma brecha na lei, que libera a imagem quando o suspeito é pobre e preto)... Tudo isso é assunto, mas preferi a novela.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eunice, a candidata a perua interpretada com estridência por Deborah Evelyn, vai ser punida exemplarmente hoje à noite. Defensora da moral da família, a dona de casa pagará o pato de ter cedido ao tesão e se refestelado com o descamisado gostosão Ismael (Juliano Cazarré). O capítulo de "Insensato Coração" poderia estar morno que só, mas bastava Ismael dar uns cheiros no cangote de Eunice pra ela suspirar, devota, um "ai, meu Deus" - e tudo estava dito. (Tá, a Tia Neném, da Ana Lúcia Torre, também foi um dos maiores achados desta novela).&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Casada com um tipo bem comportado e até submisso, Eunice é a mulher que não se conforma com a sina interiorana - na geografia do Projac, qualquer cidade fora do Rio é subúrbio puro e, no caso, era Florianópolis, de onde não importaram nem o sotaque - todo o núcleo manezinho falava como carioca. Eunice quer ser da alta sociedade e chega a leiloar a virgindade da filha em nome da causa. No começo da novela, ela prometia também ser um anjo vingador, que buscaria a punição ao assassino da irmã, custasse o que custasse. De vez em quando, esse lado da personagem ainda vinha à tona - mas o caso com o gostosão passou à frente. Eunice abriu mão da vingança e da moral familiar em nome do próprio desejo. Será castigada por isso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;As lições de moral burguesa das novelas chegam a assustar, quando paramos de ver aquelas cenas como mera distração. O menino bom caráter, que assume a criação do filho que um estuprador deixou em sua namorada, bem, esse menino está saudavelmente livre do compromisso, pois a menina abortou depois de apanhar do estuprador violento. A periguete, que sempre foi divertida em sua sede desmedida de fama e celebridade, está se transformando, na reta final, numa vilãzinha rastaquera. A ambição é um dos mais graves pecados, segundo o catecismo das novelas brasileiras.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;De todos os personagens, entretanto, é a Eunice que mais me chama a atenção, por representar - queiramos ou não, nós, os "modernos &amp;amp; antenados" - o chamado pensamento da maioria. Espremida entre as contas a pagar e as revistas de celebridades, as eunices da classe média, nova ou velha, adorariam circular na alta roda, chamar banqueiro de você e madame de querida. Elas são até mais bem informadas do que a personagem da novela, sabem dos museus e shows, mesmo quando não comparecem aos eventos. Acham, sim, que as filhas precisam casar bem e tentam fazer uma boa limonada financeira de todos os limões que a vida lhes oferece. Só não podem, em momento algum, lembrar que sentem tesão.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Sexo liberado, só para a doidivana Bibi, que precisou conformar seu furor lascivo ao casamento com o marombado tapado, porém de bom coração e, acima de tudo, legalista, fã da cerimônia formal. Também exemplares são a diarista Haidê (Rosi Campos), que começa e acaba a novela apenas como a mãe pobre, porém honesta, íntegra e trabalhadora, sem um companheiro pra chamar de seu. Ou a chatonilda Carol (Camila Pitanga), que exige do companheiro uma fidelidade que nem ela consegue sustentar. Ou, pior, a irmã bonitinha, que fica dando lição de moral em festa alheia, azedando o ambiente. Nem mesmo o "polêmico" casal gay vai escapar do bom-mocismo: ontem mesmo a mãe bacana estava organizando a festa da união civil do filhote com o namorado boa-praça. Gay bom é gay casado-com-festinha.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;É tudo gente que vai sumir da nossa memória assim que a novela acabar - e é bom que seja assim. Odete Reuttman deve ser um fantasma que atormenta os piores pesadelos da Beatriz Segall. É tudo história de mentirinha, que muitas vezes são tratadas até nos noticiários com a seriedade de um atentado na Síria ou um escândalo em Brasília. Lembro de uma empresária canadense espantada por me ouvir contar que a morte de Odete Reuttman tinha sido notícia de primeira página nos maiores jornais do país. No Brasil, acostumamos a viver a ficção e, talvez por isso, assistamos com passividade ao desfile interminável de absurdos políticos. Estamos sempre à espera do próximo capítulo - mas, pelo menos, os capítulos de nossos novelistas acabam com final feliz, vilões mais ou menos castigados, beijos em profusão e paz universal. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Entendo o escape, mas insisto: deixem a nossa Bovary suspirar sossegada nos braços do gostosão. Sem tesão não há solução, já dizia Roberto Freire.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7398137140753176998-4845909439283224189?l=olharesloiros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/4845909439283224189/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2011/08/bovary-do-horto.html#comment-form' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/4845909439283224189'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/4845909439283224189'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2011/08/bovary-do-horto.html' title='A Bovary do Horto'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-tOffYShBkso/TkvDOJBQKOI/AAAAAAAAAWI/pXv1za1fCl4/s72-c/Unknown.jpeg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-9222283020052682035</id><published>2011-08-08T17:31:00.003-03:00</published><updated>2011-08-08T20:31:13.823-03:00</updated><title type='text'>Carta aberta ao vereador Carlos Apolinario</title><content type='html'>       &lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; 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 &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;A implantação desta data comemorativa é tema urgente e de capital importância para o respeito a todas as categorias sociais que convivem em São Paulo. Assim como a Câmera dos Vereadores ousou desafiar o seu tempo e criou o Dia do Orgulho Hétero, esta tarefa é de fundamental providência por parte dos dedicados edis de nosso município, eleitos e mantidos com os votos de milhões de paulistanos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Não acho que seja o caso de se chamar Dia do Orgulho Órfão, já que nem mesmo a mocinha que mandou o namorado dar cabo dos pais tem orgulho em exibir a orfandade, acredito eu. O Dia do Órfão justifica-se a cada temporada de Dia das Mães e Dia dos Pais. São datas criadas pelo comércio, é claro, mas a Parada Gay de São Paulo também se tornou a menina dos olhos do turismo paulistano e só a entrada de dinheiro nos cofres municipais já justifica a manutenção do evento na principal avenida da cidade – os evangélicos e os sindicalistas, em sua maioria, são daqui mesmo e não animam hoteis, restaurantes, lojas e outros templos consumistas que fazem a alegria da comunidade gay.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;É necessário que os vereadores se sensibilizem com a causa dos que sofrem a falta de seus entes queridos a cada campanha publicitária. “Temos o presente para qualquer tipo de pai” ou “Dê a sua mãe tudo o que ela quis” são slogans que, antes mesmo de estimular o consumo, constrangem os cidadãos privados de seus genitores. É de uma violência abissal, desumana, impensável. É a orfanofobia em marcha, aproveitando um termo criado por Vossa Excelência na revista Veja desta semana.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Como cidadão paulistano, profissional que vive do seu trabalho e por ele paga todas as taxas e impostos cabíveis (e incabíveis, também), eleitor com a situação em dia, &lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt; &lt;/span&gt;e – acima de tudo – órfão de pai e mãe, julgo-me pleno de direitos em reivindicar ao vereador que abrace a nossa causa.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Superaremos diferenças políticas em nome de um bem maior, lembrando que nossa luta em nada depõe contra a figura humana dos que têm pai ou mãe vivos – alguns têm ambos! É preciso combater o excesso de privilégios dados a esses cidadãos já aquinhoados com os pais em plena atividade.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O órfão paulistano cansou-se de ser humilhado em shopping centers, lojas e anúncios de TV. Chega! Nossa luta está apenas no começo!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Atenciosamente,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Mário Viana.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;!--EndFragment--&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7398137140753176998-9222283020052682035?l=olharesloiros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/9222283020052682035/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2011/08/carta-aberta-ao-vereador-carlos.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/9222283020052682035'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/9222283020052682035'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2011/08/carta-aberta-ao-vereador-carlos.html' title='Carta aberta ao vereador Carlos Apolinario'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-1499410460751124496</id><published>2011-07-26T10:41:00.004-03:00</published><updated>2011-07-26T11:41:45.136-03:00</updated><title type='text'>Chico!</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-ARptsHErg2w/Ti7Ls83thMI/AAAAAAAAAWA/OuNUt7b9lXc/s1600/images-1.jpeg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 274px; height: 184px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-ARptsHErg2w/Ti7Ls83thMI/AAAAAAAAAWA/OuNUt7b9lXc/s400/images-1.jpeg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5633664157001548994" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Antes de convidar à leitura, vou logo avisando: este é um território chiquista, com evidente e democrático espaço para discordantes, desde que mantido o nível de civilidade. Isso posto, vamos ao post em si. Saiu &lt;i&gt;Chico&lt;/i&gt;, o CD novo de Chico Buarque. Mais que novo, é um grande CD. Maior que seus 31 minutos de duração. Poderia ser um resumo da carreira de Chico desde os anos 60, mas é evidente e audível a vontade do compositor de não ser o mesmo, de avançar, de arriscar. Chico escapa do olê olá, com métrica certinha, e abusa do descompasso entre verso e música, as palavras faltam aqui, sobram ali, como que deslocadas. E estão - é esse o segredo.&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Como em outros discos anteriores do compositor, &lt;i&gt;Chico&lt;/i&gt; começa com um sobrevoo. "Querido diário" mostra as ruas e as pessoas que olham o narrador, oferecem-lhe Deus enquanto ele fala da mulher sem orifício. &lt;i&gt;Chico Buarque&lt;/i&gt;, de 1989, abria com "Dois irmãos", lindamente. No álbum &lt;i&gt;Carioca&lt;/i&gt;, de 2006, ele começava com "Subúrbio" e falava da cidade que tinha Cristo de costas. Em &lt;i&gt;As Cidades&lt;/i&gt; (1998), o abre era "Carioca", aquela que usava o refrão 'gostosa, quentinha tapioca' e falava das meninas com peitinhos de pitomba. É sempre um prólogo, uma situada no tempo e no espaço. Desta vez, não foi diferente.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;A pista para &lt;i&gt;Chico&lt;/i&gt; está na segunda faixa. Rubato, informa-me o Aurélio, é a "execução caracterizada pelo emprego de certas liberdades rítmicas, num intuito expressivo que depende unicamente do gosto musical do intérprete". Não por acaso, "Rubato" é o título da canção que Chico fez com Jorge Helder. E é ela que explica o disco todo, cheio de quebras, sílabas alongadas, frases aparentemente imperfeitas. O cd é um grande rubato.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Em "&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Essa pequena", Chico melhor retrata a passagem do tempo. Chico e Caetano estão envelhecendo, isso é fato. Não lembro de outros compositores a explicitar tanto em suas obras como o envelhecer afeta. Chico, há tempos. Caetano, mais nos últimos CDs e shows, apoiado numa ainda novata Maria Gadu. Em "Essa pequena", o narrador de cabelos cinzas já se conformou com as filhas que saíram de casa ( "As minhas meninas", de 87) e agora se espanta com o à vontade da namorada de cabelos vermelhos. "Acho que nem sei direito o que é que ela fala", confessa. "Mas o blues já valeu a pena". Valeu mesmo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 7.63889px; "&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 11.1111px; "&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Daí pra frente, é um reencontro com os personagens que Chico cria desde Pedro Pedreiro. "Se eu soubesse" é uma canção de amor inesperado, acompanhado pela voz zizipossiana de Thais Gulin, e de certa maneira nos aproxima da "Renata Maria", de &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Carioca&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;.  "Sou eu", o samba feito em parceria com Ivan Lins, é a voz finalmente dada ao marido de "Deixa a menina", dos anos 80. E o que dizer de Nina, a personagem de uma delicada valsinha? Prima irmã da emigrante de "Iracema voou", só que desta vez, ela não liga a cobrar, mas fala pelo Google Maps. E Chico ainda rima mapa com rapta, toca com vodca - e vai. "Barafunda" é um sambinha gostoso, fala de Cartola, Garrincha e Mandela - e aproxima-se de "Feijoada Completa" e "Futebol", de safras passadas.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;O cd termina com "Sinhá", uma tocante criação de Chico e João Bosco. Mais uma vez, como em "O velho Francisco", do álbum &lt;i&gt;Francisco&lt;/i&gt; (1987), somos apresentados a um personagem sofrido. Daquela vez, era um velho abandonado num asilo. Agora, é um escravo preso ao tronco e torturado por ter visto a dona nua. Em cinco estrofes, temos o panorama completo. Mais uma vez, fico com a impressão que Chico sabe, como raros, compor sobre gente que mente. Assim como a mulher de "Olhos nos Olhos" sempre me pareceu ainda desesperada pelo amor do homem que a deixou, o escravo de "Sinhá" mente. Ele viu, sim, a sinhazinha nua, mas nem por isso merece o castigo que vai sofrer. A capacidade de deixar entrever uma possível inversão do que está sendo dito é fascinante e é o que me atrai na obra do Chico. E o cd, que começa com um controverso "mulher sem orifício" termina com um homem que tem os olhos furados...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7398137140753176998-1499410460751124496?l=olharesloiros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/1499410460751124496/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2011/07/chico.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/1499410460751124496'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/1499410460751124496'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2011/07/chico.html' title='Chico!'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-ARptsHErg2w/Ti7Ls83thMI/AAAAAAAAAWA/OuNUt7b9lXc/s72-c/images-1.jpeg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-4542495090807755470</id><published>2011-07-20T09:36:00.007-03:00</published><updated>2011-07-20T10:19:27.551-03:00</updated><title type='text'>Portinari, para poucos</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-M1XLwSzC0uA/TibUNTMr66I/AAAAAAAAAV4/I8QLbE3ymoE/s1600/portinari.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 299px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-M1XLwSzC0uA/TibUNTMr66I/AAAAAAAAAV4/I8QLbE3ymoE/s400/portinari.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5631421709030255522" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;A menina magricela, de uns 10 anos mais ou menos, estava entre inconsolável e revoltada. "Por que não posso fotografar os quadros que eu quero?", perguntava-se sem obter resposta do segurança gentil (porém desinformado) nem dos pais, de aparência de quem tem pouca intimidade com o ambiente dos museus. A cena se passou domingo no MAM, onde foi aberta uma delicada exposição de Cândido Portinari. Tenho uma tendência quase psicopata de dar informação a quem se encontra perdido na rua e, desta vez, não reprimi meus instintos. Expliquei pra menina que alguns quadros pertenciam a colecionadores particulares, que o emprestavam, mas proibiam fotos. O pai ou a mãe da menina tentavam ajudar. "É pra ninguém fazer cópia e vender na rua". A menina assumiu a frustração e decidiu: "Quando eu ficar grande, vou comprar quadros bem bonitos e deixar todo mundo fotografar". Tomara.&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;O que gira em torno dessa história é a exposição - recorte de um período curto na vida de Portinari (1903-1962), com vários estudos e rascunhos - bem bacana. Tão bacana, que esqueceu da popularidade de Cândido Portinari. Domingo, dia de entrada grátis, o MAM estava bem cheio, havia fila de espera para entrar. E o grátis não explicava a presença de outras famílias "simples", daquelas que normalmente não se vê em exposição de pintura. Há uma delicadeza nessa visita, a preocupação de o filho aprender alguma coisa nas férias, fora da escola (Portinari é um daqueles nomes que caíram no imaginário popular, virou sinônimo de algo bom no mundo das pinturas). É para esse público que a exposição parece voltar as costas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Não há a menor explicação didática e, no caso de um artista popular isso é fundamental. No caso do MAM, todo mundo sai desinformado. Por exemplo: mostra-se vários estudos para o preparo de belos murais. Mas onde estão esses murais? Por que não colocar uma foto da Igreja da Pampulha ou do prédio do Ministério da Educação no Rio? Em uma parede, há uma linda série de retratos que Portinari fez de sua mulher, Maria - mas eu só sei que era a mulher dele, porque li a resenha da Vejinha. Quem entra no museu sem saber nada antes sai com o mesmo nível de informação complementar. Pena que a curadoria não tenha pensado nisso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Lembro que, alguns anos atrás, fiz um curso de produção cultural na Fundação Getúlio Vargas e, numa das palestras, ministrada por um diretor do Masp, ouvi bestificado o seguinte: exposições muito populares não nos interessam, porque atraem um público despreparado, sem pedigree. Numa hora dessas, a função social de um museu, escoa pelo ralo do esnobismo e revela exatamente o que boa parte do mundo da Arte reflete: Arte é para poucos, para os eleitos, para os bacanas. Quem é do povo deve dar graças a Deus por ter televisão e estátua viva na Paulista. Quer pintura? Compra um quadro de palhacinho chorando e passe bem. Deixa o Portinari pros lindos. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="white-space: pre; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Ser didático não significar ser chato. Dá para ensinar sendo lúdico. Quando uma família da&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; periferia avança o sinal e entra no Museu, está dando sinais claros de que quer mais do que&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt; o domingo de faustão e gugu. Pode não suspirar embevecida, nem comentar que a exposição de Fulano&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="white-space: pre; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;em Paris era melhor.... Mas chegou ali e não deve ser ignorada. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="white-space: pre; "&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Às vezes, penso que é justamente a arrogância dos produtores de cultura que afasta&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="white-space: pre; "&gt; os que querem &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="white-space: pre; "&gt;aprender alguma coisa. Colocar uma barreira entre "nós" e "eles" ajuda a manter o sistema de castas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="white-space: pre; "&gt;em que vivemos. O coronelismo nocivo da política alastra-se no dia a dia e manifesta-se no império &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="white-space: pre; "&gt;dos chiques sobre os populares, da grande arte sobre a arte popular. Não é um mal exclusivo do Brasil,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="white-space: pre; "&gt;é bom que se diga. O cabonismo pirateia-se mundo afora.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="white-space: pre; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="white-space: pre; "&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" white-space: pre;font-size:11px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7398137140753176998-4542495090807755470?l=olharesloiros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/4542495090807755470/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2011/07/menina-magricela-de-uns-10-anos-mais-ou.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/4542495090807755470'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/4542495090807755470'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2011/07/menina-magricela-de-uns-10-anos-mais-ou.html' title='Portinari, para poucos'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-M1XLwSzC0uA/TibUNTMr66I/AAAAAAAAAV4/I8QLbE3ymoE/s72-c/portinari.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-6452846951682495197</id><published>2011-07-08T19:22:00.003-03:00</published><updated>2011-07-08T19:53:42.964-03:00</updated><title type='text'>Órfãs de filho</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-f3HllhlZvnM/TheIzqF9OUI/AAAAAAAAAVw/ROghyVP3fIQ/s1600/images-1.jpeg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 184px; height: 274px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-f3HllhlZvnM/TheIzqF9OUI/AAAAAAAAAVw/ROghyVP3fIQ/s400/images-1.jpeg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5627116680476703042" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Um nunca soube do outro e se não fosse a coincidência de frequentarem as páginas do noticiário nos mesmos dias, certamente não haveria porque ligar Juan a Yoham. Mas ambos tinham muito em comum: eram meninos, brincavam na rua, tinham vários irmãos e foram batizados por suas mães com nomes que buscavam tirá-los da sina madrasta que uniformiza os caminhos de tantos zés, joões e carlinhos. Não deu certo a mandinga. Isso foi outro ponto comum entre os meninos. Ah, e o fato de serem, os dois, pobres.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A bala perdida que atingiu Juan numa favela do Rio e a avalanche de terra que cobriu Yoham, entre São Paulo e Diadema, poderiam ser o ponto final de duas vidinhas curtas, mas não foi bem assim que aconteceu. Juan virou "o menino que desapareceu depois de uma suposta troca de tiros entre policiais e traficantes de uma favela". Sua mãe apareceu em jornais e programas de TV, à espera de uma notícia que não vinha. Suspeita-se que a própria polícia tenha sumido com o menino ferido. Só isso bastaria para transtornar uma mãe, acho eu. Mas a coisa não ficou nisso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Na semana passada, um corpo de criança foi encontrado num rio, lá pelas redondezas do tiroteio. O circo de sempre - emissoras de TV, policiais querendo aparecer, policiais querendo sumir e, pensava eu, um nó apertado no peito da mãe: "será ele, será o Juan? Deus queira que não". E era um corpo que ninguém conseguia identificar o sexo - esse detalhe mórbido é de uma crueldade alucinante: que estado era o desse corpo, que não permitia diferenciar um pinto de uma xoxota? Será que é o meu filho que está assim, maltratado? E  veio a autoridade do Rio dizer que era o corpo de uma menina. Bem ou mal, era uma esperança pra mãe do Juan. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Até que, no começo desta semana, muda o veredito: era mesmo o corpo de Juan, aquele que ninguém sabia identificar. E veio mais uma notícia: o enterro teria que ser antecipado, pois temia-se "alguma coisa de inesperado". E eu só tinha na minha mente a imagem da mãe de Juan, de uma mãe que precisou matar várias vezes o mesmo filho. Quantas vezes ainda ela terá que sofrer essa morte? Não passa pela cabeça das autoridades que a incerteza fere mais que a notícia definitiva?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Depois, veio a tragédia das casas soterradas. Dizem que havia uma obra da prefeitura ali e, de maneira pouco direta, tenta-se jogar a culpa nos soterrados, que insistiam em morar nos lugares de risco. A mãe de Yoham apareceu e disse que teria, sim, mudado com a família para outro canto. Chegou mesmo a achar uma casa de 40 mil reais, mas a prefeitura avisou que só pagava 25 mil - mais ou menos, o novo salário do prefeito. Onde o burocrata da prefeitura encontra um barraco que seja para comprar com 25 mil reais? &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;"Por 15 mil, perdi o meu filho", disse a mulher. Errou a conta, madame. Seu filho morreu porque o dinheiro que pagamos em impostos reverte-se, quase sempre, em propinas, salários a autoridades inúteis e gastos desnecessários com gabinetes de políticos. Não sobrou muito para tentar livrar algumas pessoas das avalanches. É a vida. Deus quis assim.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Juan e Yoham também morrem a cada vez que suas pequenas tragédias somem dos jornais e dos noticiários. Nem mesmo a gente, classe média que ainda se julga capaz de alguma indignação confortável, nem mesmo a gente estica o pensamento sobre eles. Juan e Yoham duram até a próxima vingança de Norma contra Léo. E daqui a poucos dias, nem mesmo Norma ou Léo farão parte das nossas vidas. Esqueceremos e aguardaremos o próximo vilão, a próxima mocinha, a tragédia seguinte. Tudo anda muito fugaz, nas novelas e na vida.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:78%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:9px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7398137140753176998-6452846951682495197?l=olharesloiros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/6452846951682495197/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2011/07/orfas-de-filho.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/6452846951682495197'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/6452846951682495197'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2011/07/orfas-de-filho.html' title='Órfãs de filho'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-f3HllhlZvnM/TheIzqF9OUI/AAAAAAAAAVw/ROghyVP3fIQ/s72-c/images-1.jpeg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-1287153796669573196</id><published>2011-06-20T16:08:00.005-03:00</published><updated>2011-06-20T17:05:26.105-03:00</updated><title type='text'>Tempo tempo tempo tempo</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-M5oqkLHCVW0/Tf-g_A2i0eI/AAAAAAAAAVo/AYEaqzMTMg8/s1600/Unknown-1.jpeg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 243px; height: 207px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-M5oqkLHCVW0/Tf-g_A2i0eI/AAAAAAAAAVo/AYEaqzMTMg8/s400/Unknown-1.jpeg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5620387864402645474" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;O tempo nos incomoda. Perturba. Confunde. É um inimigo contra o qual a batalha é sempre perdida. Pode, sim, ser nosso aliado, quando precisamos de calma para encontrar soluções ou queremos apreciar o crescimento de alguém ou alguma coisa. O tempo mexe com todos. Penso no tempo que passa desde o final dos anos 70, quando Caetano gravou "Oração ao Tempo", no LP (era LP naquela época) &lt;i&gt;Cinema Transcendental&lt;/i&gt;. Naquela época, um colega da revisão da Abril, o Zeca, todo chegado a papos-cabeça, babava-se pelo Caetano - vocês acreditam nisso, jovens? os universitários babavam pelo Caetano e não pelo vencedor do último reality. "O Caetano fez um tratado filosófico sobre o tempo", dizia o Zeca. E eu passei a prestar a maior atenção na música e, até hoje, quando a ouço, lembro da cena, do Zeca e concordo com ele. "Oração ao Tempo" é mesmo um tratado.&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Depois foi o Chico, que começou a questionar a passagem do tempo em sua música. Foi fazer 50 anos e, pronto, começou a falar no retrato do artista quando moço, nas rugas pregadas no canto da boca como estranho sorriso, no amor que seguirá o outro apenas como encantado... Chico deu bandeira e sentiu mesmo que havia chegado àquela idade em que não há mais desculpas. Mas mostrou também que é uma idade em que há inúmeras possibilidades.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;O problema do tempo - ou melhor, da nossa relação com o tempo - é que ele é o contrário de um sapato novo. O sapato alarga-se com o uso, amolda-se ao nosso pé, acompanha nosso caminhar. O tempo, não. Conforme passa, estreita-se, aperta cada vez mais, reduz-se. O tempo é o avesso do sapato.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Nossa necessidade de tempo torna-se mais urgente. E isso está se refletindo na arte em geral. Ou será o meu olhar que se liga agora nessas coisas? No filme "Meia Noite em Paris", a mais recente obra-prima do mestre Woody Allen, é a nostalgia por um tempo que não vivemos que move a história. O passado idealizado mostra-se mais confiável que o futuro potencialmente dececpionante. É em busca do tempo em que os ídolos se frequentavam em busca de inspiração para suas futuras obras que o escritor do filme caminha por Paris. E a gente acredita mesmo nisso, por várias razões: por que quer acreditar, primeiramente. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Segundo, por que cidades como Paris, Sevilha, Ouro Preto, Paraty, uns pedaços do Rio e São Luis do Maranhão, Lisboa, Recife, Istambul, Salvador e alguns lados especiais de São Paulo (sim, é a &lt;b&gt;minha&lt;/b&gt; lista), esses lugares guardam secretas portas para o passado de glórias, dores, suspiros, amores, festas... Gostaríamos todos de encontrar a passagem na plataforma do trem em Londres, como qualquer Harry Potter. Nestas cidades, a gente caminha sempre à espreita de alguma figura dos tempos idos. E não estranharíamos entrar por uma porta e cair no meio da sala em que Manet pintava, Proust escrevia, e por aí em diante.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Não é a primeira vez que a capital da França desperta esses devaneios criativos. Em um filme russo de 1993, "Salada russa em Paris", personagens de uma Moscou caindo aos pedaços, sem comida nem energia, encontram uma porta mágica por onde chegam à Paris de hoje. É uma comédia ácida, deliciosa, que prova ser Paris a inspiração de todas as viagens pelo tempo. Mas ela não é a única.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Às vezes, o tempo escorre pelas veias de um quintal abandonado. É o tema da peça "O Jardim", do dramaturgo Leonardo Moreira, em cartaz no Sesc Belenzinho. A peça fala da passagem do tempo em uma família, sempre reunida no jardim da casa. É uma encenação criativa (mais criativa que o texto em si, aliás), que passa ao público a sensação de inevitável confronto com o tempo. São três cenas representadas ao mesmo tempo para três platéias e, conforme a peça acontece, você descobre o que aconteceu com cada personagem - ou o que aconteceu para eles agirem do jeito que agem. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Não chega a ser um recurso inédito. Em 1937, o inglês J. B. Priestley escreveu o drama "O Tempo e os Conways", em que o vaivém das cenas conta a história de uma família devastada pela dor. No terceiro ato, nosso choque vem de saber o que ocorreu com aquelas figuras cheias de esperanças e planos. O Grupo Tapa fez uma belíssima montagem dessa peça nos anos 80. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Sentiríamos choque semelhante se pudéssemos prever o futuro. Até o momento sabemos apenas que um dia tudo acaba. Mas, ao contrário das criaturas de Priestley, de Allen e do  personagem de um conto de Machado de Assis, não jogamos a toalha, nem desistimos de viver, já que - segundo a figura de Machado - tudo é inútil. Pelo contrário, agimos e jogamos com vontade de vencer, mesmo quando o placar dá empate.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;O tempo realmente nos absorve.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7398137140753176998-1287153796669573196?l=olharesloiros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/1287153796669573196/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2011/06/tempo-tempo-tempo-tempo.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/1287153796669573196'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/1287153796669573196'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2011/06/tempo-tempo-tempo-tempo.html' title='Tempo tempo tempo tempo'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-M5oqkLHCVW0/Tf-g_A2i0eI/AAAAAAAAAVo/AYEaqzMTMg8/s72-c/Unknown-1.jpeg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-4438896761572380836</id><published>2011-06-06T16:37:00.002-03:00</published><updated>2011-06-06T16:40:04.193-03:00</updated><title type='text'>É engraçado, mas é inteligente</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-2nj9EKzj4wI/Te0s6KS6A0I/AAAAAAAAAVg/92esAaFis2A/s1600/foto%2BGuga%2B%2BMelgar%2B504%2B%2B.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 266px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-2nj9EKzj4wI/Te0s6KS6A0I/AAAAAAAAAVg/92esAaFis2A/s400/foto%2BGuga%2B%2BMelgar%2B504%2B%2B.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5615193688108565314" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;!--StartFragment--&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent:36.0pt"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;Há cerca de um mês, cutucado por uma crítica imbecil publicada na Ilustrada a respeito da peça “Deus da Carnificina”, de Yasmina Reza, em cartaz no Teatro Vivo, escrevi uma espécie de réplica, que acabou não sendo publicada. Com ligeira atualização, eis o artigo.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent:36.0pt"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;Numa sociedade em que o direito à felicidade é assunto do Supremo Tribunal Federal e na qual grupos organizados constroem canaletas&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;politicamente corretas por onde acham que o humor deve seguir, não é de estranhar o comentário que uma mulher de meia-idade fez ao sair de uma sessão de “Vamos?”: “A gente ri muito, mas (a peça) é inteligente”, dizia ela em tom elogioso. Associar o riso à&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;falta de discernimento não é culpa dessa mulher. Rir por simples prazer é visto como algo tão menosprezível que até ganhou uma expressão pejorativa: o “riso fácil”.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent:36.0pt"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;A expressão, bastante utilizada por críticos da programação cultural, tornou-se um chavão tão vulgar quanto chamar feijoada de suculenta. Atualmente, costuma colar-se a qualquer texto teatral que faça o público chorar de rir e, até, aplaudir em cena aberta. Concordo que há atores especialistas em puxar a cena para si, esquecendo o texto, os colegas e jogando para o público. Mas em nenhum momento o espectador reclama de dificuldades para rir.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent:36.0pt"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;Recentemente, a Ilustrada publicou uma crítica à montagem brasileira da peça “Deus da Carnificina”, da franco-argelina Yasmina Reza, na qual se dizia que a direção do espetáculo “consegue tornar prazeroso vermos atores de tamanho calibre se comportando mal no palco”. Para mim, isso é elogio: se o texto é bom, a direção é esperta e os atores, bacanas, por que eu não veria a peça? Entretanto, o título advertia para o efeito do “riso fácil”, como uma micose que tivesse consumido a pureza do texto.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;            &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt; &lt;/span&gt;O crítico rotula o efeito cômico de uma peça como sendo de “riso fácil”. Mas aí aparece um problema irônico: não existe riso difícil! Portanto, como um riso pode ser tachado de “fácil”? Fazer comédia é um trabalho complexo: além de a situação apresentada conduzir ao riso, as frases devem ter o número certo de sílabas para que o ritmo e a sonoridade das palavras provoquem uma sonora gargalhada. O ator com tempo cômico é aquele que sabe falar o texto, ao mesmo tempo que sente a respiração da plateia, fazendo as pausas no momento preciso, nem um segundo aquém ou além – acreditem, numa boa comédia nada é por acaso.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent:36.0pt"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt; &lt;/span&gt;Qualquer profissional – autor, ator ou diretor – que leve a comédia a sério sabe que o riso só deve ser difícil para quem o produz, escrevendo ou atuando com rigor matemático. Para o espectador, a risada deve ser fácil e prazerosa – e se ela produz reflexão depois de apagadas as luzes do palco, melhor ainda. Acontece que nenhum dramaturgo do mundo real consegue determinar o pensamento do espectador. Da plateia, ele pode se identificar plenamente com o personagem de uma comédia rasgada ou passar o tempo todo pensando em pizza durante a montagem deslumbrante de qualquer texto denso.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;            &lt;/span&gt;Ao atribuir a uma comédia o carimbo de riso fácil, o crítico nega a quem ri o direito de raciocinar por conta própria. Parece que só mesmo a expressão circunspecta é que leva a alguma reflexão. Observar os homens inferiores – segundo a classificação aristotélica – pode, sim, nos ensinar muitas coisas. Mesmo o filósofo francês Henri Bergson (1859-1941), que não via lá muita profundidade na comédia, dedicou um livro inteiro ao tema, “O Riso”, e nele estabeleceu parâmetros muito interessantes de análise. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent:36.0pt"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;Um desses parâmetros mostra que sempre riremos bastante de personagens demasiadamente rígidos em suas convicções , por uma razão simples: a vida real exige de nós um constante jogo de cintura. Um personagem sem esse molejo é fatalmente cômico. Não seria esse o caso das criaturas apresentadas por Yasmine Reza em sua peça? Afinal, são representantes da classe média bem educada que se encontram para resolver, civilizadamente, o entrevero de seus filhos na escola. A reunião formal vai descambando em cenas até escatológicas e divertidíssimas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent:36.0pt"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;Os pontos que mais incomodaram a “crítica” da Ilustrada, na montagem brasileira, eram também os que mais risadas provocavam na apresentação do mesmo texto em Paris, há cerca de 4 anos. A plateia vinha abaixo com as estripulias dos dois casais de classe média que se desmoronam diante do público – especialmente na cena em que a visitante vomita no livro da dona da casa ou quando ela joga o celular do marido no vaso de flores. Estrelada por Isabelle Huppert, a montagem foi dirigida pela própria autora, a quem dificilmente se poderá acusar de não ter entendido o texto.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent:36.0pt"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;Birrenta, a jornalista brasileira cismou que um ator – Orã Figueiredo – exagerava no apelo do riso frouxo da plateia. Enganou-se a pobre jornalista. Se há alguma diferença nas atuações daqui e da França, é no personagem Alain, vivivo por Paulo Betti. Em Paris, o ator que fazia o personagem era um escândalo, dominava o tempo cômico como poucos que já vi. A plateia se divertia a cada gesto dele. Vendo a apresentação em São Paulo, fiquei pensando porque Betti não arrancava a mesma intensidade de riso, embora esteja muito bem em cena. Foi triste entender: o personagem do advogado lobista, que defende um laboratório farmacêutico envolvido com um remédio de graves efeitos colaterais, na França, era realmente motivo de piada. Eles têm esse tipo de gente lá, claro. Mas o parisiense médio acha isso tão absurdo, que ri. Aqui, o tipo do lobista escroto é tão comum, está todo dia no noticiário, que ninguém na plateia do Teatro Vivo vê motivos especiais pra dar risada.. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;            &lt;/span&gt;O linguista russo Mikahil Bakhtin (1895-1975), quando pesquisou as origens do riso medieval e renascentista na obra de François Rabelais, acabou por iluminar a pouco reconhecida história da comédia.&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;Quando explica que o homem medieval ria de tudo que se referia à porção inferior do corpo – alimentação, metabolismo, sexo -, Bakhtin nos ajuda a entender por que até hoje plateias do mundo inteiro vão rir durante o desastrado vômito da visitante no livro de sua anfitriã, em “Deus da Carnificina”. Quebrar o mundo, virá-lo do avesso e chacoalhar a formalidade são atitudes que mais provocam o riso sempre que as vemos acontecer. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;            &lt;/span&gt;Talvez o “pecado” da comédia – em geral, não somente de “Deus da Carnificina”- &lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt; &lt;/span&gt;seja tratar o mundo com a inclemência que ele merece. E também com uma absoluta e anticristã falta de modéstia. “Eu sou perfeito, &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;os outros&lt;/i&gt; é que cometem as gafes, os vexames, que passam vergonha. São os outros os inferiores.” Talvez esteja aí a birra que os críticos alimentam contra os textos cômicos: provavelmente eles acham que o homem só respeita aquilo que inveja. Nada disso, senhores. Vergonha alheia também faz avançar a humanidade. Ou, pelo menos, deveria.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;!--EndFragment--&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7398137140753176998-4438896761572380836?l=olharesloiros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/4438896761572380836/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2011/06/e-engracado-mas-e-inteligente.html#comment-form' title='23 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/4438896761572380836'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/4438896761572380836'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2011/06/e-engracado-mas-e-inteligente.html' title='É engraçado, mas é inteligente'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-2nj9EKzj4wI/Te0s6KS6A0I/AAAAAAAAAVg/92esAaFis2A/s72-c/foto%2BGuga%2B%2BMelgar%2B504%2B%2B.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>23</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-4661180407674287385</id><published>2011-05-31T10:41:00.003-03:00</published><updated>2011-05-31T11:06:07.710-03:00</updated><title type='text'>Um tapinha não doi</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-4LY55PE92Ss/TeT1vf-8zSI/AAAAAAAAAVU/FCqGybg5eVY/s1600/Unknown.jpeg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 250px; height: 202px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-4LY55PE92Ss/TeT1vf-8zSI/AAAAAAAAAVU/FCqGybg5eVY/s400/Unknown.jpeg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5612881231998668066" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;E eis que, de repente, um senhor de 80 anos sai pelo mundo e até estreia em cinema defendendo uma legislação mais moderna para o consumo de maconha. FHC - por quem nunca morri de amores, mas a quem eu dei meu primeiro voto, nos finais da década de 70 - é o principal nome do documentário brasileiro "Quebrando o Tabu", dirigido por Fernando Grostein Andrade, irmão do Luciano Hulk e, portanto, cunhado de Angélica. Todos no mesmo táxi.&lt;div&gt;Não me senti muito animado a ver o filme, mas fiquei pensando que esse Fernando Henrique é danado de esperto. Já faz algum tempo, o bom velhinho tem manifestado em entrevistas a saudade que tem do tempo em que fazia oposição e, pelo teor das mensagens, julga-se sério candidato a porta-voz dos contrários. Também acho que falta uma oposição que preste no Brasil. Até uns dias atrás, imprensa e classe média estavam em clima de lua de mel com Dilma Rousseff. É bom lembrar que até ser eleita, ela era apenas "aquela mulher", "eu não voto naquela mulher", etc. Virou Dilma, mostrou-se discreta, agradou os mais conservadores. Escorregou com a história do enriquecimento do Palocci e estatelou-se com a estrada desnecessária em cena do ex-presidente Lula. Agora, todo mundo é oposição - mas não do jeito que FHC imagina, ou seja, em torno dele. É uma oposição tão fisiológica quanto a situação de uma semana atrás.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O que me espantou na esperteza FHCiana é que ele agora tenta ocupar a vaga abandonada por todos os políticos, com a provável exceção do Fernando Gabeira: o de defensor de alguma coisa menos careta. Ainda soam nos ouvidos a gritaria em torno do aborto, que desviou as atenções da campanha eleitoral. Ou os brados retumbantes contra a lei anti-homofobia que ecoam na Câmara dos Deputados. Ao retrocesso mental e ideológico explicitado por Dilma, Serra, Jilberto, o Alcaide, e outros oportunistas interessados no voto dos evangélicos, FHC entrega-se ao papel de vovô bacana, aquele que entende perfeitamente quando o netinho aparece enrolando um beck no quintal de casa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;De todos os políticos, é justamente o imperial FHC quem acena para os jovens com uma flamulazinha menos conservadora. É claro que até agora ninguém perguntou por que ele não fez alguma coisa nesse sentido durante os 8 anos de seu governo. Ou por que o governador de São Paulo, também do PSDB, optou em descer o sarrafo nos manifestantes da Marcha da Maconha, recentemente. Seja como for, FHC - a quem continuo dando o mesmo valor de antes - entra dando cutucadas em Dilma, Serra (um antitabagista de babar na gravata), Alckmin e Jilberto, o Alcaide. E ainda sobra umas espetadas em José Sarney, vencedor inconteste da calhordice ao declarar que o impeachment de um presidente foi um acidente na história do Senado brasileiro. Não deixa de ser coerente: alguém que pensa assim só pode mesmo praticar a política que conhecemos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7398137140753176998-4661180407674287385?l=olharesloiros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/4661180407674287385/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2011/05/um-tapinha-nao-doi.html#comment-form' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/4661180407674287385'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/4661180407674287385'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2011/05/um-tapinha-nao-doi.html' title='Um tapinha não doi'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-4LY55PE92Ss/TeT1vf-8zSI/AAAAAAAAAVU/FCqGybg5eVY/s72-c/Unknown.jpeg' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-8557286861253474784</id><published>2011-05-16T13:28:00.004-03:00</published><updated>2011-05-16T14:04:04.443-03:00</updated><title type='text'>A verdadeira tropa da elite</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-ygcW8niggE4/TdFXrXkvKQI/AAAAAAAAAVM/mng9Ypobtnc/s1600/images-1.jpeg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 275px; height: 183px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-ygcW8niggE4/TdFXrXkvKQI/AAAAAAAAAVM/mng9Ypobtnc/s400/images-1.jpeg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5607359413627070722" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saber que uma associação de moradores de Higienópolis manifestou-se contra uma estação do metrô na Avenida Angélica seria algo absolutamente normal numa sociedade democrática. Nesta cidade  convivem palmeirenses, corintianos, santistas e até torcedores da Portuguesa. Gays desfilam de mãos dadas pela mesma Paulista em que homofóbicos dão as caras e, muitas vezes, agridem quem está em volta. Mulher de  gravata e homem de saia, madame e faxineira, noiado e alérgico a perfume, esta cidade vê de tudo - por que não veria uma associação que se pretende isolada do que chamaram, poeticamente, de gente diferenciada? É outra maneira de nomear pobre-feio-mendigo-nordestino-preto-bicha e todas as ramificações nascidas do cruzamento dessas categorias. Uma bicha preta sergipana, esteticamente bastante prejudicada e sem CEP pra chamar de seu tá ferrada. Nem na calçada pisa.&lt;div&gt;O que marcou a manifestação dessa entidade - mais pra pomba gira que pra preto véio - foi a pronta aceitação que o governo estadual deu aos queixumes. "Ah, não querem estação ali? Então tá." Como se construir uma complexa malha de transporte público fosse algo tão simples quanto mudar o sofá de lugar na sala. Sobre tudo isso já se falou, houve churrascada na Angélica e o porta-voz da entidade (eh eh zifio) veio a público queixar-se de bullying. É muito bafafá pra pouco tititi. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;A primeira coisa que chama a atenção nesse passo em falso do governo é que qualquer projeto apresentado, idealizado, bolado, lançado, rascunhado pelo governo anterior será imediatamente apagado dos anais da história, pouco importa sua importância para camadas expressivas de paulistas. As aulas de inglês reforçadas foram pro beleléu, porque lançadas pela gestão anterior. Com o metrô não seria diferente. No Brasil, estamos habituados a isso, ao arrasa-quarteirão de todo novo governo, botando por terra o que os anteriores fizeram. Inédito no caso é que há 20 anos é o mesmo partido que "governa" São Paulo. Em tese - e esse povo adora uma tese acadêmica - seriam todos irmãos, interessados em permanecer no poder (a regra da alternância só vale para os outros partidos).&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Além de se confundir com essa quizumba interna, o usuário do metrô paga o pato também pra deixar de ser besta e ter algum dinheiro. Coisa mais desagradável é essa mania de querer transporte público decente - mesmo que o preço das passagens seja de primeiro mundo. Mancomunado com seu inimigo íntimo - o sempre lembrado e nunca suficientemente lamentado, Jilberto, o Alcaide - o atual governo estadual dá verdadeiras aulas de menosprezo a quem precisa de ônibus e metrô.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Enquanto foi limitado a uma linha entre Santana e Jabaquara, o nosso metrô era motivo de orgulho paulistano. O "nosso" metrô era mais moderno que o de Paris, mais novo que o de Nova York, mais bacana que qualquer outro. Bastou algum demagogo estender um tantinho mais as linhas e danou-se. Um bando de pobre começou a se apertar nos vagões, apresentando espetáculos deprimentes a cada vez que vai ou volta do trabalho. O metrô deixou de ser "nosso" e passou a ser "deles", os diferenciados. Pra que gastar dinheiro com eles? É de admirar que as estações e trens ainda mantenham um grau de limpeza decente...&lt;/div&gt;&lt;div&gt; Não é apenas a polêmica da estação Angélica que me leva a pensar nisso. É o dia a dia. Eu poderia, por exemplo, sair de minha casa e ir até o Sesc Pinheiros de metrô: a estação Trianon-Masp fica a 5 minutos deste computador e a Faria Lima a dois passos do Sesc. Dispensaria o carro, economizaria o estacionamento... mas não dá, porque, embora inaugurada há vários anos, a tal estação continua em fase de teste, fechando às 15 horas. Dei um exemplo até fútil, mas pense em quantos trabalhadores dependeriam desta estação. Quantos outros vão depender da hoje inaugurada estação Pinheiros, pertinho da Faria Lima. O horário continua esdrúxulo. A estação é inaugurada sem banheiro nem outras "mordomias" que esse povo agora deu pra querer, do tipo celular funcionando. E não se sabe quando a situação será regularizada. Quando o paulistano terá um metrô que atenda, ao menos parcialmente, sua necessidade de locomoção?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;É tudo ligado. O horror da associação de Higienópolis aos pobres, o descaso do governo estadual ao usuário de um sistema moderno de transporte e até o desdém com que ele, Jilberto, o Alcaide, trata o trânsito da cidade que deveria administrar - para quem não sabe, Jilberto só usa helicóptero para ir de sua casa, nos Jardins, à prefeitura, no centro. Evita engarrafamentos, buracos, contato com pobres... Ele, que deveria ser o primeiro a ver os buracos do asfalto... Não é de admirar que o pessoal não queira metrô na Angélica. O exemplo vem de cima.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7398137140753176998-8557286861253474784?l=olharesloiros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/8557286861253474784/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2011/05/verdadeira-tropa-da-elite.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/8557286861253474784'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/8557286861253474784'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2011/05/verdadeira-tropa-da-elite.html' title='A verdadeira tropa da elite'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-ygcW8niggE4/TdFXrXkvKQI/AAAAAAAAAVM/mng9Ypobtnc/s72-c/images-1.jpeg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-6633379041314250921</id><published>2011-04-12T12:26:00.004-03:00</published><updated>2011-04-12T12:59:36.802-03:00</updated><title type='text'>A cor da memória</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-hJH15k6kR1I/TaR1olldPVI/AAAAAAAAAU8/eeTcQem8LuU/s1600/Unknown-1.jpeg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 253px; height: 200px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-hJH15k6kR1I/TaR1olldPVI/AAAAAAAAAU8/eeTcQem8LuU/s400/Unknown-1.jpeg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5594725977245433170" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha mãe tinha uma Tia Senhora. Lembro de, entre criança e adolescente, ter visitado a parente lá nos interiores de Pernambuco. Não lembro da cara, mas sempre me senti fascinado pelo nome - tia Senhora. Um batismo, pelo jeito, comum aos pernambucanos: em "Álbum de Família", Nelson Rodrigues dá esse nome a uma das personagens da tragédia. Nas casas dos familiares e amigos do sertão, as paredes eram decoradas com fotos, muitas fotos. Na casa de meu avô materno, em Jupi, o longo corredor era marcado pelas fotos de casamento de todas as filhas. "Como papai era novo! E a Tia, que magrinha!"&lt;div&gt;Lembro também que na casa de outro avô, 'seu' Antônio, já vivendo em São Paulo, migrante vindo de pau de arara com 9 dos 11 filhos, havia o retrato pintado do casal mais velho. Expressões sérias, porque naquele tempo ninguém ria pras fotos. Registrar a imagem era coisa séria. Nem os artistas riam, ao posar no melhor ângulo para sua legião de fãs. Mesmo sem fãs, meus avós sabiam que aquele momento importante ficaria para sempre. Por ironia, sabe-se lá onde foi parar o retrato pintado dos meus avós.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Perdidos no tempo, os retratos de tantos parentes e conhecidos voltaram às paredes da memória, enquanto visitava a exposição "Fotopinturas", na Galeria Estação, em Pinheiros. A mostra reúne 150 trabalhos da coleção particular de Titus Riedl, um sociólogo alemão que mora no sertão do Ceará há  16 anos. A curadoria de Eder Chiodetto selecionou trabalhos não necessariamente bonitos, do ponto de vista estético, mas instigantes, porque lidam com a reconstrução do real.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;No texto do catálogo, Eder conta um pouco da origem dessa técnica - partir de retratos oficiais, formais, para o quadro pintado a cores, elemento praticamente obrigatório em todas as casas nordestinas a partir de 1945. Os retratados não se contentavam em ver a própria imagem reproduzida em cores. Buscavam melhorá-la, ajeitando o cabelo pixaim, a testa assim ou assado... e juntavam todos os membros da família no mesmo retrato, ainda que misturassem mortos e vivos, jovens e velhos. A realidade era o que se queria mostrar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Da coleção de Riedl fazem parte muitos retratos rejeitados pelos clientes dos foto-pintores. O trabalho talvez não tivesse resultado como eles queriam, vai saber, o artista foi realista demais e não corrigiu o olho estrábico ou o excesso de rugas. Havia também a quebra de decoro - homens deviam sempre ser retratados de terno e gravata e, se não aparecessem assim no retrato, não valia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Na mesma semana em que um jovem esquizofrênico dizimou 12 famílias, matando seus filhos na escola, eu recolhia em baús perdidos na memória trapos e fiapos que me ajudaram a chegar até aqui. Quem recria a realidade, hoje em dia, sou eu. Com minhas peças, contos, roteiros, ideias. Embelezo e enfeio, arrisco, carrego na tinta, erro no verbo, mas exponho, tal qual um retrato colorido na parede, os fantasmas camaradas que habitam minha imaginação. Dou prosseguimento ao sonho de Tia Senhora e Vô Antonio, mesmo sabendo que, deles, nem o retrato na parede restou.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;A exposição Fotopinturas fica em cartaz até 21 de maio, na Galeria Estação (Rua Ferreira de Araújo, 625, Pinheiros). Conforme a hora, você sai da mostra e filosofa à vontade entre chopes e bolinhos do Pirajá, ali pertinho.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7398137140753176998-6633379041314250921?l=olharesloiros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/6633379041314250921/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2011/04/cor-da-memoria.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/6633379041314250921'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/6633379041314250921'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2011/04/cor-da-memoria.html' title='A cor da memória'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-hJH15k6kR1I/TaR1olldPVI/AAAAAAAAAU8/eeTcQem8LuU/s72-c/Unknown-1.jpeg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-3144867660536564354</id><published>2011-04-03T23:24:00.003-03:00</published><updated>2011-04-04T00:03:23.491-03:00</updated><title type='text'>Pais &amp; Filhos</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-CI17q10Hvdk/TZkz6To-e1I/AAAAAAAAAUs/Pfv6JZWti1g/s1600/images-1.jpeg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 280px; height: 160px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-CI17q10Hvdk/TZkz6To-e1I/AAAAAAAAAUs/Pfv6JZWti1g/s400/images-1.jpeg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5591557489154751314" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;É muito feio fazer o que eu fiz. Abandonar o blog, mesmo com bons argumentos - estava ocupado com textos para novos projetos, lancei o livro "Carro de Paulisa", acompanhei a estreia do Festival de Teatro Grotesco do N.e.x.t. - mas a vida não tem nada a ver com isso, certo? Quem tem blog precisa cuidar dele, zelar, acarinhar os seguidores. Não dá pra ficar tanto tempo distante. Feito o mea culpa, vamos à luta. Voltei!&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eu não achava que o nobre deputado Jair Bolsonaro fosse me inspirar a escrever um novo post. Na verdade, não inspirou mesmo. Eu preferiria ignorar a baciada de tonterias que aquele homem atirou na cara dos telespectadores do CQC - mas confesso que mandei minha mensagem pra ouvidoria do Congresso, pedindo providências contra tanta paquidermice mental. Estava até conseguindo um certo distanciamento, muito embora cada notícia dada sobre o fulano me deixasse perplexo. Reconheço, entretanto, que não fiquei tão perplexo quanto os mais jovens e talvez os meus colegas de geração me ajudem a explicar a coisa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quem cresceu, fez faculdade e se formou sob o tacão do regime militar não esperaria outra coisa de um milico. Que me perdoem os militares avançados, de mente aberta (eles existem, sim), mas a imagem que ficou das Forças Armadas pra minha geração foi de truculência, mentalidade tacanha e zero de disponibilidade ao diálogo. Uma figura com o carisma democrático do Bolsonaro não arrancaria maiores suspiros entre os crescidos nos anos 70 e comecinho dos 80. Ele espanta hoje em dia? Ainda bem que sim! Mostra que estamos avançando, mesmo sabendo que uma boa parcela de eleitores do Estado do Rio ajudou a dar emprego à Bolsonaro &amp;amp; Sons. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Com o fim do regime militar, as forças avançadas fizeram jus ao nome e avançaram. Talvez não o suficiente para evitarmos os debates constrangedores da última eleição presidencial, quando só faltou reivindicar a volta da virgindade como troféu de casamento. Mas avançamos a ponto de nos mobilizarmos e gritarmos quando uma - digamos levianamente - pessoa como aquele deputado é convidado para ir à TV manifestar o seu (perdão pela imprecisão do termo) pensamento. Ele pode, sim, pensar do jeito que bem entender, foi pra isso que defendemos tanto a democracia. Mas seu direito de se manifestar termina onde começa o direito de exposição dos que o acham uma infeliz caricatura.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Com os aguerridos defensores do conservadorismo, acho que nem é tão difícil conviver. Eles emitem lá seus raciocínios, nós emitimos cá os nossos, assim vamos levando. O diabo é quando o conservadorismo aparece disfarçado de qualquer outra coisa que nós até achamos engraçadinho. Não podemos atacar o pensamento arcaico do Bolsonaro e, ao mesmo tempo, tratarmos como "acredite se quiser" a notícia de que o ex-jogador Toninho Cerezo vai à Itália dar entrevista ao lado do filho transexual. Por que o apoio de um pai a um filho merece tamanho destaque? É, obviamente, pelo fato de jogador de futebol ser macho o suficiente para encarar a realidade de um filho traveca. Não sei se isso mereceria destaque numa sociedade realmente isenta de preconceitos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O deputado expôs seu ponto de vista diante da câmera de um programa conhecido por só poupar da execração o peso do Ronaldo Fenômeno. Deu a cara a tapa - ou melhor, deu um tapa na cara daqueles a quem despreza, certamente imaginando que pretos e bichas fossem mais cristãos e oferecessem a outra face. Toninho Cerezo não pediu a ninguém que pagasse sua passagem pra Itália, nem mesmo ameaçou chegar lá e dar uma surra de chicote no filho veado. Sabe-se lá quantas lágrimas o jogador deve ter derramado até aceitar a decisão do filho - e se alguém achar que estou sendo machista, tenha dó... Toninho certamente tinha algum sonho pro filho, da mesma maneira que o deputado. Só que o primeiro não impôs o seu modelo de vida. Cerezo, chorando ou não, aceitou e convive com a situação certamente inesperada. Apoia o filho publicamente e, para tanto, não depende dos nossos votos. Não merece, portanto, ser alvo de chacotas, muito menos de chacotas disfarçadas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Duvido que o deputado fosse macho o suficiente pra ter a atitude do ex-jogador.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7398137140753176998-3144867660536564354?l=olharesloiros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/3144867660536564354/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2011/04/pais-filhos.html#comment-form' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/3144867660536564354'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/3144867660536564354'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2011/04/pais-filhos.html' title='Pais &amp; Filhos'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-CI17q10Hvdk/TZkz6To-e1I/AAAAAAAAAUs/Pfv6JZWti1g/s72-c/images-1.jpeg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-2212732842636008774</id><published>2011-03-02T10:59:00.004-03:00</published><updated>2011-03-02T11:35:22.496-03:00</updated><title type='text'>O crime ao lado</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-Ehl9NGQW388/TW5UAU6-AVI/AAAAAAAAAUk/_KOnblLCMHI/s1600/images-1.jpeg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 259px; height: 194px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-Ehl9NGQW388/TW5UAU6-AVI/AAAAAAAAAUk/_KOnblLCMHI/s400/images-1.jpeg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5579489352951398738" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div&gt;Ainda outro dia, apoiado na experiência de ex-repórter policial e até hoje leitor de reportagens do gênero, eu explicava a alguns amigos que a morte do estudante da Fundação Getúlio Vargas, semana passada, só podia ter alguma explicação subterrânea - dívida de jogo ou drogas, quem sabe... "Nos dias de hoje, matar alguém por causa de mulher...", eu falava. Na hora, fazia sentido. Até aquele instante, dizia-se que os estudantes haviam se envolvido num bate-boca por causa de mulher havia cerca de um mês. Ninguém planeja tão longamente um crime desses - bom, pelo menos nisso eu acertei: o crime foi cometido por um rapaz que se sentiu ofendido pelos estudantes, que teriam mexido com sua namorada. Em uma hora, um deles estaria morto e o outro, quase.&lt;div&gt;Errar o palpite me fez sentir um dinossauro, sobrevivente dos tempos em que ninguém matava outra pessoa por causa de um olhar enviesado pra bunda da namorada - se é que houve isso (a moça disse na polícia que não ouviu ninguém mexer com ela). Matar por um "dá cá aquela palha", como se lê nos romances antigos... A vida humana virou desenho animado, um filme-catástrofe sem consequências - posso matar o cara, porque no filme que vem ele faz o mocinho.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A ironia cruel é que o assassino só foi preso porque uma das balas disparadas por ele e seu irmão atingiram seu pé. Ao sair mancando do boteco, conforme se vê no filme da câmara de segurança, ele deu a pista pra polícia. É bem capaz da defesa alegar que o destempero emocional era tamanho que o atirador errou até o alvo - embora uma vítima esteja morta e a outra, sem um rim, ainda hospitalizada. Não há justificativa para tamanha violência e só mesmo o choque entre mundos tão opostos como o dos estudantes e o dos atiradores lança alguma luz estrobo sobre o fato.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Sou vizinho do boteco onde ocorreu o crime. Não há 50 metros entre o portão do meu prédio e o bar. Naquela noite mesmo, eu voltava para casa e encontrei uma amiga tomando cerveja exatamente na mesa que aparece no tal video. Fiquei ali uns 5 minutos, de pé, trocando notícias. Devo até ter visto a mesa dos estudantes, porque tenho mania de lançar aquele olhar periscópico pros lugares. Se vi, não registrei. Fui pra casa e, uma hora depois, um dos meninos estaria morto.&lt;br /&gt;Naquele instante em que eu estava ouvindo as histórias da Cidinha, o futuro atirador e sua namorada deviam estar ali também. Não houve briga, não houve bate-boca. Em vez de resolver a coisa à moda antiga, de chamar o don juan lá fora, o rapaz magrinho preferiu levar a namorada em casa e convocar o irmão, edificante figura que chegou com uma pistola do Exército e um revólver. Montaram numa moto e rumaram para o campo de batalha, certos do anonimato, protegidos por dois capacetes de motociclista que faziam deles uma cópia da biônica formiga atômica. Duas formigas atômicas no papel de Exterminadores do Futuro.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Teriam mesmo entrado pra história do crime sem solução, caso um deles não tivesse atirado no próprio pé. Levar para um hospital da zona leste, pra disfarçar, não adiantou. O ferimento a bala chamou a atenção da polícia, que encontrou armas suficientes pra justificar uma prisão preventiva. Sem querer, solucionava-se um crime. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;O trágico disso tudo (além da morte) é que certos crimes mandam telegrama. O irmão fornecedor de armas já havia sido preso antes. Em outro caso tristemente recente e famoso, o suspeito de estuprar e matar uma vizinha também havia sido preso e era considerado uma figura perigosa. Estava solto. Hoje, a Justiça condenou o assassino do rapaz na Livraria Cultura a um ano de internação psiquiátrica, um ano - mesmo com avaliações nada otimistas de seu estado mental e sua periculosidade. A juíza que assinou a sentença certamente não frequenta, nem tem parentes ou amigos que frequentam, ambientes perigosos como uma livraria na Avenida Paulista.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7398137140753176998-2212732842636008774?l=olharesloiros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/2212732842636008774/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2011/03/o-crime-ao-lado.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/2212732842636008774'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/2212732842636008774'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2011/03/o-crime-ao-lado.html' title='O crime ao lado'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-Ehl9NGQW388/TW5UAU6-AVI/AAAAAAAAAUk/_KOnblLCMHI/s72-c/images-1.jpeg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-2375441424194688634</id><published>2011-02-24T23:18:00.003-03:00</published><updated>2011-02-24T23:35:07.585-03:00</updated><title type='text'>Cara de Mané</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-xxmV77-YCvQ/TWcUkzKd6tI/AAAAAAAAAUU/zBguQbsdCJQ/s1600/1%2B-%2BDSC_0221b.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 268px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-xxmV77-YCvQ/TWcUkzKd6tI/AAAAAAAAAUU/zBguQbsdCJQ/s400/1%2B-%2BDSC_0221b.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5577449285963606738" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Devo ter cara de otário. Só pode. Já perdi a conta das vezes que estou andando na Paulista lotada, em pleno horário comercial, e o cara que vive eternamente com uma receita na mão dizendo que precisa comprar remédio vem até mim. Ele mira e vem. A velhinha que precisa de 1 real pra completar a passagem é outra, que mira e vem. Eles podiam, pelo menos, ter boa memória fotográfica e não atacar sempre a mesma vítima. Mas, nessa hora eu surpreendo. Tal qual um Giannechini fazendo papel de vilão (ok, menos bonito, mas nem tão canastra), olho friamente pra pessoa e digo: não. E sigo, impávido, rezando comigo mesmo pra pessoa não ser realmente uma necessitada. Vai saber...&lt;div&gt;Hoje pela manhã, a caminho da fisioterapia, numa rua relativamente calma dos Jardins, um carro parou ao meu lado e um sujeito bem vestido pediu ajuda. Aproximei-me e ele perguntou se eu falava inglês. Yes. Italian? No. Español? No, English is ok. E ele desandou a falar como as pessoas nos Jardins não falam inglês e não sei mais o quê. Na mão, um passaporte e uma passagem aérea daquelas antigas, sabe como? com capinha de papel e tudo. E sobre o banco, uma papelada da Armani e de outra grife internacional, Ferré, não lembro. Na hora me deu o estalo: é um daqueles picaretas que tentam te empurrar casacos de couro, roupas importadas, tudo de marca estrangeira, porque ele precisa viajar ainda hoje e te faz por um preço camarada, etc etc. Cortei, disse que tinha hora marcada - e era verdade - e o cara engatou a primeira e saiu. Me arrependi de não ter anotado a placa do carro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O episódio me fez ficar pensando na minha cara de Mané. Ou de ambicioso. Porque todo golpista, quando mira um pato, está enxergando nele um ambicioso em potencial, um outro golpista ainda adormecido. O conto do vigário só tem resultado porque as duas partes querem dar o golpe uma na outra. O sujeito que "pede" ajuda está exibindo ao outro a chance de, investindo 10, ganhar 30. E o "bom samaritano" se dispõe a ajudar, porque se acha mais esperto... É tudo um grande conluio.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Nunca caí num golpe desses. Assim como existe a falsa magra, eu devo ser o falso pato. Mas sempre escuto histórias de quem entrou pelo cano. Narrada pela vítima, a história sempre tenta despertar a piedade - nós temos pena de quem perdeu grana. Mas quando você vai um pouco mais fundo, descobre a verdade e a piedade vira sarro. Não dá pra levar a sério.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E essa é a grande utilidade de um conto do vigário. Revelar a você mesmo que existe mais um tratante neste mundo de pilantras. Nem é preciso procurar longe, basta olhar o espelho.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7398137140753176998-2375441424194688634?l=olharesloiros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/2375441424194688634/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2011/02/cara-de-mane.html#comment-form' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/2375441424194688634'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/2375441424194688634'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2011/02/cara-de-mane.html' title='Cara de Mané'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-xxmV77-YCvQ/TWcUkzKd6tI/AAAAAAAAAUU/zBguQbsdCJQ/s72-c/1%2B-%2BDSC_0221b.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-7330536589527699630</id><published>2011-02-17T19:08:00.003-02:00</published><updated>2011-02-17T19:48:18.280-02:00</updated><title type='text'>Cuidado: cidade frágil</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-jgwsZ_DvbbE/TV2W0u9wDNI/AAAAAAAAAUM/ovKTBt78Hww/s1600/images.jpeg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 267px; height: 189px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-jgwsZ_DvbbE/TV2W0u9wDNI/AAAAAAAAAUM/ovKTBt78Hww/s400/images.jpeg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5574777746458938578" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Devo estar muito antigo. Sou de uma época em que todos nós acreditávamos que esta era uma cidade forte, inabalável. Nada. É uma cidade frágil e só mesmo a memória ajuda a esclarecer. &lt;div&gt;Lembro do tempo em que as tempestades de verão inundavam meu bairro, a rua (de terra) transformava-se num rio e os meninos comportados tinham de ficar à janela vendo os moleques danados "nadarem" nas águas amarronzadas. Passada a chuva, as águas baixavam, ficava uma lama descomunal em todo canto - muitas vezes, no quintal ou dentro de casa, quando "dava enchente". Mas, repito, as águas baixavam. Íamos estudar ou fazer o que fosse preciso e encontrávamos a cidade no mesmo lugar em que estava antes do toró.&lt;div&gt;Já adulto, enfrentei várias enchentes - às vezes, na Folha, sobrevoando a cidade inundada a bordo de um helicóptero; outras, durante a longa temporada no Estadão, aprendendo a 'ler' as nuvens e avaliar onde haveria transbordamento. Só uma vez, dia de caos absoluto, ninguém conseguiu chegar nem sair da redação. Quem tinha entrado de manhã dobrou o horário e fez o serviço da turma da tarde. Uma vez.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O tempo passou e, pelo visto, a única tecnologia que não avançou um centímetro foi a que administra a cidade pós-chuva. Pelo contrário, recuou e muito. Agora, cada vez que chove, temos de pensar em várias coisas: onde há risco de encher mais rápido é a primeira. Além de adivinhar buracos e trechos intransitáveis, temos de ficar atentos cada mexidinha de árvore, porque o perigo da enchente vem do alto, quando um carvalho ou jequitibá ou sei lá que mastodonte arvóreo despencará em cima do seu carro, muitas vezes mirando o seu crânio. E aí, end of story.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Sobrevivendo à leptospirose e ao traumatismo craniano, resta ao paulistano a tarefa de encontrar uma paciência de jó e encarar as dezenas de semáforos queimados a cada chuva. Alguém consegue me explicar por que isso agora virou moda? Até cinco anos atrás, chovia, inundava, às vezes acabava a luz, os pobres perdiam tudo e os ricos tinham de trocar o estofamento do carro - mas ninguém enfrentava uma fileira de semáforos apagados ou em pane.  O que acontece? Os relógios e termômetros quebrados, vergonhoso, são fruto de alguma licitação que não rendeu o suficiente para quem de direito. Isso é uma explicaçao. Mas, até o momento, não vi nenhuma reportagem que explicasse o sumiço dos faróis de trânsito. Será algum descaso de administração pública? Ou teremos de esperar que venha um governo estadual ou municipal de partido não-plumário para que a imprensa se indigne e denuncie como deve?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Sei que numa cidade em que bairros inteiros sucumbem à força das águas, à violência urbana cada vez mais irrefreável e a um sistema educacional que só não é humor negro porque é trágico e real, numa cidade dessas até parece frescura reclamar de um sinal de trânsito. Não é. Prejudica a madame de carro, o boyzinho e o trabalhador, apertado num transporte público imoral. Não dá para fingir que isso é da natureza. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7398137140753176998-7330536589527699630?l=olharesloiros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/7330536589527699630/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2011/02/cuidado-cidade-fragil.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/7330536589527699630'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/7330536589527699630'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2011/02/cuidado-cidade-fragil.html' title='Cuidado: cidade frágil'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-jgwsZ_DvbbE/TV2W0u9wDNI/AAAAAAAAAUM/ovKTBt78Hww/s72-c/images.jpeg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-1223711715150769057</id><published>2011-02-07T16:18:00.004-02:00</published><updated>2011-02-07T16:55:55.889-02:00</updated><title type='text'>Famílias do Obama</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TVA-NeTgzcI/AAAAAAAAAUE/8-y-AFfuV5w/s1600/Unknown.jpeg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 276px; height: 183px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TVA-NeTgzcI/AAAAAAAAAUE/8-y-AFfuV5w/s400/Unknown.jpeg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5571021140251430338" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Pouco tempo depois da queda do World Trade Center, já no ano de 2002, apareceram na TV americana seriados que davam explicação pra tudo. &lt;b&gt;Bones&lt;/b&gt;, por exemplo, reconstituía crimes a partir de ossos. &lt;b&gt;Cold Case&lt;/b&gt; curava velhas feridas, reabrindo casos antigos e solucionando assassinatos graças à memória espantosa das testemunhas. &lt;b&gt;Without a Trace&lt;/b&gt; reencontrava desaparecidos. E, o melhor de todos, &lt;b&gt;Monk&lt;/b&gt; era protagonizado por um portador de transtorno compulsivo que colocava ordem no caos de São Francisco. Mesmo quando não eram histórias policiais, o efeito Torres Gêmeas aparecia: em &lt;b&gt;Brothers &amp;amp; Sisters&lt;/b&gt;, a família Walker resistia a todos os abalos possíveis. Era uma maneira de a ficção dizer ao público que havia, sim, e sempre, a esperança do mundo voltar ao seu eixo. Era só manter a cabeça fria e a irmandade, unida.&lt;div&gt;Na atual safra de cinema americano - com o país administrado por Barak Obama e submetido a uma série de decepções econômicas e políticas -, a realidade novamente dá as caras. E, como sempre, a família ocupa um posto importante nos filmes. A família unida, mãos dadas contra todas as ameaças externas, é sempre um grande apoio pra quem vive de ficção. Não há tema mais universal do que as complexas relações entre pais e filhos, irmãos, primos, etc. É tiro e queda.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Em pelo menos três dos filmes candidatos ao Oscar, a Família surge de forma impositiva. Em &lt;b&gt;Inverno da Alma&lt;/b&gt;, a protagonista precisa reencontrar o pai para salvar a casa em que vive com os irmãos menores e a mãe doente. É uma jornada clássica do herói, desta vez em versão mulher. Tudo é feminino, no filme - dirigido por uma mulher: as personagens mais fortes e que decidem as coisas, pro bem e pro mal, são mulheres. Elas espancam, elas ameaçam, elas fazem a segurança, elas cortam cadáveres. O homem acompanha, meio de longe, mas sempre presente. É um filme que avança nas velhas discussões do feminismo e coloca machos e fêmeas em situação de igualdade. Os homens do filme podem não decidir, mas não são frouxos como numa novela do Manoel Carlos. Tempos de Obama: é preciso unir forças, esquecer as diferenças (ou, pelo menos, não torná-las impeditivos) e sobreviver no mais áspero inverno.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Em &lt;b&gt;Cisne Negro&lt;/b&gt;, uma mãe possessiva infantiliza o quanto pode a filha talentosa, até torná-la perfeita para o balé mas incapaz para a vida e suas contradições. Talvez não seja à toa que o único personagem masculino forte - que poderia ser visto como um paizão da bailarina - seja também o elemento sedutor. Aqui a família é uma ameaça, que não se restringe ao lar. Quem se dedica com afinco ao emprego, faz dele sua razão de viver e tal, transforma o ambiente de trabalho em sua casa: espalha as coisas diante do espelho, como se a mesa do escritório fosse a penteadeira do quarto. É o lar, a caverna onde se busca refúgio e sobrevivência (financeira).&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O melhor retrato de um tipo de família, na temporada atual de filmes, está mesmo em &lt;b&gt;O Vencedor&lt;/b&gt;. Ao redor do lutador Micky (Mark Wahlberg) giram figuras famintas como carcarás do sertão - o irmão viciado em crack (o estupendo Christian Bale), a mãe leonina e protetora do mais fraco (a também avassaladora Melissa Leo), várias irmãs feias e inúteis e um pai que tenta, mas não fura o bloqueio matriarcal. São figuras que desmentem o chavão da família unida e tornam boa parte do filme a incômoda imagem de um clã auto-devorador. Não há como justificar a ânsia esfomeada de mãe, irmãs e irmão; eles são desse jeito, aprenderam a sobreviver desse modo e a única maneira de escapar de sua energia sugante é cortar o laço de vez. Não é todo mundo que consegue. Pior ainda: o cinema americano acredita que um personagem ideal jamais tomaria atitude tão radical. Uma pena.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mesmo assim, são retratos que ficam gravados na memória de quem vai ao cinema e tenta entender o mundo ao redor. Uma sociedade que precisa urgentemente sinalizar a importância da união familiar é a mesma que produz figuras capazes de invadir escolas armadas e matar meio mundo. Quando coloca a mãe da bailarina na arrepiante sequência final de &lt;b&gt;Cisne Negro&lt;/b&gt; ou quando promove uma forçada paz entre os povos nos personagens que cercam o mocinho de &lt;b&gt;O Vencedor,&lt;/b&gt; o cinema da era Obama está querendo nos convencer que, mesmo tendo caráter duvidoso, nossos familiares merecem crédito. Pode ser muito bonitinho como lição de moral, mas é péssimo como dramaturgia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7398137140753176998-1223711715150769057?l=olharesloiros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/1223711715150769057/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2011/02/familias-do-obama.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/1223711715150769057'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/1223711715150769057'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2011/02/familias-do-obama.html' title='Famílias do Obama'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TVA-NeTgzcI/AAAAAAAAAUE/8-y-AFfuV5w/s72-c/Unknown.jpeg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-4782876253910139503</id><published>2011-01-24T15:31:00.003-02:00</published><updated>2011-01-24T16:06:30.756-02:00</updated><title type='text'>Mortos sem Sepultura</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TT27oG8naSI/AAAAAAAAAT4/a8qrc304fNg/s1600/1284839958_tioboonmee4.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 266px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TT27oG8naSI/AAAAAAAAAT4/a8qrc304fNg/s400/1284839958_tioboonmee4.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5565811012233816354" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Pego emprestado o título de uma antiga peça de Jean-Paul Sartre (tudo do Sartre é antigo, eu sei, ele anda meio fora de moda) para falar do que tenho visto ultimamente nos cinemas. No futuro, quem se debruçar sobre este período do cinema vai achar que tínhamos todos virado místicos, paranormais ou alguma coisa do gênero. Certamente a culpa não é dos espíritas e do sucesso espantoso de "Chico Xavier" - ao que consta nem Clint Eastwood nem aquele diretor tailandês, cujo nome é o encontro mundial das consoantes sem vogal, tiveram o privilégio de ver os bons desempenhos de Nelson Xavier, Antonio Angelo, Cássia Kiss e Cristiane Torloni. Mas tanto o americano quanto o thai apelaram pro além em seus filmes mais recentes.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não vou aqui discutir os filmes - quem me conhece sabe que não saí nada comovido de "Além da Vida" - mas dividir com os seguidores do blog essa perplexidade: que deu na gente de, cada vez mais, recorrer aos falecidos pra explicar o que acontece? Só esta semana em São Paulo, são uns 3 ou 4 filmes de gente procurando contato com quem se foi, como se o conselho dos mortos servisse para dar alguma luz. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Em geral, o contato dos personagens vivos com os que abotoaram o paletó de madeira tem fundo emocional capaz de fazer uma pedra chorar. Eu choro, não nego, mesmo quando não gosto do filme. É aquele choro que, quando passa, dá raiva. Por que aquele personagem - o vivo - não segue sua vida, diabos? Por que não toca o barco? Uma das coisas mais definitivas até o momento é que não há retorno quando se ultrapassa a última fronteira (gostaram?). Quem fica sabe que o jogo agora tem novas regras e um jogador desfalca o time.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Incomoda-me essa dependência dos que partiram. Essa consciência culpada - "eu nunca disse a ele/a que o adorava/admirava/amava etc etc" - é o que faz a fortuna dos confessionários e consultórios de terapia. Ok, recorramos aos padres e terapeutas, se isso ajudar - pelo menos são seres vivos nos ouvindo e questionando. Há igualdade de condições. Mas com um morto... Convenhamos, a gente recorre a eles porque acredita que eles têm informações privilegiadas sobre o futuro, as quais eles não hesitariam em dividir conosco, seus entes queridos que sobraram neste vale de lágrimas. Haveria, portanto, um interesse aparentado do mesquinho nessa lacrimosa conversa com o além.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não é por acaso que o filme com menos pegada culpa-no-cartório é o tailandês "Tio Boonmee, que Pode Recordar suas Vidas Passadas" - o da foto que ilustra o post. Talvez por conta da formação budista de toda a equipe. No filme, que ganhou a Palma de Ouro em Cannes, o Tio do título está à beira da morte e recebe a visita de uma cunhada, um sobrinho - vivos - e alguns mortos. A convivência entre eles é bastante razoável e há momentos de extrema poesia: a mulher morta há 19 anos permaneceu igual e os vivos envelheceram, o que os faz refletir sobre a passagem do tempo. Há consultas sobre o que espera os que morrem e uma frase demolidora: "O ceu é superestimado pelos vivos".&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Nossos mortos não envelhecem, não mudam de opinião, não mais nos surpreendem. Nossos ídolos, que morreram jovens, não têm direito a trocar de grupo, partir pra outro estilo, nada. Daria até pra dizer que nossos falecidos são conservadores. Portanto, pedir conselho a eles é meio que recorrer ao tiozinho do sermão. Como se qualquer pessoa se tornasse um guru sensato, ao passar pro andar de cima (acho engraçada essa imagem de morte, que o ator-diretor Otavio Martins volta e meia deixa escapar).&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Cada um acredita no que quer e pronto. Eu mesmo já circulei em centro espírita, consultei erê e cigana, fiz o jogo do copinho e assisti a medium incorporando artista plástico. Não acho que nada seja impossível, mas não é por isso que vou correr a cada parabólica mediúnica sempre que estiver com dor de corno, quiser me arriscar num trabalho novo ou fazer uma viagem. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A vida é território dos vivos, mas temos de reconhecer: do jeito que a coisa anda, vamos aposentar de vez o chavão "Morreu, descansou". Nunca, como agora, os mortos tiveram tanto pra fazer.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7398137140753176998-4782876253910139503?l=olharesloiros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/4782876253910139503/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2011/01/mortos-sem-sepultura.html#comment-form' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/4782876253910139503'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/4782876253910139503'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2011/01/mortos-sem-sepultura.html' title='Mortos sem Sepultura'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TT27oG8naSI/AAAAAAAAAT4/a8qrc304fNg/s72-c/1284839958_tioboonmee4.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-6585361788485057078</id><published>2011-01-20T11:42:00.003-02:00</published><updated>2011-01-20T12:05:07.272-02:00</updated><title type='text'>Elegância anônima</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TTg9MB0IOpI/AAAAAAAAATw/20l-BGRaNq0/s1600/mascara_fantasma_opera_paete_preta.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TTg9MB0IOpI/AAAAAAAAATw/20l-BGRaNq0/s400/mascara_fantasma_opera_paete_preta.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5564264616471050898" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Por alguns breves segundos, aquele pedacinho obscuro da Rua da Consolação transformou-se na passarela do samba. O velho negro, com mais de 65 anos aparentes, caminhava pela calçada exibindo o porte orgulhoso de anônimo Jamelão, vestindo um antigo terno azul-marinho e levando na cabeça um inesperado chapéu de paetê dourado. Como se fosse um componente da velha guarda de qualquer escola de samba, ele expunha sua elegante desarmonia  certo de que ela fazia todo o sentido ali, naquele instante.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O que eu vinha pensando em escrever, talvez sobre o show da Amy Winehouse ou mais algum descalabro da gestão de Gilberto, o Alcaide, virou fumaça diante do chapéu de paetê dourado. O sol ainda disputava espaço com nuvens de chuva, mas o brilho do paetê iluminou de maneira fugaz aqueles poucos metros de calçada. O velho negro de chapéu de ouro abriu meus olhos para o recado das ruas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Acostumados a ver jogadores de futebol erguerem a camisa do time para comemorar um gol - e sob ela, alguma mensagem do tipo edificante - nem percebemos que isso já vinha sendo feito nas ruas há muitos anos e sem gol nenhum pra festejar. O migrante esquálido e quase iletrado passa com a camiseta da Universidade da Califórnia. A gordinha sacode o meio ambiente a bordo de uma miniblusa que ficaria apertada até pra Shakira. Frases em inglês, francês ou até idiomas nada cristãos colorem nossas cidades  e enviam mensagens muitas vezes contraditórias. Lembro do atendente do Serviço Funerário que foi trabalhar usando uma camiseta onde estava escrito "Be happy". &lt;/div&gt;&lt;div&gt;No exterior, é comum ver meninos pobres usando a colorida camiseta da Seleção Brasileira, em especial a número 9, do Ronaldo. Para eles, é uma conquista e um orgulho sair disfarçado de canário e eu sempre me pergunto como aquela roupa chegou àquele corpo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;É bem verdade que muitas vezes as pessoas se vestem com o que têm à mão - ou com o que ganham de alguma entidade beneficente. Mas é verdade também que, por mais pobre que seja, a pessoa faz daquela roupa doada o seu Dior, o seu Versace ou Armani. Arrumam-se de maneira cuidadosa para ir ao banco, à igreja ou ao médico. Capricham e injetam harmonia numa rotina de tom pastel.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;É essa a mensagem que mandam aos destinatários desconhecidos - a de que é possível, sim, encontrar um pouco de brilho depois de tanto temporal. A prova é o chapéu de paetê dourado daquele preto velho do centro de São Paulo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7398137140753176998-6585361788485057078?l=olharesloiros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/6585361788485057078/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2011/01/elegancia-anonima.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/6585361788485057078'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/6585361788485057078'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2011/01/elegancia-anonima.html' title='Elegância anônima'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TTg9MB0IOpI/AAAAAAAAATw/20l-BGRaNq0/s72-c/mascara_fantasma_opera_paete_preta.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-1486860631578709153</id><published>2011-01-11T10:39:00.005-02:00</published><updated>2011-01-11T12:42:27.906-02:00</updated><title type='text'>Então é Natal...</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TSxlVQUpQkI/AAAAAAAAATo/qXuKwHzEnpw/s1600/IMG_0064.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 299px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TSxlVQUpQkI/AAAAAAAAATo/qXuKwHzEnpw/s400/IMG_0064.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5560931055728935490" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Pode parecer uma incongruência falar de outra cidade num dia em que São Paulo amanhece submersa num mar de lama, desta vez também real. Eu deveria estar voltando meu olhar aloirado para a - digamos - administração que Gilberto, o Alcaide, tem imposto a esta cidade. Aliás, impor é um verbo bastante adequado para a (novamente, digamos) administração do presente alcaide. Nunca se lê nada que ele faça que não esteja vinculado a qualquer aumento ou criação de algum imposto. O retorno - como provam os vários mortos dessa madrugada, a situação calamitosa do transporte público, a falência de qualquer semáforo quando chove, etc - não corresponde à tara por taxas. Mas Gilberto, o Alcaide, fica para outra hora. &lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Desta vez vou falar de Natal, onde passei agradáveis dias no fim do ano. Natal, a ensolarada capital do Rio Grande do Norte, tem como - digamos - administradora uma certa Micarla, cuja popularidade só faz cair entre todas as classes sociais. Como tenho vários amigos ligados ao PT e aos partidos de esquerda, minha tendência natural seria achar que eles estavam pegando no pé da pobrezinha. Estão, mas motivos não faltam. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Durante as caminhadas para acessar a Praia de Ponta Negra, prestando a maior atenção no calçamento para não enfiar o pé em inesperados e imensos buracos, pensei no desconforto que é viver numa cidade turística que não dá a menor pelota pro bem estar do visitante. Se não há sequer interesse em bajular quem traz divisas pros cofres municipais, o que esperar do tratamento dispensado aos nativos? Policiamento nas praias, por exemplo, é outra ilusão de ótica. Em uma semana, a única viatura que vi em Ponta Negra foi dos bombeiros, que estava passeando pela areia, sem pensar que carros em movimento não combinam com turista deitado ou criança brincando na areia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Nesse ponto, Natal - que é, repito, uma cidade agradável, bonita, gostosa de passar uns dias - retrata o Brasil: para nós, que deveríamos saber viver da chamada indústria do turismo, o que menos interessa é tratar bem o turista. Quando o sujeito é colocado num hotel da Via Costeira, uma avenida bem desenhada, localizada ao longo do litoral, ele pode até pensar que tirou a sorte grande. Afinal, um visual daqueles, com o Morro do Careca reinando absoluto à direita, não se tem a todo instante. Pena que, para se locomover entre as atrações, apresentam-se ao turista (e, por tabela, aos nativos) duas alternativas: o ônibus, uma só linha, com intervalos médios de 30 minutos e uma lotação de matar o metrô paulistano de inveja... Ou o táxi, cuja bandeirada começa alta e assim prossegue até o fim da corrida. A impressão é que o gasto mínimo de táxi em Natal gira pelos 30 reais. É caro, pra distância percorrida.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A ideia que sustenta esse serviço caro é simples, básica, quase comovente: o turista deve ser depenado, escalpelado, depilado, despido de todo o dinheiro que trouxe para a nossa cidade. Como contrapartida social, oferecemos a praia, a areia, um serviço de barracas irregulares e sem o mínimo de higiene - banheiros, pra quê? Cobraremos o aluguel das cadeiras de plástico (R$ 10 ou 15 reais, caso você queira mesinha e guarda-sol) e, se o fornecedor acordar cedo, teremos coco gelado. Se não, não. Policiamento, bobagem. Mas caso o amigo esteja interessado dispomos de meninos e meninas prontos para o que der e vier.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Volto a insistir, Natal é uma delícia de lugar e passar algumas horas refestelado em Ponta Negra faz a gente esquecer da vida. Curtir o cardápio temático do Bar do Rei Roberto Carlos ou comer as tapiocas da Casa de Taipa, a carne de sol do Farofa d'Água e do Farol e os inesquecíveis crustáceos do Camarões Potiguar são atividades que valem a viagem. Mas entre uma refeição e outra, o turista se sente o próprio pato. É assim em várias cidades brasileiras e, pior ainda, é assim com quem vive e labuta em sua cidade. Eu acredito firmemente nisso: o modo com que tratamos o visitante reflete a maneira com que cuidamos de nossos moradores. A diferença é que visita vai embora e, no máximo, vai choramingar as pitangas em algum blog. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7398137140753176998-1486860631578709153?l=olharesloiros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/1486860631578709153/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2011/01/entao-e-natal.html#comment-form' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/1486860631578709153'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/1486860631578709153'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2011/01/entao-e-natal.html' title='Então é Natal...'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TSxlVQUpQkI/AAAAAAAAATo/qXuKwHzEnpw/s72-c/IMG_0064.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-1536017165231402237</id><published>2011-01-01T12:12:00.004-02:00</published><updated>2011-01-01T13:01:15.812-02:00</updated><title type='text'>Feliz, ano ou novo?</title><content type='html'>Há um toque de extrema singeleza nos dias que cercam a passagem de 31 de dezembro para 1º de janeiro: as pessoas parecem momentaneamente sinceras ao desejar feliz ano novo ao interlocutor. Nem pelas costas, alguém vira a cara e sussurra "espero que você perca o emprego, fique doente e que sua família te abandone numa estrada deserta, à noite, debaixo da chuva". Feliz ano novo é o chavão que nos redime e nos mergulha na cordialidade universal. Nem que seja nos poucos segundos que dura a frase em nossa boca.&lt;br /&gt;Parece que a origem desse otimismo está na velha Europa, a mesma que espalhou seus genes colonizadores por todo o mundo. No hemisfério norte, a mudança de ano acontece com o inverno atingindo seu ápice (pelo menos, antes das mudanças climáticas todas). Era neve por todo canto, árvores ressecadas, terra morta. Quando desejavam feliz ano novo, os homens daquela época (ou seja, os antigos), estavam sintetizando augúrios do tipo "que sua plantação de cenouras renda bastante, que seu gado procrie, que os pés de couve se multipliquem infinitamente e que você faça um bom pé de meia pro próximo inverno". Porque todos sabiam que, depois do frio rigoroso, viria a primavera esfuziante e, por isso mesmo, antecedida pelo carnaval, que era a morte do triste e a possibilidade de reconstruir o mundo de outra maneira. Durava só 3 dias, ok, mas que era bacana, era.&lt;br /&gt;Desse passado agrário, herdamos a vontade de que o ano que vem seja melhor. Que a nossa próxima "colheita" - seja na vida, no amor, no trabalho ou no conjunto da obra - nos possibilite a sensação fugaz de felicidade. E carregamos a data de simpatias e superstições: roupa nova, calcinha usada, cueca amarela, doze sementes de romã... Minha mãe recomendava bons pensamentos: "O ano vai ser do jeito que você fizer hoje". Tinha lá sua poesia.&lt;br /&gt;Mas há que se conscientizar que nenhuma colheita se dá sem que a terra seja arada antes. Entre o primeiro verde e o primeiro floco de neve, havia que se cuidar muito da roça, semear, regar, podar, zelar. A gente, que hoje deseja tanto um ano novo melhor e tudo, precisa partir pro roçado assim que o ano começa e semear o que pode vir a ser o ano que vem. Estamos cada vez mais imediatistas e a velocidade da conexão banda larga é que marca o nosso ritmo. Que seja. Mas que não deixemos de lado a semeadura. Cuidar do amor, do amigo, da vida em si. Sem isso, não há champanhe atrás da orelha que dê jeito.&lt;br /&gt;Aproveitemos o ritmo lento desse primeiro de janeiro, felizmente sem deslizamentos de terra nem barcos naufragados. Tem posse em Brasília, tem posse em vários Estados - e gostemos ou não de quem assume o poder, não vale torcer contra. Vale ser crítico, sim, sempre. Mas não quero falar de política, essa paixão passageira que nos toma periodicamente.&lt;br /&gt;Quero só pensar que tenho 364 dias pela frente, tempo insuficiente pra tornar real tanto desejo de feliz ano novo. Mas farei o possível. Feliz ano novo pra cada um.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7398137140753176998-1536017165231402237?l=olharesloiros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/1536017165231402237/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2011/01/feliz-ano-ou-novo.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/1536017165231402237'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/1536017165231402237'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2011/01/feliz-ano-ou-novo.html' title='Feliz, ano ou novo?'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-256068761042091393</id><published>2010-12-22T21:13:00.001-02:00</published><updated>2010-12-22T21:14:26.097-02:00</updated><title type='text'>Jingoubéus</title><content type='html'>Não. Eu não esqueci do blog.&lt;div&gt;Falta de tempo, correria, outros afazeres.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Prometo retomar em breve,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Por enquanto, um muito feliz natal pra todo mundo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7398137140753176998-256068761042091393?l=olharesloiros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/256068761042091393/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/12/jingoubeus.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/256068761042091393'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/256068761042091393'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/12/jingoubeus.html' title='Jingoubéus'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-7341390211926738473</id><published>2010-12-06T18:57:00.004-02:00</published><updated>2010-12-06T19:19:29.583-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='costas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='dor'/><title type='text'>Dor nas costas</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TP1SsHXmBdI/AAAAAAAAATc/yk98prs7cjY/s1600/images.jpeg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 259px; height: 194px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TP1SsHXmBdI/AAAAAAAAATc/yk98prs7cjY/s400/images.jpeg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5547681233836049874" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Quando a cabeça doi, toma-se uma aspirina. Quando é o dente, procura-se o dentista. Mas, quando são as costas que doem, toda a esperança que você poderia ter num mundo melhor e ensolarado se esvai. A dor nas costas tira a gente do eixo e nos obriga, impiedosa, a considerar a passagem inexorável do tempo como uma maldição. Pode reparar: ouvido, cabeça, estômago, dente  e panturrilha, quando doem, é chato. Costas, quando doem, indicam envelhecimento galopante. &lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pior ainda, a dor nas costas nos força a achar um culpado. Se não é uma outra pessoa, é a sua própria consciência que pergunta: "Que movimento brusco você fez pra causar isso? " Costas nunca doem do nada. E mesmo sem querer, lá está você olhando o vazio e repisando todos os movimentos nos últimos quatro dias. O diacho é que sempre se acha um possível culpado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A dor nas costas deve ser o incômodo mais judaico-cristão que nosso corpo produz. Se bem que aqueles árabes espetados em camelos também devem sentir um abalo na coluna considerável e eles não são nada católicos. E aquele povo que cata tomates? Bons de alongamento eles são... mas ai, doi só de olhar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A sacanagem é se dedicar a exercícios, ginásticas, suadouros, tudo em nome da boa forma e de manter um corpo num estado minimamente apresentável à sociedade - e tudo isso ruir com um simples movimento. Às vezes, feito até na academia! Isso deveria dar procon. Pra ser justo, acho que se não fosse tanto exercício e hidroginástica, a crise seria pior. Desta vez, foi até fraca. Mas chata, porque lembra que esse corpinho tem muitos limites.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pra distrair a cabeça, fui ver "Você vai conhecer o homem dos seus sonhos", o mais recente Woody Allen, considerado fraquinho por muita gente. Eu mesmo não achei tudo isso - mas gostei bastante. Assisti na boa, gostei de muita coisa, especialmente dos finais abertos pras histórias. Gostei de ver Woody remexendo nos temas de sempre, o que me ajudou a pensar no meu próprio trabalho e no medo de me repetir. Ok, entre Woody Allen e Mário Viana tem uma distância abissal,  mas a Camila Possolo vai ajudar a reduzir isso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A arte serve para nos levar a outros mundos, a nos tirar desse mundinho de dores vulgares e também para nos estimular. Foi isso. Saí do cinema com menos dor e mais animado. Woody Allen é o analgésico ideal.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7398137140753176998-7341390211926738473?l=olharesloiros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/7341390211926738473/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/12/dor-nas-costas.html#comment-form' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/7341390211926738473'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/7341390211926738473'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/12/dor-nas-costas.html' title='Dor nas costas'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TP1SsHXmBdI/AAAAAAAAATc/yk98prs7cjY/s72-c/images.jpeg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-2532198103623411968</id><published>2010-11-16T10:39:00.004-02:00</published><updated>2010-11-16T12:33:44.726-02:00</updated><title type='text'>Entre tapas e beijos</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TOKSRdlJolI/AAAAAAAAATU/ow0iGJQ3MaY/s1600/corridamaluca2.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 163px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TOKSRdlJolI/AAAAAAAAATU/ow0iGJQ3MaY/s400/corridamaluca2.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5540151320315011666" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Nos últimos dias, o mundo gay e o noticiário policial voltaram a se encontrar. No primeiro caso, um rapaz de 18 anos foi preso ao beijar um garoto de 13 dentro de um cinema de shopping. No segundo, um grupo de meninos bem criados espancou quatro rapazes que encontraram ao longo de uma caminhada pela avenida Paulista. Em comum, todos os envolvidos - exceto o menino de 13 anos - passaram a noite em alguma cela do nosso educativo sistema presidiário. Todos foram libertados no dia seguinte, sob a alegação que não ofereciam perigo à sociedade em volta. E assim, a Justiça, cega e soberana, colocou no mesmo grau um beijo e um soco.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;No caso do beijo, o caçula da dupla disse ao delegado que não foi obrigado a nada, que marcou o encontro pela internet e que não teria contado ao outro sua verdadeira idade. Quis beijar, beijou e pronto. Ele é daqueles que nasceu já ouvindo a falação na TV, nas rádios e, quem sabe, em casa, sobre os direitios de todos se exprimirem, etc etc, e acreditou no que ouviu (nossa geração ainda mais fala que pratica). O rapaz de 18 anos, estudante de cursinho pra Engenharia, foi considerado pelo juiz tão jovem e inexperiente quanto o outro e, por isso, foi liberado. E como canta Chico Buarque, "aí, a notícia carece de exatidão": o que acontece aos dois jovens depois do vendaval? O beijo vira namoro ou amizade? Os pais vão deixar? Do alto de seus 13 topetudos anos, o menino vai assumir mesmo sua homosexualidade ou tudo virará mais uma loucura de verão, daquelas que os netos nem imaginam ter acontecido na vida do vovozinho gagá?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Já sobre os agressores da Avenida Paulista, muita coisa foi dita, especialmente nas redes sociais. Até onde eu li, ninguém veio a público defender os meninos - a não ser alguns dos pais e o advogado pago pra isso. Sair por aí espancando gente a torto e a direito é mesmo indefensável. E parece que os tapas doem ainda mais porque - salientavam os noticiários - eram cinco jovens de classe média, alunos de colégios particulares, com famílias estabelecidas e pai com carro na garagem. Fossem filhos de diaristas com faxineiros, tênis de marca falsa comprada na 25 de março e saídos de um baile funk, à espera do bumba, o espanto seria menor? &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A gangue da Paulista vinha de uma festa em Moema - bairro por excelência da classe média paulistana mais conservadora - e, horror dos horrores, alguns deles teriam sido paquerados por suas vítimas. Um piscar de olhos mais insinuante ou um convite mais provocativo - e acendeu-se o estopim. Isso, é claro, se o que os agressores contaram a verdade. Algumas testemunhas negam qualquer gesto por parte das vítimas... As testemunhas desmentem até mesmo a ocorrência de uma briga, onde uns batem nos outros respectivamente. Quando só um lado bate e o outro apanha, a Ação tem outro nome: massacre.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;No argumento da defesa, mostra-se que teria havido, sim, homofobia - mas estimulada pelos devassos paqueradores. Por si só, é um argumento abjeto. É como justificar o estupro porque a mulher usa minissaias provocantes. Para mim, o que houve foi algo mais que simples homofobia (e simples, aqui, não julga o mérito). Os meninos juntaram-se para agredir qualquer pessoa que considerassem fisicamente inferior a eles. Devem ter pego só "inimigos" magros e miúdos, duvido que tenham encarado um gay malhado de academia ou um negão que faz bico como segurança de balada. Com tipos assim, os cinco valentões da Paulista afinariam bonito. Mais fácil catar o casal gay que passeia de mãos dadas ou o "baianinho" que estava indo trabalhar. Uso aqui os termos mais politicamente incorretos e de propósito. Isso vai facilitar a leitura, caso alguém ligado aos trogloditazinhos caia por engano neste blog.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Os pitbulls com cérebro de pulga mostraram-se mais deslocados na Paulista do que qualquer pai de família que veste a melhor roupa na criançada e tira o domingo para  ver os enfeites de Natal na avenida dos ricos. A Paulista transformou-se num território de manifestações públicas variadas, da vitória do Corinthians à comemoração pela vitória da Dilma, da São Silvestre ao show do réveillon... E da Parada Gay. Antes confinada a um domingo de junho, a Parada Gay rasgou o calendário e seus participantes decidiram que a Paulista é deles quando quiserem. Casais de rapazes passeiam de mãos dadas e pares de meninas trocam beijos na porta da lanchonete. De uns tempos pra cá, os mais velhos seguiram o exemplo dos mais jovens e a idade média dos casais gays vem subindo. Aumentou a manifestação de um lado, seria de esperar uma reação do outro. Mas nem isso tem rolado, pelo menos quando não deixam escapar cinco ferinhas de Moema sem focinheira.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E mais. Usar como defesa o argumento de que os meninos têm nota boa na escola chega a comover de tão patético. Prova que essas mães ou não conhecem o filho que pariram ou conhecem e, no fundo, sabem que o que eles fizeram é mesmo indefensável. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7398137140753176998-2532198103623411968?l=olharesloiros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/2532198103623411968/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/11/entre-tapas-e-beijos.html#comment-form' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/2532198103623411968'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/2532198103623411968'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/11/entre-tapas-e-beijos.html' title='Entre tapas e beijos'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TOKSRdlJolI/AAAAAAAAATU/ow0iGJQ3MaY/s72-c/corridamaluca2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-6728391938635382053</id><published>2010-11-11T11:36:00.009-02:00</published><updated>2010-11-11T18:06:45.820-02:00</updated><title type='text'>A cor da China</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNv6PckSpLI/AAAAAAAAATM/Y9C0C--4FE4/s1600/images.jpeg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 264px; height: 191px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNv6PckSpLI/AAAAAAAAATM/Y9C0C--4FE4/s400/images.jpeg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5538295310055548082" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Para os chineses, a desgraça tem cor pastel. À medida que a história dos amantes condenados avançava em "Lanternas Vermelhas", o esfuziante colorido ia desaparecendo do cenário, dos figurinos e das maquiagens - sobrando apenas para a luz, deslumbrante e explosiva no seu final (&lt;i&gt;na foto ao lado&lt;/i&gt;). A tristeza é transparente, lá para os lados de Beijing. &lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A retina da memória é renitente e segura em suas dobras o que marcou mais. E assim saímos do espetáculo apresentado pelo Balé Nacional da China com os olhos repletos de cores vibrantes e a alma tocada pela triste sina dos amantes, a jovem concubina do senhor feudal e um ator da Ópera de Pequim.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;"Lanternas Vermelhas" nasceu como filme em 1991, dirigido pelo mesmo Zhang Yimou que criou o balé. Lanternas, o filme, conquistou o Festival de Veneza e chegou a ser indicado para o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro (perdeu para o suíço "A Viagem da Esperança", alguém lembra?). Lanternas, o balé, estreou em 2001 e não saiu mais de cena. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O que torna o espetáculo marcante não é apenas a história - amores perseguidos sempre conquistam nossa simpatia, já dizia o velho Shakespeare. Há um toque de mestre na maneira com que o cineasta Yimou (também diretor de óperas e de grandes eventos, como as cerimônias dos Jogos Olímpicos de Pequim) desenrola sua trama.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Criada nos anos 50 para ser um exemplo chinês para o mundo na categoria da dança, a companhia de balé nacional mostra que o investimento não foi em vão. Seus bailarinos flutuam, com técnica e graça, mas também com profunda expressividade. O que Zhang Yimou fez foi acrescentar à técnica perfeita alguns dos mais tradicionais elementos da cultura chinesa. E, aqui e ali, dar toques de influências ocidentais - o primeiro solo da jovem concubina, quando descobre que deverá esquecer o seu amor em nome de um casamento político tem movimentos que lembram as coreografias exóticas que Gene Kelly criou para "Cantando na Chuva" e "Sinfonia de Paris".&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Alguns dos melhores momentos de "Lanternas Vermelhas" estão justamente nessa união do oriente com o ocidente. A cena do jogo de mah jong, uma espécie de gamão ou dominó pequinês, é deslumbrante, com todos os dançarinos praticamente imóveis em torno das mesas. Outro momento deslumbrante: o defloramento da concubina, uma cena de extrema violência, acontece atrás de uma imensa parede de papel de arroz. O jogo de sombras, uma tradição popular chinesa, explode em dramaticidade. Arrepia.  &lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-size:medium;"&gt;Arrepiante também o final, com o vermelho invadindo o cenário de maneira inesperada, tão inesperada que o público chega a gemer nas poltronas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Mais que um belo espetáculo de dança, "Lanternas Vermelhas" me deixou com a pulga atrás da orelha. É possível à arte retratar a violência e a dor, sem exibir cenas escatológicas ao público. Óbvio, mas é exatamente aí que está o segredo. Nossos olhos ocidentais ("decadentes", diriam os maoístas, espécie em extinção na Nova China) habituaram-se ao explícito, ao mastigado. As pessoas parecem ter preguiça ou medo de decifrar o que não entenderam à primeira vista. Querem o sangue das tragédias e o esgar da dor. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Talvez por isso, elas nem se importem em consultar as horas no visor do celular, pouco importando se a luz vai incomodar as pessoas ao lado. Nem mesmo se apressam em desligar o celular que toca no meio da sessão - aconteceu ontem com uma senhora, na fileira à minha frente, e eu espero que ela não tenha ainda voltado do lugar distante para onde a mandei, mentalmente. Não se respeita o que não se entende...&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Saí daquele universo chinês cheio de dúvidas sobre o que estamos produzindo aqui, entre nós. E quando um espetáculo nos provoca isso, é sinal que valeu a pena ter enfrentado a noite fria no caminho do teatro. É para isso que existe a arte. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-size:15.9722px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7398137140753176998-6728391938635382053?l=olharesloiros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/6728391938635382053/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/11/cor-da-china.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/6728391938635382053'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/6728391938635382053'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/11/cor-da-china.html' title='A cor da China'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNv6PckSpLI/AAAAAAAAATM/Y9C0C--4FE4/s72-c/images.jpeg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-8297068834301357919</id><published>2010-11-04T10:26:00.005-02:00</published><updated>2010-11-04T11:14:31.968-02:00</updated><title type='text'>Procura-se vivo ou morto</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNKv6bt9x6I/AAAAAAAAASk/VSNguTydpn4/s1600/3568065342_f0120863bd.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 399px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNKv6bt9x6I/AAAAAAAAASk/VSNguTydpn4/s400/3568065342_f0120863bd.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5535680310399584162" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A julgar pela repercussão do twitter preconceituoso de uma estudante de Direito - acho que paulistana, não estou certo -, correm perigo de elminação física ou expurgo dos livros de História os seguintes nordestinos:&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Dorival Caymmi, Luiz Gonzaga, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Djavan, Gal Costa, Maria Bethânia, Simone, Castro Alves, Rachel de Queiroz, José de Alencar, Ednardo, Belchior, Elba Ramano, Zé Ramalho, Amelinha, Geraldo Azevedo, Sivuca, Hermeto Paschoal, Othon Bastos, Lázaro Ramos, Wagner Moura, Alceu Valença, José Condé, Clarice Lispector, Nelson Rodrigues, Capiba, Antonio Nóbrega, Dias Gomes, Glauber Rocha, Othon Bastos, Cacá Diegues, João Miguel, Fábio Lago, Zeca Baleiro, Rita Ribeiro, Aluisio Azevedo, Artur Azevedo, Gonçalves Dias, Ferreira Gullar, Franck Aguiar, Torquato Neto, Stefanny, Tom Zé, Joãosinho Trinta, Alcione, Souzândrade, Josué Montello, José Louzeiro, João do Vale, Renato Aragão, Chico Anísio, Tom Cavalcante, Roberta Sá, Fausto Nilo, Fagner, Virna, Oscar, Moacir Goes, Núbia Lafayette, Gilliard, Chacrinha, Câmara Cascudo, Catulo da Paixão Cearense, Alan Severiano, Fernanda Tavares, Aguinaldo Silva, Cátia de França, Chico César, Fuba, Lenine, Braulio Tavares, Batatinha, Riachão, D. Hélder, Dona Edith do Prato, Geraldo Vandré, Kaio Marcio, Renata Arruda, Flavio Tavares, Paulo Freire, Manuel Bandeira, Dominguinhos, Ronaldo Correia de Brito, Irandhir Santos, Karim Aïnouz --- e outros, centenas de outros, que deixo ao sabor e favor da memória dos meus leitores.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Se a tal "estudante de Direito" acha que pode formar uma nação sem a iluminada contribuição das pessoas acima, das esquecidas e dos anônimos que, diariamente, constroem a "cidade dos brancos", azar o dela. A &lt;b&gt;minha&lt;/b&gt; Pátria se fez e se faz com essas figuras - incluindo `seu`Dezinho e dona Maria Quitéria, meus pais.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7398137140753176998-8297068834301357919?l=olharesloiros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/8297068834301357919/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/11/procura-se-vivo-ou-morto.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/8297068834301357919'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/8297068834301357919'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/11/procura-se-vivo-ou-morto.html' title='Procura-se vivo ou morto'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNKv6bt9x6I/AAAAAAAAASk/VSNguTydpn4/s72-c/3568065342_f0120863bd.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-7961194887680352493</id><published>2010-10-28T17:57:00.004-02:00</published><updated>2010-10-28T18:18:18.048-02:00</updated><title type='text'>Votos válidos</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TMnaHgXlwgI/AAAAAAAAASc/epnHWLTzr8k/s1600/UrnaEletronica.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5533193439684182530" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 328px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TMnaHgXlwgI/AAAAAAAAASc/epnHWLTzr8k/s400/UrnaEletronica.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Deve ser por causa do facebook. Ou do twitter. Mas que tem influência das redes sociais nisso, tem. Há vários pleitos não se via um pessoal tão engajado na campanha eleitoral. Tiro isso por meus amigos - de todos os credos políticos. Estão todos empenhadíssimos na torcida por seus candidatos, a quem defendem com zelo de mãe italiana. Eu mesmo preciso me controlar pra não entrar em todas as discussões políticas, pra não correr o risco de perder um ou outro amigo - nem todo mundo leva na esportiva frases mais empolgadas como "por que você não enfia esse seu candidato no rabo?".&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Acho que minha última participação efervescente numa campanha foi em 89, quando Fernando Collor disputou e levou a taça ambicionada por Lula. Lembro que, no dia seguinte à eleição, já com a apuração dando a vitória de Collor, fui trabalhar todo vestido de preto, luto total , fossa absoluta, meu mundo caiu, etc etc. Com o tempo, a euforia foi cedendo lugar ao comodismo e, se tenho meu candidato, o amigo tem outro, e assim se leva a vida.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Mas confesso que fazia falta um frissonzinho. É muito triste quando as pessoas decidem o rumo que o país vai tomar nos próximos anos com o mesmo frêmito de quem opta por água com gás ou sem no restaurante self-service. Vejam, não estou dizendo que Dilma é melhor que Serra ou que Marina dá de dez nos dois. O que digo é: vale a pena ver os olhos brilhando tanto nos dilmistas quanto nos serristas - e até nos marinistas, quando eles param de olhar embevecidos pra plantação de alface.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Só não acho legal neguinho colocar tudo em risco - amores, amigos - por causa de um voto. Tudo na vida é possível de discussão sensata, sem precisar partir pras ignorâncias. Muitas vezes senti-me colocado à parte em algumas listas de candidatos com quem não me filio... e confesso que já bloqueei um ou outro mais radical, pelo menos por meia hora. Depois volto atrás e desbloqueio a figura. Mas decidi que só estico a conversa política com quem tem bom senso: fulana é lésbica, sicrano roubou a avó, quem não vota em beltrano é uma anta leprosa... Se houver sombra de argumento assim, eu pego meu chapéu e me retiro. Paro de ler as bobagens e dou finalidade mais útil ao meu tempo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Domingo vai rolar mais uma eleição. Festa da democracia, como diz a nada democrática Rede Globo. Pra mim, que acho muito legal votar e detesto viajar em feriadão, vai ser dia de festa mesmo. Depois, serão 1.460 dias torcendo pra termos um bom governo, pra rolar um festival de ética, pra finalmente a coisa ter o jeito que ainda não teve como devia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7398137140753176998-7961194887680352493?l=olharesloiros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/7961194887680352493/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/10/votos-validos.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/7961194887680352493'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/7961194887680352493'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/10/votos-validos.html' title='Votos válidos'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TMnaHgXlwgI/AAAAAAAAASc/epnHWLTzr8k/s72-c/UrnaEletronica.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-2614055824949915019</id><published>2010-10-13T17:05:00.003-03:00</published><updated>2010-10-13T17:43:52.209-03:00</updated><title type='text'>Dois irmãos de elite 2</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TLYV1P3i_vI/AAAAAAAAASU/Rh_icMBwj9U/s1600/dosher.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 225px; FLOAT: left; HEIGHT: 225px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5527629597180624626" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TLYV1P3i_vI/AAAAAAAAASU/Rh_icMBwj9U/s400/dosher.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reconheço que foram experiências bem distintas diante da tela: o filme argentino "Dois Irmãos", de Daniel Burmán, e "Tropa de Elite 2", do José Padilha (vi também "Eu matei minha mãe", de um garoto canadense bem talentoso, mas não entra nesta análise). Enquanto o dos argentinos toca uma espécie de opereta bufa e, ao mesmo tempo, carinhosa com seus personagens, o arrasa-quarteirão brasileiro é puro rock'n roll.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poderíamos retomar a ladainha que tenta explicar o sucesso dos filmes argentinos, usando um argumento que eu mesmo defendo: os filmes dos portenhos tratam de pequenos dramas cotidianos, retratam personagens comuns, de uma classe média esmagada entre o sonho inalcançado de uma vida mansa e as mordidas no calcanhar dadas pelos cães da pobreza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O diretor Ricardo P. Silva me alertou pra um dado: nós também temos nossos filmes sobre a classe média. O problema é que e eles raramente atingem um grande público, a não ser quando ancorados numa produção da Globo Filmes - caso de "Se eu fosse você" e outros dirigidos por Daniel Filho. Pode haver exceções, como os trabalhos de Laís Bodansky ("Chega de saudade", "As Melhores Coisas do Mundo"), mas geral os filmes brasileiros sobre a classe média só fazem sucesso mesmo na televisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso, acho eu, tem uma explicação histórica. Desde o Cinema Novo, sofremos no Brasil de um Complexo de Glauber Rocha. Todo cineasta brazuca quer ser genial, definitivo, épico. Pode reparar, primeiro filme de um cara tem uma avalanche de histórias. Em entrevista, Daniel Burmán disse que uma de suas influências é o francês François Truffaut, mestre do filme que se prendia em detalhes deliciosos e, de lá, construía um mundo. O cinema brasileiro parece ter optado pelo mega-evento e acostumou o público a isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brasileiro que gosta de histórias sobre a classe média recorre à televisão. Ela, sim, em seu caminhar histórico, desenvolveu uma excelente técnica narrativa voltada toda em torno da classe média. Nossas novelas desbancaram o receituário cubano de melodramas, aproximou o telespectador, soube retratá-lo com primor. É bem verdade que, de uns tempos pra cá, algum iluminado das altas cúpulas televisivas decidiu que o bom mesmo é fazer novela à mexicana, mas isso é outra história. Pensando nas qualidades de nossa teledramaturgia, abordamos assuntos contemporâneos - de homossexualismo a doação de órgãos -sem deixar o romance de lado. Avançamos tecnicamente também, criamos narrativas mais ousadas - os tempos misturados de "O Casarão", a novela inteira passada em uma só noite de "O Rebu", o realismo fantástico de "Saramandaia". Seja nas caretas ou nas ousadas, o personagem que conduz a trama é sempre saído da classe média.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cinema brasileiro é outra pegada. Cinema brasileiro que atrai públicp é o que trata de grandes eventos. Caso de "Tropa de Elite 2". José Padilha é um ótimo diretor, daqueles que procura bons parceiros para se apoiar. O roteiro desse filme tem o luxuoso nome de Braulio Mantovani e o elenco só traz feras dispostas a fazer o melhor possível. É um filme tenso, bem feito, firme e que consegue uma façanha rara: aprofunda ainda mais os personagens do primeiro filme. Em quase todas as sessões, os ingressos se esgotaram. Entusiasmado, o público aplaude no final, como se aprovasse a lavagem de roupa suja exibida na tela. "É um filme que mostra a realidade", foi o comentário de muita gente . Nesse ponto, o espectador do filme distancia-se do que vai ao teatro e opta por comédias. "Não vou pagar pra sofrer", dizem. No cinema, eles pagam, sofrem, vingam-se e aplaudem no final. Mas há outros filmes que retratam a realidade e que caíram no vazio. O que agrada em "Tropa" é o super-espetáculo.&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Os vários exemplos de filmes argentinos que chegam até nós mostram uma tendência oposta no país vizinho. Interessante, também, é notar que o cinema argentino toca em feridas que os brasileiros já deixaram de lado, como os efeitos da repressão política sobre a vida dos cidadãos. Mas até mesmo nisso, eles apostam na tendência da 'história mínima': em vez de grandes reconstituições históricas, mostram o que aconteceu com quem viveu a época dura da repressão. Tivemos nossos bons exemplos, também, mas a 'moda' no cinema nacional é mesmo retratar os pobres do sertão, muitas vezes de uma maneira admirada por eles serem tão éticos e bacanas. Ou então reunir meia dúzia de atores da TV e refazerem histórias que a própria TV levou de melhor forma - "Quincas Berro d'Água" e "Primo Basílio" são dois exemplos.&lt;/p&gt;Seja como for, "Dois irmãos" e "Tropa de Elite 2" são dois ótimos filmes, que merecem ser vistos. E jamais comparados... (Mas quem for ao argentino, diga se estou errado: o casal protagonista é a cara de Gloria Menezes e Ary Fontoura!)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7398137140753176998-2614055824949915019?l=olharesloiros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/2614055824949915019/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/10/dois-irmaos-de-elite-2.html#comment-form' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/2614055824949915019'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/2614055824949915019'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/10/dois-irmaos-de-elite-2.html' title='Dois irmãos de elite 2'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TLYV1P3i_vI/AAAAAAAAASU/Rh_icMBwj9U/s72-c/dosher.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-8242395106721124513</id><published>2010-10-05T13:03:00.004-03:00</published><updated>2010-10-05T15:08:54.973-03:00</updated><title type='text'>Urubus, rasguem minhas fantasias...</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TKtNIVIyFlI/AAAAAAAAASM/ZJL7BWsxhyk/s1600/urubu.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 160px; FLOAT: right; HEIGHT: 186px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5524594173408319058" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TKtNIVIyFlI/AAAAAAAAASM/ZJL7BWsxhyk/s400/urubu.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Essa, acho que só os sócios do Clube do Lípitor vão lembrar : nos anos 60, o folgado papagaio Zé Carioca tinha como companheiro de aventuras nos gibis um simpático e azarado urubu, o Nestor. Depois disso, o urubu só frequentou alguma coluna cultural quando o Premê (outra pro Clube do Lípitor!) fez uma música sobre a ave que se apaixonava por uma asa delta. Ou seja, além de pouco frequente, o urubu só entrava no mundo das artes como um personagem de pouca sorte e inteligência reduzida. Agora, graças ao artista plástico Nuno Ramos, o urubu conquistou um lugar ao sol da cultura oficial.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Convidado para criar uma instalação na Bienal de São Paulo, Nuno apareceu com um projeto esquisito: um viveirão, que ocupa o vão dos três andares do prédio no Ibirapuera. Dentro, umas plataformas, umas carniças e três urubus, que ignoram solenemente os visitantes e dão seus volteios pelo espaço que lhes cabe. Sinceramente, como obra de arte, não achei grande coisa. Como manifestação do artista, também não entendi o que significa. Mas o fato é que a gaiolona está lá, os urubus idem - e toca o barco, porque esta Bienal tem muita coisa pra ver.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Acontece que ecologistas e ministério público se associaram na campanha pela libertação dos urubus. Alegam que as aves estão sendo maltratadas. Não parecia. Nuno - a quem não conheço - disse que os bichos são de laboratório, inaptos para enfrentar a vida como ela é. Os ecologistas e os funcionários do ministério público dizem que isso não se faz com as coitadas das aves, etc etc. Até o momento, parece que a Bienal terá de esvaziar a gaiola e despejar os urubus.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Estaria tudo nos conformes, caso os ecologistas não decidissem partir pra chamada ação armada e invadir a Bienal, sábado passado, munidos de cartazes, correntes e improvisados megafones de cartolina. Armaram um tremendo berreiro na exposição, atrapalhando a vida de quem só queria ver os desenhos "terroristas" do pernambucano Gil Vicente - aqueles que a OAB queria tirar da exibição - ou a excelente sala dedicada a Wesley Duke Lee e outras boas obras.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Não me contive e, no mesmo volume dos manifestantes, gritei que respeitassem o trabalho do Nuno Ramos. "Isso não é arte!", me responderam. "Nem isso que vocês fazem é manifestação decente", respondi, já sem ânimo de continuar o bate-boca. Desanimei de vez, assustado feito uma reginaduarte, quando uma das catifundas ecologistas berrou: "Cadeia pro Nuno Ramos!" Aquilo me chocou. Então, se a obra de arte não agrada os caminhos são proibição e cadeia pro artista? Defendo integralmente o direito dos ecologistas de se manifestar contra o trabalho na Bienal - mas se eles apenas se acorrentassem, com os cartazes (feios), acho que teria um efeito de revolta mais eficiente. Os gritos, francamente, eram muito chatos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Mas não posso concordar com quem acha que o artista deve ir pra cadeia por causa de um trabalho desagradável. Tenho lá minhas dúvidas se aqueles manifestantes já tinham alguma vez entrado numa bienal. Se tiveram a mínima preocupação em percorrer os andares e ver que há muita bobagem, mas também muita coisa bacana exposta - a melhor, pra mim, é uma casa de favela, com portas e janelas cobertas por capas de livros muito significativos da geração que protestava com causa definida (tem Ana Cristina C., Torquato Neto e outros).&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Acho mesmo que os defensores dos urubus - que, repito, não parecem maltratados, mas eu não tenho a menor intimidade com esses bichos, assim como quase todo mundo... - devem dar sua opinião na sociedade. Mas sou totalmente avesso a essas manifestações de fascismo disfarçadas de bom mocismo. Saí da Bienal muito intrigado com os rumos que as pessoas dão ao seu direito de emitir opinião.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7398137140753176998-8242395106721124513?l=olharesloiros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/8242395106721124513/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/10/urubus-rasguem-minhas-fantasias.html#comment-form' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/8242395106721124513'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/8242395106721124513'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/10/urubus-rasguem-minhas-fantasias.html' title='Urubus, rasguem minhas fantasias...'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TKtNIVIyFlI/AAAAAAAAASM/ZJL7BWsxhyk/s72-c/urubu.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-5373317614041420880</id><published>2010-09-15T23:36:00.007-03:00</published><updated>2010-09-16T10:24:46.555-03:00</updated><title type='text'>Fazer rir</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TJGEarQpjqI/AAAAAAAAASE/3ou5Ad2QkTo/s1600/laminima.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 256px; DISPLAY: block; HEIGHT: 191px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5517336612329590434" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TJGEarQpjqI/AAAAAAAAASE/3ou5Ad2QkTo/s400/laminima.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Era quase uma da tarde, um ventinho frio começava a soprar na Praça do Patriarca, no coração de São Paulo. A roda de curiosos cercava o trio de palhaços do La Mìnima, que se apresentava com seu novo espetáculo, "Rádio Varieté". A cada piada, a cada gesto, a cada pantomima, o público ria e aplaudia, vidrado. Durante toda a apresentação, um senhor de idade indefinida assistia, entusiasmado. Puxava aplausos, comentava alto, atento às piadas e brincadeiras. Quase no fim, já sentindo que a farra ia acabar, ele cruzou o 'picadeiro' para ir cuidar da vida - e despediu-se com aceno tão carinhoso, que até os palhaços em cena notaram. Ele deu tchau e passou por mim, levando na cara um sorriso de tal modo sincero que eu tive certeza: esse vai sorrir o dia inteiro.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Voltei a atenção para a plateia. Misturados ao grupo, o multifacetado Antonio Nobrega e sua mulher, Rosane, assistiam tão seduzidos quanto o rapaz desconhecido, do outro lado, vestindo apenas uma camiseta, uma encardida calça de agasalho e um par de havaianas fajutas. Ignorava o frio, o moço. E só olhava, fixo e concentrado, o show dos palhaços. Ria e aplaudia, como se sua rotina fosse essa mesma, rir e aplaudir dos palhaços da vida.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Nessa hora, a ficha caiu. Como é bom fazer alguém rir. Faz tão bem à alma e ao corpo receber de volta um sorriso aberto, um olhar molhado das lágrimas provocadas pela risada. Faz tão bem que eu me espantei de já ter pensado em escrever "sério". Ali, na praça, vendo os espectadores se deliciando com as brincadeiras criadas por Fernando Sampaio, Domingos Montaigner e Filipe Bregantin, eu compreendi de um jeito muito forte a importância do meu trabalho. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Daquele roteiro que ajudei a escrever, junto com o super Luiz Henrique Romagnoli, Domingos e Fernando, tudo arrematado pelo olhar profissional de Antonio Nóbrega, saíam piadas, comentários, brincadeiras, saía um sem-fim de coisa que, tenho certeza, fez mais alegre a quarta-feira de muita gente. Como sentir frio depois de ouvir aquelas risadas e aplausos? Não dá, cara, simplesmente não dá. O prazer do riso alheio é uma endorfina, uma dessas drogas naturais poderosas a ponto de viciar definitivamente. Sou um fazedor de risos addict - em inglês fica mais chique.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Parece besteira, né? Justo eu, que nos últimos 30 dias, tive 5 comédias em cartaz nesta cidade maluca, todas atraindo público, justo eu fiquei comovido como o diabo por ver o povo rindo hoje. Deve ser por que, em alguns instantes, bate uma dúvida de saber se o caminho é esse mesmo... Dá vontade de ter um trabalho que os outros considerem profundo e o encarem com a seriedade que é fazer rir... &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Confesso, cara lavada, que bate essas coisas. Mas aí, ufa, vem um espetáculo de rua, uma roda de gente que não tem dinheiro pra pagar um ingresso em teatros convencionais, mas que parou ali e deu aquilo que o artista mais gosta: um minuto de forte atenção. A alma encheu, o coração disparou e eu me toquei, enfim. Outras dúvidas virão, porque eu não pretendo parar de escrever tão já. Mas hoje, 16 de setembro, eu tô de alma lavada e feliz. Que nem o rapaz de havaianas falsas e o velhinho que deu tchau na praça.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Dedico esse post ao Aimar Labaki e ao Petrônio Gontijo, com quem troquei, direta ou indiretamente, reflexões ao redor desse tema&lt;/strong&gt;.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;p.s. 2 - Quem quiser assistir a alguma apresentação de "Rádio Varieté" nas praças do centro, pode consultar o site &lt;a href="http://www.laminima.com.br/"&gt;http://www.laminima.com.br/&lt;/a&gt;. Tem datas já agendadas no Largo São Bento, no Parque da Luz e na Praça Antonio Prado.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7398137140753176998-5373317614041420880?l=olharesloiros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/5373317614041420880/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/09/fazer-rir.html#comment-form' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/5373317614041420880'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/5373317614041420880'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/09/fazer-rir.html' title='Fazer rir'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TJGEarQpjqI/AAAAAAAAASE/3ou5Ad2QkTo/s72-c/laminima.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-32193298079190199</id><published>2010-09-09T15:27:00.003-03:00</published><updated>2010-09-09T16:04:27.678-03:00</updated><title type='text'>Sigilos quebrados</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TIktoDuVGbI/AAAAAAAAAR8/bNEwCRw75mk/s1600/sigilo.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 300px; FLOAT: left; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5514989384909527474" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TIktoDuVGbI/AAAAAAAAAR8/bNEwCRw75mk/s400/sigilo.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;É evidente que qualquer pessoa em sã consciência vai achar escandalosa a violação de segredos fiscais de um cidadão. É mais evidente ainda que, se houver um mínimo de respeito pela chamada coisa pública, os responsáveis por essa aberração serão punidos com rigor - mas isso, é claro, se vivêssemos no melhor dos mundos, o que me parece não ser bem o caso. De todo modo, vincular a quebra de sigilo fiscal a campanha eleitoral me parece um desvio de rota. Vamos discutir a coisa? Sim, vamos. Devemos. É preciso uma explicação. Mas ao que consta um presidente não vai cuidar só disso. E o resto dos projetos de governo? "Depois que estrear a gente pega o pique" não dá mais.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Escrevo sem ter visto o efeito de tantas denúncias nas pesquisas eleitorais. Deve ter causado algum, sem dúvida - e é nisso que o segundo colocado nas pesquisas anteriores aposta, torcendo por um segundo turno. Até o momento, no entanto, paira uma dúvida cruel em todas as cabeças ligadas à corrida eleitoreira: quebrar sigilo bancário surte efeito na opinião da maioria dos eleitores? Em caso positivo, haverá uma comemoração pela resposta ética do sacrificado povo brasileiro. Em caso negativo, e se a candidata do governo subir no trono já no primeiro turno, não faltará quem ataque a conivência da patuléia. Em redes sociais, mesmo, já li que as pessoas - os "outros' - estão mais interessados em dinheiro no bolso e comida na mesa do que em lisura ética. Como se querer sobreviver com relativa dignidade tivesse se transformado em crime.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A cada vez que vejo candidatos espumando contra a violação do sigilo fiscal de seus correligionários e/ou aparentados (um crime, repito), lembro de uma viagem que fiz pelo Nordeste, entre Piauí e Maranhão. Para cruzar parte da região, era preciso pegar uma caminhonete Toyota e viajar na carroceria lotada - um pau-de-arara light, uma viagem que tinha até um pernoite porque o percurso era danado. Eu ia de turista, meio dondoca escandalizada. Mas os outros passageiros iam mesmo receber o pagamento na única agência do Banco do Brasil num raio de léguas. Eles tinham de dormir ao relento pra poder receber o auxílio financeiro de uma bolsa-família ou a aposentadoria rural. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Lembro deles, repito, e me pergunto se aquelas pessoas fazem ideia do que é quebrar um sigilo fiscal. Acho que eles nem sabem o que é "sigilo". Sequer imaginam o que é "bancário". Esse discurso indignado - com razão, porque nós, que pagamos impostos, não queremos nossa vida fiscal exposta ao público como pôster da Playboy - não atinge uma grande maioria de brasileiros, eleitores, tão cidadãos quanto eu, você, a filha do candidato ou o camelô da 25 de março. Acontece que a classe política que se julga melhor aparelhada para administrar o país não conhece aquilo que quer tomar conta. Dá as costas ao Brasil real e ainda se espanta quando as coisas não saem como ela acha que deveriam sair.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Na verdade, eu penso mesmo que a quebra de sigilo fiscal é uma prática mais comum do que sonha a vã candidatura. Não é nada raro receber e-mails de empresas que "descobriram" o seu potencial consumismo em alguma listagem vendida sabe-se lá por qual administradora de cartão de crédito. Até um tempo atrás, pra se obter visto de entrada em alguns países, era preciso mostrar a declaração de rendas. Mas hoje, com tudo informatizado... Gente, se o neguinho entra no sistema do Pentágono, não vai entrar na minha declaração de renda? Tá certo que, no que me diz respeito, ele vai rir um bocado e passar pro próximo - mas impossível não deve ser, não.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Outro dia, li que a Biblioteca do Congresso Americano guarda num computador todos os twitters escritos no mundo. Você consegue imaginar isso? Com dois toques no teclado, um hacker entediado tem acesso a todos os kkkkkks e demais bobagens que você tuitou por aí. Graças à Nota Fiscal Eletrônica, qualquer funcionário da Receita Federal pode descobrir onde o senhor anda gastando o seu salário - tá comprando sapato demais, hein? - mas isso não quer dizer que o sistema da NFE seja ruim: vai impedir que muito comerciante dê o truque, cobrando caro da gente e não pagando o que deve em impostos, alguns até trabalhistas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Reafirmo o que disse no começo: quebrar sigilo bancário é uma violência inominável, que deve(ria) ser punida com tremendo rigor. Mas achar que isso é bruxaria de esquerdistas mal-intencionados é reduzir todo o avanço da tecnologia a uma disputa eleitoral passageira. A informática nos uniu numa intimidade tão promíscua, que quebrou até mesmo nosso direito aos segredos antes inconfessáveis. Mas, antes de mais nada, lembro sempre de uma frase que dona Maria Quitéria, também conhecida como minha mãe, dizia: quem não deve, não teme. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7398137140753176998-32193298079190199?l=olharesloiros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/32193298079190199/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/09/sigilos-quebrados.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/32193298079190199'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/32193298079190199'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/09/sigilos-quebrados.html' title='Sigilos quebrados'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TIktoDuVGbI/AAAAAAAAAR8/bNEwCRw75mk/s72-c/sigilo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-3785675979922220304</id><published>2010-08-30T15:23:00.003-03:00</published><updated>2010-08-30T16:05:04.207-03:00</updated><title type='text'>Reality show de verdade</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/THv79n42CKI/AAAAAAAAAR0/r_OAdUBNJEs/s1600/Guilin_Caverna_Flauta_de_Bambu_11.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 400px; FLOAT: right; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5511275605115930786" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/THv79n42CKI/AAAAAAAAAR0/r_OAdUBNJEs/s400/Guilin_Caverna_Flauta_de_Bambu_11.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Se o noticiário deixava dúvida, a capa da Veja acaba com os questionamentos. Neste exato momento, no subsolo do Chile, 33 homens estão trancafiados numa mina que desabou. Muitos artigos - inclusive do Luiz Zanin, no Estadão - lembraram a trama do filme "A Montanha dos Sete Abutres", dirigido por Billy Wilder. Eu mesmo pensei logo no filme quando li a primeira notícia: na trama, um homem fica soterrado e um repórter sensacionalista transforma o caso numa histeria nacional. Acho mesmo que o filme tem um título opcional, "O Grande Circo". E é daqueles filmes que todo aluno de jornalismo deveria ser obrigado a assistir durante a faculdade. Mas se nem língua portuguesa ensinam direito nos cursos de Jornalismo, que dirá Ética... &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Voltando ao caso dos mineiros do Chile. Mais que a obra-prima de Hollywood, o drama atual me lembra muito os reality shows que, há algum tempo, garantem a audiência das emissoras de TV. Já se tornou hábito esperar a escalação dos estranhos que vão coabitar juntos, exibindo corpos sarados e personalidades deturpadas em rede nacional. Com o trabalho primoroso dos editores - os verdadeiros gênios dos reality shows - essa convivência logo vira uma novela, que a maioria das pessoas acompanha como se daquilo dependesse a sua própria felicidade. Mistura-se dramalhão com comédia, vulgaridade com vilania e o circo está armado.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;No Chile, o confinamento é real. Ali, sim, aplica-se o termo reality. Em torno dos 33 homens soterrados, circulam suas famílias, os funcionários de uma mineradora que descuidou acintosamente da segurança de seus funcionários e um sem-fim de funcionários públicos que não fez o que deveria ter feito. E enquanto profissionais discutem até que ponto os mineiros confinados devem ser informados da real gravidade da situação, a mineradora ameaça não pagar os salários dos homens presos na terra,  alegando falta de dinheiro. Arma-se, dia a dia, um circo de horrores tristemente verdadeiros. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;E o medo, o meu medo, é que esse horror aumente ao longo dos próximos 100 dias - prazo que, acredita-se, vai levar para ser cavado o túnel de saída. Se um dos homens enlouquecer, ficar doente, cair em depressão, poderemos assistir - de mãos atadas - à agonia pública. Há suspense pior: se um deles não emagrecer o suficiente - e atingir os 90 cm de cintura - poderá ficar entalado no túnel. Como será isso? El Gordo vai por último? &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Será que - além das famílias - haverá muita gente interessada nos destinos desses homens daqui a 100 dias? E se for ao ar um novo reality show, desta vez com gente mais bonita, mais sarada e mais vulgar? A audiência volúvel mudará de canal? São muitas perguntas, mas a premissa, acho eu, é uma só. É preciso muito sangue de barata para levar ao ar um reality show programado quando a vida de verdade informa que homens iguais a nós padecem num confinamento cruel e de final imprevisto. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Eu já não assistia reality show antes. Agora, piorou.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7398137140753176998-3785675979922220304?l=olharesloiros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/3785675979922220304/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/08/reality-show-de-verdade.html#comment-form' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/3785675979922220304'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/3785675979922220304'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/08/reality-show-de-verdade.html' title='Reality show de verdade'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/THv79n42CKI/AAAAAAAAAR0/r_OAdUBNJEs/s72-c/Guilin_Caverna_Flauta_de_Bambu_11.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-4819428735261766490</id><published>2010-08-17T17:07:00.004-03:00</published><updated>2010-08-17T17:45:28.034-03:00</updated><title type='text'>Essa gente bronzeada mostra seu valor</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TGru2amRniI/AAAAAAAAARk/3Hs9kvrHrTI/s1600/tarsila.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 305px; FLOAT: left; HEIGHT: 247px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5506476113034059298" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TGru2amRniI/AAAAAAAAARk/3Hs9kvrHrTI/s400/tarsila.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda vez que vou a Minas Gerais (e bem que poderia ser mais vezes, quando lembro daquela comida gostosa...), me divirto lendo os jornais locais. São bons jornais, abertos ao noticiário nacional e internacional, cobertura ampla e tal. Mas quando falam de algum artista conterrâneo, fazem questão de lembrar isso ao leitor. Selton Mello não é apenas o ator e diretor de sucesso. É o "mineiro de Passos". É um orgulho ser conterrâneo de tal figura, diz-se nas entrelinhas. Ou é óbvio que faria sucesso - é mineirim, uai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E antes que me acusem de tripudiar sobre o bairrismo, me adianto. Tenho a mesma sensação toda vez que os jornais noticiam algum evento internacional em que surja, de forma inesperada, a presença de um brasileiro. Esta semana aconteceu isso, com o acidente do avião na Colômbia. Uma aeronave partiu-se em três, uma mulher morreu do coração, não houve outros mortos - mas todos os noticiários aqui sublinhavam a presença de quatro brasileiros. Nem entraram no mérito de um deles, militar da aeronáutica, se não me engano, ter escapado ileso de forma bastante humana, mas não muito heroica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Identificar um brasileiro num acidente aéreo, numa avalanche de neve em Bariloche ou numa enchente do Paquistão diferencia aquele incidente de outros tantos. O caso da adolescente  condenada em Abu Dhabi por ter feito sexo com um motorista paquistanês só mereceu destaque porque a menina é "coisa nossa". Atentados terroristas ganham mais manchetes quando envolvem um brazuquinha perdido nos confins do Oriente Médio. Ah, esse nosso verde-amarelismo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se outros povos - além do brasileiro e do americano - têm esse mesmo comportamento. Digamos que não. O que nos espanta tanto quando uma coisa dessas acontece? Será que até hoje não superamos nossa vergonha de ser colônia e viver longe do centro civilizado? Será que até hoje achamos inacreditável que um dos nossos - mesmo que não façamos ideia da existência dessa pessoa até o fato ocorrido - possa ter sido vítima ou testemunha de um acontecimento histórico?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa mania de achar que só turista alemão pode ser baleado num cruzeiro pelo Rio Nilo nos deixa na pole position em qualquer campeonato de provincianismo. Pior é quando as sensibilidades se sentem feridas - é o caso dos rapazes brasileiros condenados à morte na Indonésia por traficar drogas. É cruel, claro que é, especialmente pra quem  - como eu - é contrário à pena de morte. Mas uma pessoa que infringe conscientemente uma lei severa sabe dos riscos que está correndo. Faz uma aposta alta e perde. As leis da Indonésia não livram a cara de ninguém só porque a pessoa nasceu num país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As distâncias aproximaram os mundos e, hoje, não é nada difícil para um brasileiro estar do outro lado do planeta quando alguma coisa acontece. Eu mesmo estava a 400 km de Sichuan, na China, no dia em que ocorreu aquele terremoto pavoroso, dois anos atrás. Lembro até hoje do frio na espinha ao chegar no hotel, desavisado, e ver o mapa da tragédia no noticiário na CNN. Era muito perto! Isso faria de mim uma manchete: "Terremoto na China mata 200 mil chineses e um brasileiro". O pior é que ia aparecer um espírito de porco perguntando: mas que diabo ele foi fazer lá? Tanto lugar bonito aqui pra conhecer...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7398137140753176998-4819428735261766490?l=olharesloiros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/4819428735261766490/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/08/essa-gente-bronzeada-mostra-seu-valor.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/4819428735261766490'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/4819428735261766490'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/08/essa-gente-bronzeada-mostra-seu-valor.html' title='Essa gente bronzeada mostra seu valor'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TGru2amRniI/AAAAAAAAARk/3Hs9kvrHrTI/s72-c/tarsila.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-691214101287938765</id><published>2010-08-12T12:05:00.004-03:00</published><updated>2010-08-12T12:55:59.731-03:00</updated><title type='text'>Corpo a corpo</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TGQO5aJfr6I/AAAAAAAAARc/6_aKiRNt6z0/s1600/luta.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 400px; FLOAT: left; HEIGHT: 231px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5504541023988068258" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TGQO5aJfr6I/AAAAAAAAARc/6_aKiRNt6z0/s400/luta.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A campanha eleitoral nem começou na TV e os ânimos já se exaltaram. Nem estou pensando nas manchetes tendenciosas, cheias de malícia, que jornais e revistas andam publicando - e nem quero imaginar no que vem pela frente. Também acho desnecessário falar da militância aguerrida, com esses não tem discussão mesmo, o cara acredita em seu candidato e vai à luta. Basta ver que todos reclamaram de como William Bonner entrevistou o "seu" candiato. Ninguém saiu satisfeito.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O que tem me impressionado mesmo é a partidarização das pessoas comuns. Ok, é realmente muito bom ver que há bastante gente interessada nos destinosdo país... Mas a coisa atualmente não é tão simples. O que espanta é que gente comum, tipo você, eu e um milhão de almas usam o twitter, o facebook, os emails e os blogs pra não só divulgar seu voto, mas atacar os adversários e, acima de tudo, reagir de maneira espantosa a quem manifesta preferência por outro candidato que não o seu.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A impaciência chegou com tudo ao mundo virtual e o que antes era motivo para bons debates entre amigos, hoje tornou-se uma forma de agredir e até desprezar quem não pensa igual. Só por dizer que tinha votado no Lula nas duas eleições anteriores, me senti cortado da lista de algumas pessoas. As mesmas pessoas que me encontraram pela rede e se diziam mortas de saudades, vamos nos ver, etc etc. Um voto me transformou em persona indesejável na rede social. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Tenho amigos que vão votar no Serra, que fazem campanha aberta e escancarada pelos tucanos. Outros são Marina Silva desde a primeira infância. E há ainda os que votarão na Dilma sem pestanejar nem discutir as graves pisadas na bola da gestão petista. Tirando, obviamente, a opinião desfarovável que um tem a respeito do voto do outro, por que devo me afastar dessas pessoas? Por acaso, de agora em diante, só vou querer andar com corintianos e fãs do Chico Buarque? Na minha cabeça, já estavam mais que fora de moda figuras que só tinham amigos gays ou maconheiros ou jogadores de xadrez. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Dar opinião, ainda por cima em rede social, ficou muito complicado. Aquilo é terra de ninguém, é espaço público e, a não ser que você mande em private ou direct, está falando para todo mundo. Logo, está se submetendo ao julgamento geral e não pode reclamar de invasão de privacidade. Acontece que as opiniões favoráveis aos nossos não-candidatos são chatas. As favoráveis aos nossos candidatos também são chatas, mas pelo menos a gente concorda com elas em alguma coisa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Uns e outros inundam as redes, caixas postais e tudo quanto é forma de comunicação falando bem do seu e mal do outro. E ai de quem tentar contestar. "Cretino" é praticamente um elogio de avó pra neto se compararmos com o que se escreve na rede. A palavra escrita, enviada a distância, serve de escudo e dá ao que escreve uma noção de super-poder que ele dificilmente teria no cara a cara.  &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não deve ser difícil respeitar o voto alheio. Pessoas normais não saem se matando só porque torcem para times diferentes (pessoas normais, atenção). Podem bater boca, tirar sarro, tripudiar sobre o adversário que perdeu, mas não trata o outro como uma bactéria desprezível. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;É claro que uma eleição não é um amistoso interclubes. O voto ajuda a definir os próximos anos de uma comunidade, um Estado, um país. É decisão que afeta a economia e o bem estar de muitos (ou pelo menos deveria ser assim). Mas a importância não significa que foi abolido o respeito à opinião alheia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Se Serra conta com o apoio quase incondicional da imprensa. Se Dilma conta com o impulso irrefreável do governo federal. Se Marina Silva arrebanha os que não querem se envolver em briga de cachorro grande.Se Plínio revela agora um desconhecido lado de vovô da fuzarca... Todos esses "ses" serão resolvidos no dia da eleição. E passaremos os próximos anos submetidos à vontade da maioria. É assim que funciona. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;E antes que eu me esqueça, meus votos decididos até agora são: Dilma pra presidente, Marta pro Senado, Erundina pra deputada federal e Salete Campari pra deputada estadual. É questão de opinião e não de aposta na mega sena. Se ganhar o Serra e meus outros votos não emplacarem, continuarei a tocar minha vida da mesma maneira. Mais crítico, claro, porque ninguém aqui é candidato a santo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7398137140753176998-691214101287938765?l=olharesloiros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/691214101287938765/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/08/corpo-corpo.html#comment-form' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/691214101287938765'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/691214101287938765'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/08/corpo-corpo.html' title='Corpo a corpo'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TGQO5aJfr6I/AAAAAAAAARc/6_aKiRNt6z0/s72-c/luta.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-3073800248499122033</id><published>2010-08-04T11:00:00.004-03:00</published><updated>2010-08-04T12:15:19.136-03:00</updated><title type='text'>O meu dia dos pais</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TFl_gZTOCoI/AAAAAAAAARU/oUosUaFLI3k/s1600/mv+e+autran.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 400px; FLOAT: right; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5501568614333811330" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TFl_gZTOCoI/AAAAAAAAARU/oUosUaFLI3k/s400/mv+e+autran.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2003, minutos antes de abrirmos as portas do teatro do Centro Cultural Banco do Brasil para a estreia de "Vestir o Pai", Paulo Autran - que dirigia a peça - olhou a plateia vazia e comentou: "A gente passa meses ensaiando a comédia que você escreveu, mas só vai saber se fez o trabalho direito na hora que escutar a primeira risada do público". Uns 15 minutos depois, ouvíamos a primeira das muitas risadas provocadas em "Vestir o Pai" e relaxamos nas nossas cadeiras. A bola agora estava com Karin Rodrigues, Leona Cavalli e Otávio Martins, em cena. Mas a lição ficou na cabeça: só descobrimos que acertamos quando o público ri. É a agonia de quem faz comédia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois da gestação em nossos cérebros e computadores, a peça chega ao corpo dos atores, mas passa algum tempo - dois, três meses - trancada nas salas de ensaio. Ali, sim, a peça começa a ganhar vida. Mas piada repetida vai perdendo a graça e, depois de dez dias de ensaio, ninguém mais ri do texto. Nos ensaios de "Vamos?", a equipe riu muito - das invenções, cacos, erros, nunca mais do texto. A noção do que é engraçado vai se diluindo com o passar do tempo. E de repente lembramos que a porta vai abrir, o público tomar seus assentos e - torcemos - rir. No fundo do pensamento, como a goteira na pia da área de serviço, surge de mansinho o frio na espinha: e se eles não rirem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vão rir, eu sei. Mas o medinho impulsiona a melhorar e aprimorar o trabalho. É a incerteza que me faz caprichar em cada fala. Pelo menos, eu tento. Mas, por mais confiança no taco que se tenha, a gente sempre leva uma surpresa quando a coisa dá certo. Eu, pelo menos, sou assim. Recentemente, fui ao centro de São Paulo assistir ao ensaio aberto de "Rádio Varieté", o novo espetáculo de rua da Cia. La Mínima. Escrevi alguns esquetes pra esse espetáculo e fui lá ver se funcionava - ou seja, fui checar se as pessoas ririam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi a primeira vez que escrevi para uma peça de rua e isso exige uma outra técnica, outra noção de tempo de piada. Pra complicar, me meti a escrever uma cena de ventríloquo e, graças ao Domingos Montagnier e ao Fernando Sampaio, aprendi muita coisa. Vocês já tinham reparado que boneco de ventríloquo fala pouco? Pois é, fala. Mas o pouco que fala tem de ser engraçadíssimo. A cena feita na rua, pela primeira vez, trazia um boneco astrólogo que tentava adivinhar o signo do público. A plateia riu e, juro, eu fiquei arrepiado. O primeiro riso em qualquer espetáculo libera uma adrenalina lascada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu só acredito em teatro feito em conjunto. Não em grupo, como uma noção engessadora, mas em conjunto - autor, diretor, atores, técnicos e público, todos fazem a peça existir. Na falta de qualquer um deles, a coisa não acontece. Não acredito em artista auto-suficiente, que no mesmo espetáculo escreve, dirige, atua, vende ingresso e estoura a pipoca. Pra substituir o público por si mesmo é um passo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A multiplicidade é que dá a liga. Deve ser por isso que me sinto em casa trabalhando com os Parlapatões e o La Mínima, dois grupos que não exigem fidelidade partidária - a não ser ao trabalho em si, à seriedade com que encaramos o riso alheio. Deve ser por isso que gosto de trabalhar com Jairo Mattos, que tem uma paixão incontrolável, como ele mesmo, pelo teatro . Deve ser por isso que chego no ensaio de "Vamos?" e me atiro nos braços da equipe toda - Dalton Vigh, Rachel Ripani, Alex Gruli, Tânia Khalil, Rafael Maia, Rita Batata, Otavio Martins, Tati, Chico, Ed, Valdir... A gente se juntou e fez um timão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deve ser por isso que, neste fim de semana, cinco peças minhas vão ocupar alguns disputados espaços teatrais da minha cidade. Coincidência, ok. Mas também uma alegria imensa e uma ansiedade desmesurada. Minha cabeça entrou em processo de parto de uma peça, de formatura da outra, de festinha da outra... São filhotes, espalhados pelo mundo, e que vieram, vejam vocês, todos me visitar no dia dos pais.&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;O "Festival Mário Viana de Teatro &amp;amp; Risos" é formado por (na ordem alfabética):&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;AMANHÃ É NATAL&lt;/strong&gt;, com Álvaro Gomes, Cinthia Zacariotto e Nana Paquini. Direção de Jairo Mattos. Teatro Paulo Eiró, Av. Adolfo Pinheiro, 765. Sex e sáb, 21 horas. Dom, 19 horas. Ingresso: 10 reais. &lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Até 22 de agosto&lt;/span&gt;.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;CARRO DE PAULISTA&lt;/strong&gt; (escrita com Alessandro Marson), com Tadeu Pinheiro, Vinicius Oliveira, Aline Abovski, Fábio Neppo e Rodolfo Valente. Direção de Jairo Mattos. T. Ruth Escobar, R. dos Ingleses, 209. Sáb., 22h30. Ingresso: 30 reais. &lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Até 25 de setembro&lt;/span&gt;.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;O MÉDICO E OS MONSTROS&lt;/strong&gt;, adaptação do original de Robert Louis Stevenson, com Cia. La Mínima. Direção de Fernando Neves. Teatro Cleyde Yáconis, Av. do Café, 277, Jabaquara (ao lado do Metrô Conceição). Qui, 21h. Sex, 21h30. Ingresso:  30 reais. &lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Até dia 29&lt;/span&gt;.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;UM CHOPES, DOIS PASTEL &amp;amp; UMA PORÇÃO DE BOBAGEM&lt;/strong&gt;, com os Parlapatões. Já faz parte do repertório cult do grupo. Sex, 21h. Sáb, 21h e meia noite, dom. 20h. Ingresso: 15 reais. &lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;strong&gt;Até dia 8&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;VAMOS?,&lt;/strong&gt; com Dalton Vigh, Tânia Khalil, Rachel Ripani e Alex Gruli, direção de Otávio Martins. Teatro Imprensa, Rua Jaceguai, 400, Bela Vista. Sex, 21h30, sáb. 21h e dom., 19 horas. Ingressos: 40 reais e 50 reais. &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Estreia&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7398137140753176998-3073800248499122033?l=olharesloiros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/3073800248499122033/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/08/o-meu-dia-dos-pais.html#comment-form' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/3073800248499122033'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/3073800248499122033'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/08/o-meu-dia-dos-pais.html' title='O meu dia dos pais'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TFl_gZTOCoI/AAAAAAAAARU/oUosUaFLI3k/s72-c/mv+e+autran.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-1754129710546658900</id><published>2010-07-24T18:48:00.004-03:00</published><updated>2010-07-24T19:17:56.635-03:00</updated><title type='text'>O Crime Perfeito</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TEthv4WEMiI/AAAAAAAAARM/n3kHiUC2m8w/s1600/rosas.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 238px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5497595245342503458" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TEthv4WEMiI/AAAAAAAAARM/n3kHiUC2m8w/s400/rosas.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;De nada adiantou ter sido um leitor voraz de Agatha Christie, Conan Doyle ou P. D. James. Nenhum autor de romance policial chegaria ao esmero do crime no Brasil. Aqui, Hercule Poirot, Miss Marple, Sherlock Holmes e o inspetor Adam Dalgliesh teriam de passar suas tardes jogando biriba ou tomando chá com torradas. O Brasil, reconheçamos, atingiu a perfeição no mundo do crime. Aqui, pode-se matar uma pessoa, um outro ser humano, e nem é preciso manter o crime em segredo. Todos saberão quem fez o que com quem, e ficará tudo por isso mesmo. Basta atropelar alguém. Simples assim.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Foi o que aconteceu há algumas semanas na Rodovia dos Imigrantes, quando um motorista com os reflexos alterados pelo álcool perdeu o controle da kombi e atingiu três pessoas no acostamento, matando-as na hora. Foi preso, confessou que tinha bebido, pagou uma fiança de 1.200 reais e saiu, pra responder o processo em liberdade. Gente, 1.200 reais dá 400 reais por vida tirada. Nem o Imposto de Renda cobra tão pouco por um dependente.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Na semana passada, foi a triste vez de a atriz Cissa Guimarães ser atingida pela tragédia. Seu filho Rafael, de 18 anos, foi atropelado e morto dentro de um túnel no Rio de Janeiro, quando andava de skate com dois amigos. Era madrugada, o túnel estava fechado para o trânsito de veículos e, teoricamente, não haveria perigo para os skatistas a não ser um assalto inocente. Dois carros, pelo jeito disputando um racha, ignoraram os avisos de interdição e entraram no túnel. "O menino não saiu da frente do carro e manobrou pro nosso lado", explicou o passageiro do carro que atingiu Rafael.  Sobre o fato de estar num local proibido para carros, nenhuma palavra.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Depois, ficamos todos sabendo que os dois policiais que interceptaram o carro assassino não perceberam o vidro estilhaçado, o capô amassado, o farol pendurado - e talvez uma ou outra mancha de sangue. Os PMs teriam pedido 10 mil reais pra sofrerem de amnésia. Teria dado tudo certo, caso Rafael não fosse filho de um músico respeitado e de uma atriz conhecida, que até dias atrás anunciava o torpedão da copa do mundo nos intervalos dos jogos. Se Rafael fosse filho da tiazinha que vende coco na praia de Copacabana, talvez o golpe da amnésia tivesse funcionado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Cá entre nós, a participação dos PMs corruptos é quase que só um detalhe numa história por si escabrosa. O que me impressiona sempre que leio sobre acidentes de trânsito envolvendo mortes é justamente o sucateamento que se faz no Brasil dos seres humanos. Acidentes acontecem. Máquinas podem perder o controle. Todo mundo tem sua hora e dela ninguém escapa. A fartura de lugares comuns deixa claro que nem tudo é crime.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quando uma pessoa bebe além da conta, sai em alta disparada, ignora um aviso de "proibido entrar" ou a placa de contra-mão... bem, se provocar um acidente, essa pessoa não pode ser tratada como alguém que, coitada, deu sopa pro azar. É crime doloso, sim. Você, deliberadamente, toma uma atitude que pode ter consequências fatais, isso é crime. Pode ter atenuantes? De repente, sim. Mas não se pode dizer que foi sem querer. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ou pior ainda, não se pode acusar a vítima de ter entrado na frente do carro, impossibilitando uma manobra. Rafael, o filho da Cissa Guimarães, estava em um local onde não devia passar carro, ponto. E tem mais: o sujeito que estava ao volante tinha sob o pé direito o comando do freio. E nas mãos, o volante. Era só frear ou desviar. Bateria o carro, mas não mataria ninguém.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;A situação beira o Cinismo Absoluto quando sabemos que há regras muito rígidas dominando o código de trânsito brasileiro. Se eu não fizer a tal da avaliação de poluentes do meu carro novo pagarei multa. Se eu falar ao celular enquanto dirijo, pagarei multa. Se eu tomar três e não um copo de chope, pagarei uma multa altíssima. São regras absurdas? De jeito nenhum. O absurdo é eu perceber que se atropelar e matar alguém, pagarei uma fiança e ficarei em casa. Poderei até dirigir! Quem morreu, afinal, foi o outro. Foi maus.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7398137140753176998-1754129710546658900?l=olharesloiros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/1754129710546658900/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/07/o-crime-perfeito.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/1754129710546658900'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/1754129710546658900'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/07/o-crime-perfeito.html' title='O Crime Perfeito'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TEthv4WEMiI/AAAAAAAAARM/n3kHiUC2m8w/s72-c/rosas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-5206213745611916942</id><published>2010-07-20T11:32:00.003-03:00</published><updated>2010-07-20T12:06:28.157-03:00</updated><title type='text'>Gilberto, o Interminável</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TEW5f1M8fyI/AAAAAAAAARE/E7OQEKoigRk/s1600/alcaide.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 400px; FLOAT: left; HEIGHT: 311px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5496002876784017186" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TEW5f1M8fyI/AAAAAAAAARE/E7OQEKoigRk/s400/alcaide.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Até quando mesmo vai durar a - por assim dizer - gestão de Gilberto, o Alcaide? Eu sei, você pensou que eu tinha esquecido dele. Tinha mesmo. A vida oferece tantas coisas mais interessantes pra se pensar, algumas boas, outras nem tanto, sobrava pouco tempo pra analisar as estripulias do burgomestre. Verdade seja dita, ele também apareceu pouco, tanto que até deu uma passeadinha pela África do Sul, durante a Copa. E também a campanha à presidência de José Serra não deve fazer muita questão de ver o alcaide nas páginas de jornal. É melhor silenciar ou ignorar o por-si-só confuso prefeito.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas vai ser difícil fingir que não estamos vendo a - de novo, por assim dizer - gestão gilbertiana. Por mais que a imprensa simpatizante às aves silvestres de bico comprido tente minimizar, é impossível não enxergar a mão do Alcaide nas questões sociais. Ele decidiu acabar com a cracolândia e com a mendicância. Dito e feito: interditou os prédios velhos do bairro da Luz, onde a noiada comprava e consumia suas pedrinhas. E, depois, mandou fechar os albergues que serviam de pouso pra mendigos, sem tetos e desvalidos em geral. A ideia beira o genial de tão simples: sem ter onde pernoitar ou se drogar, a pobraiada ia se mandar pros bairros da periferia, deixando a região central mais limpa, linda e 'novaiórquica'. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Pena que Gilberto, o Alcaide, não seja Rudolph Giuliani, o prefeito que limpou (ou maquiou) Nova York. Pena também que não tenha havido - como houve lá em NY - uma campanha pras pessoas não darem mais esmolas, comidas ou qualquer tipo de ajuda que estimulasse os mendigos a ficarem nos bairros ricos. Aqui, a cultura do assistencialismo faz parte do DNA e se há um resquício de culpa na classe média por ter, a suadas penas, seu carrinho e seu apezinho, ele é compensado com pequenos donativos às crianças obrigadas a vender doces, panos de prato e outros troços nos cruzamentos. Pasmem, há dessas criaturas até mesmo na Rua Oscar Freire, o território dos chiques e endinheirados paulistas e sobre elas ainda não há Estatuto do Menor que proíba palmadinhas...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A - meu deus, eu não acho outra palavra - gestão de Gilberto, o Alcaide, falhou no trato com a classe social abaixo de qualquer linha de pobreza e humanidade. Os noias da cracolândia espalharam-se pelas ruas do centro, chegaram até os Jardins, e agora estão de volta ao reduto. Os mendigos e desvalidos não viram motivo pra ir dormir no fim do mundo, sendo que o dinheirinho ganho com papel catado, os restos de comida dos restaurantes e, vá lá, as esmolas, estão mesmo no centro expandido. Só não se trocou o seis por meia dúzia, porque agora eles - os pobres - não têm mais onde pernoitar e acabam ocupando ruas, calçadas, marquises e caixas eletrônicos das áreas bacanas. Trocou-se o seis por três e meio, e olhe lá.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Gilberto, o Alcaide, também pisou feio na questão do transporte público. Se quer tanto despachar os sem-nada pra longe, que crie pelo menos um meio de eles chegarem lá. Não. Circula hoje nos jornais a informação que a prefeitura adiou para 2013 a reforma do transporte público da cidade, uma reforma que jamais virá, como até Tom Cruise sabe (no filme "Encontro Explosivo", ele diz pra Cameron Diaz que não gosta da expressão 'um dia' porque ela é sinônimo de 'nunca'). Espertinho, apesar da expressão de quem soltou pum no batizado, Gilberto quer que o próximo prefeito descasque o abacaxi. Certamente, já tá contando com a derrota nas urnas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Faz sentido tanto descaso com a classe baixa. Porque só mesmo em terra de novo rico o transporte público é tratado como problema de pobre. Não é preciso ter vivido no exterior, qualquer seriado enlatado ou filme mostra personagens pegando trem, metrô e ônibus pra resolver seus problemas. Claro que, nas grandes cidades, eles dispõem de transporte público, o que não acontece aqui. Mas enquanto postergar os investimentos nessa área, o governo-seja-qual-for vai afastar mesmo a classe média do ônibus. E todo mundo que vive em terra de novo rico sabe que só quando a classe média toma contato com certos serviços é que eles melhoram. Enquanto os problemas urbanos de São Paulo forem só 'coisa de pobre', as tentativas de solução serão adiadas até o dia de São Nunca.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7398137140753176998-5206213745611916942?l=olharesloiros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/5206213745611916942/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/07/gilberto-o-interminavel.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/5206213745611916942'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/5206213745611916942'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/07/gilberto-o-interminavel.html' title='Gilberto, o Interminável'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TEW5f1M8fyI/AAAAAAAAARE/E7OQEKoigRk/s72-c/alcaide.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-4181997607834782738</id><published>2010-07-08T17:18:00.003-03:00</published><updated>2010-07-08T18:55:08.794-03:00</updated><title type='text'>Imitação da Arte</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TDZCxKclsQI/AAAAAAAAAQ8/IKaubEsOtYU/s1600/death.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 400px; FLOAT: right; HEIGHT: 292px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5491650208010187010" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TDZCxKclsQI/AAAAAAAAAQ8/IKaubEsOtYU/s400/death.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É de arrepiar a sinopse do filme "O medo do goleiro diante do pênalti", que Win Wenders dirigiu em 1971: "Baseado em obra de Peter Handke, o filme é centrado na figura do goleiro Joseph Bloch. Após ser substituído em uma partida, ele deixa o campo e passa a noite com uma atendente de cinema. Sem motivos, ele estrangula a moça na manhã seguinte".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Win Wenders, obviamente, não sabia nem poderia prever a existência do Goleiro Bruno do Flamengo - o rapaz perdeu sobrenome e ganhou essa marca registrada ao protagonizar uma das mais macabras tramas registradas pela imprensa nacional. Uma trama que ganha detalhes cada vez mais sórdidos a cada anoitecer e que requenta, de quebra, os preconceitos nossos de cada dia. Win Wenders deve ter feito um filme denso, como é em geral sua obra (eu não lembro de ter visto, só guardei o título, lindo). Mas nada que ele pusesse no roteiro no começo dos anos 70 chegaria aos pés da assustadora realidade que se revela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao contrário de Wenders, que usou sua obra para discutir a coexistência nem sempre pacífica entre homem e sociedade, o goleiro Bruno devia acreditar que a vida era outro tipo de cinema - aquele dos filmes de violência gratuita, em que se degolam pessoas como se passa manteiga no pãozinho. Bruno e seus amigos - Macarrão, Coxinha, Paulista e outros de apelidos semelhantes - enxergaram a paranaense Eliza como uma figurante qualquer num filme do Steven Seagall ou do Jean-Claude Van Damme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A figurante que, no começo, era apenas uma moça gostosa, disposta a se divertir e levar diversão aos jogadores - uma maria-chuteira, como dizem no futebol - resolveu ter fala no filme projetado na cabeça de Bruno e sua turma. Já não bastava ter engravidado? Eliza e Bruno tiveram suas noites de farra e da folia nasceu um garoto, cuja paternidade ela buscava reconhecer. Não devem ter sido conversas muito amenas, essas de Bruno e da possível mãe de seu filho. Eliza devia jogar pesado, como em geral jogam as meninas que se envolvem com esses caras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo poderia ter acabado em relativa paz. Ele pagaria a pensão do moleque, a mulher faria caras e bocas, mas o aceitaria de volta, e Eliza continuaria sua saga de colecionadora de fotos com jogadores. Aqui e ali surgem comentários sobre a vida assanhada da moça, que teria feito filme pornô e tudo. É como se cada cena de sexo reduzisse a culpa de seus assassinos e explicasse, por si só, o crime.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O erro trágico de Bruno e Eliza foi ter seus caminhos misturados aos de figuras ensandecidas e sem a menor noção de limite entre vida e ficção. A figurante deu problema? Nós a matamos e atiramos seu corpo aos cães. Literalmente. O que passa na cabeça de alguém que faz isso? Eu tento imaginar o processo mental - sim, há um - que leva alguém a considerar as cenas de um filme de ação suficientemente plausíveis para ser colocadas em prática. Matar alguém já está além. Matar friamente, então. E o que veio a seguir, nem se fala. O que espanta é que não foi um cara sozinho que fez. Havia um grupo de homens em torno de uma moça. E será que nenhum deles por um instante que fosse pensou que aquilo poderia dar algum problema? Ou será que ele viu a cena como mais um filme de ação, em que o prédio explode e ninguém quer saber quem morreu ou quem matou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para completar o quadro de horror, o pai da vítima agora foi apontado como possível estuprador de menores no passado. E a mãe da moça morta, a mãe que sumira, voltou das brumas de avalon para reivindicar a posse do menino, agora um órfão que certamente terá direito à pensão do goleiro. Há sempre um interesse esquivo fazendo pulsar certos corações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E como se nada disso bastasse, o mundo do twitter se divide entre quem considere Bruno perseguido por que é preto e ex-favelado ou entre quem veja no caso inspiração para as mais insólitas piadas. No começo, algumas até que foram engraçadas - mas os detalhes surgidos dia a dia mostram que a turma de Bruno não estava pra brincadeira. E o riso, que já era amarelo, virou esgar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem querer, quem melhor resumiu a trama de horror foi o menor que entregou o crime todo. Quando saiu do bagageiro e surpreendeu a moça, na van do goleiro, o menor teria olhado pra ela e dito: "Perdeu, Eliza". Tantas outras Elizas, que empataram ou ganharam o jogo de virada, estão por aí, levando suas vidas, apresentando seus programas, esquiando em suas estações de esqui preferidas. Eliza acabou despedaçada num canil. Pois é. Eliza perdeu e perdeu feio. Foi seu erro. Até pra morrer é preciso não cometer certos pecados.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7398137140753176998-4181997607834782738?l=olharesloiros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/4181997607834782738/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/07/imitacao-da-arte.html#comment-form' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/4181997607834782738'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/4181997607834782738'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/07/imitacao-da-arte.html' title='Imitação da Arte'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TDZCxKclsQI/AAAAAAAAAQ8/IKaubEsOtYU/s72-c/death.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-3392165476216400258</id><published>2010-07-02T19:49:00.003-03:00</published><updated>2010-07-02T20:26:37.872-03:00</updated><title type='text'>A pátria descalça</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TC50Z50Ua2I/AAAAAAAAAQ0/s0hGNYwOi7o/s1600/DANIEL.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 400px; FLOAT: left; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5489452984177027938" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TC50Z50Ua2I/AAAAAAAAAQ0/s0hGNYwOi7o/s400/DANIEL.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Acabou nosso carnaval fora de época, nossa micareta uniformizada perdeu o fôlego. As camisetas cor de canário voltam para o fundo das gavetas e as bandeirinhas, penduradas como se vivêssemos numa festa junina ufanista, continuarão balançando até que o sol consuma suas cores e intenções. E do último jogo do Brasil nesta copa sul-africana vai me ficar na memória a expressão agoniada de Daniel Alves segundos antes de cobrar a falta que poderia dar a chance de um empate ao Brasil. Foi o mais lindo e triste olhar de toda a partida. Nos ombros daquele moço escoravam-se as esperanças de toda uma torcida. Não deu.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Curioso país este, que apoia suas alegrias em 11 pares de pés. Toda Copa eu sempre me pego pensando no quanto há de irreverente e infantil em paralizar tudo por causa de um jogo. Não sou contra, não. Pelo contrário. Acho divertido, mais que isso, acho subversivo fechar banco, escola, shopping, tudo aquilo que move a máquina capitalista, apenas para assistir a uma partida de futebol. Trocamos o que se convencionou chamar de sério pelo prazer de poder gritar gol como se aquilo fosse nos salvar a vida, pela alegria de abraçar quem estiver do lado, igualmente feliz por mais um ponto no placar. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Pena que nossa macunaimice seja nosso calcanhar de aquiles. Por essa disposição de trocar tudo por uma tarde de 0lho no jogo ou por três dias de absoluta folia carnavalesca, enfim, por nosso olhar sobranceiro às coisas sem graça da vida, por tudo isso é que nossos colonizadores - de ontem e de hoje - nos convenceram sobre nossa inferioridade nacional. Aos olhos dos países sérios, somos uma imensa taba em constante quarup. Nada mais equivocado do que aceitar passivamente essa opinião eurocentrada.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Nossos problemas não vêm de nossa disposição para a alegria e a exuberância. Nossos problemas vêm justamente dos que nos enxergam como meros espíritos infantis - como se ser infantil fosse defeito e não qualidade. Embora os explorados históricos fôssemos nós, aceitamos a crítica como quem tem uma eterna culpa no cartório. Duvidamos mesmo da sinceridade de nossa tristeza, no momento em que o juiz japonês apitou o fim da partida contra a Holanda.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Assumamos, senhores, que a tristeza foi autêntica. Um pouco histérica, reconheço. Exagerada, sem dúvida. Mas o que faz a infância mais divertida não é justamente a tendência ao exagero? Meio termo e juízo são vícios que adquirimos com o passar do tempo. E dos quais só nos livramos, dizem, quando a velhice chega. Hoje, na Avenida Paulista, as expressões eram de real desamparo. O Brasil tinha perdido um jogo, estava fora da Copa e a vida teria de voltar aos trilhos. De repente, o que seria um quase feriadão transformou-se novamente numa enfadonha tarde de sexta-feira.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O mais irônico é perceber que a tristeza não será dividida com quem perdeu o jogo. Boa parte da seleção do Dunga fica lá pelas Europas mesmo. Da mesma maneira que não despertaram toda nossa empatia, os jogadores parecem lamentar ter perdid o prêmio em dinheiro e não o orgulho de ter bordado mais uma estrela no uniforme. Permanecem distantes de nossa cara de cachorro que caiu da mudança, alheios à nossa fossa. Que logo passará, é verdade, porque crianças não guardam mágoa por muito tempo. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7398137140753176998-3392165476216400258?l=olharesloiros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/3392165476216400258/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/07/patria-descalca.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/3392165476216400258'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/3392165476216400258'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/07/patria-descalca.html' title='A pátria descalça'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TC50Z50Ua2I/AAAAAAAAAQ0/s0hGNYwOi7o/s72-c/DANIEL.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-8803801682855073530</id><published>2010-06-29T16:23:00.004-03:00</published><updated>2010-06-29T16:37:20.317-03:00</updated><title type='text'>Valeu, Guzik!</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TCpK0PwOCkI/AAAAAAAAAQs/Mqw6-rjnObM/s1600/guzik.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 266px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5488281357346802242" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TCpK0PwOCkI/AAAAAAAAAQs/Mqw6-rjnObM/s400/guzik.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Eu pensei em escrever várias coisas sobre o Alberto Guzik, o mix de professor, crítico, jornalista, autor e ator que morreu sábado. Mas tudo, tudo o que eu pensei, ou resvalava num chororô melodramático, ou revelava a pouca intimidade que eu e Guzik tínhamos. Nós nos dávamos muito bem, é bom que se diga. Eu via as peças dele, ele via as minhas, a gente sempre se festejava quando nos encontrávamos. Aliás, ele foi o primeiro incentivador destes olhares loiros, falava pra meio mundo na Praça Roosevelt. Mas não fomos amigos, no sentido mais íntimo da palavra. Calhou de ter sido assim.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Tenho várias imagens guzikianas na minha cabeça - ele no Jornal da Tarde, ele no refeitório do Estadão, ele caminhando com seus glocs pela Rua Augusta... - mas a que ficará mesmo é a de uma palestra que ele deu para o Núcleo dos 10, um conglomerado de candidatos a dramaturgos orientados pelo Luis Alberto de Abreu, e do qual faziam parte Marici Salomão, Beatriz Gonçalves, Nelson Baskerville, Michel Fernandes, Filastor Brega e eu, entre vários outros. Uma noite, o Guzik topou ir até lá e falar com a gente sobre teatro, arte, literatura - assuntos que ele dominava como poucos. Foi um bate-papo lindo, com o Guzik falando do papel de antena que os artistas têm. Da necessidade que a sociedade tem da arte, assim como tem da saúde, da educação e do transporte. Da nossa função e missão nesse formigueiro.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Lembro que, no final, dei carona pra ele. Na conversa, eu falava do dilema entre trabalhar no jornal e escrever teatro, quando ele - diante de um sinal fechado - me olhou sério: "Marinho, nem tente escapar: você é um artista e tem obrigação de levar isso adiante". Foi algo meio assim, forte, sem margem para discussões. Até hoje lembro do tom da voz. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Mas o que eu gostaria mesmo de falar sobre o que foi receber a notícia da morte do Guzik alguém já escreveu. Sergio Roveri postou em seu blog um lindo texto sobre o amigo que partiu. Não ousarei fazer minhas as palavras do Sergio, mas me permito convidar os leitores destes olhares loiros a ler o Só no Blog. O link é &lt;a href="http://www.roveriblog.blogspot.com/"&gt;http://www.roveriblog.blogspot.com/&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7398137140753176998-8803801682855073530?l=olharesloiros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/8803801682855073530/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/06/valeu-guzik.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/8803801682855073530'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/8803801682855073530'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/06/valeu-guzik.html' title='Valeu, Guzik!'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TCpK0PwOCkI/AAAAAAAAAQs/Mqw6-rjnObM/s72-c/guzik.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-671398490521339966</id><published>2010-06-22T16:47:00.002-03:00</published><updated>2010-06-22T16:52:42.796-03:00</updated><title type='text'>Tá no fim! Corre!</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TCEUdzeWCYI/AAAAAAAAAQk/NphBb-_Jyr0/s1600/Mazzaropi+Flyer.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 275px; DISPLAY: block; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5485688323380218242" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TCEUdzeWCYI/AAAAAAAAAQk/NphBb-_Jyr0/s400/Mazzaropi+Flyer.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A temporada paulistana de "Hoje tem Mazzaropi" tá chegando ao final. Acaba domingo, dia 27. Ainda dá pra assistir na sexta (21h30), sábado (21h) ou domingo (20h). O Teatro União Cultural fica na Rua Mário Amaral, 209, próximo ao Metrô Brigadeiro. Tem estacionamento conveniado. E os ingressos custam de 20 a 40 reais.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;É uma montagem que me dá prazer assistir, porque o elenco todo - Júlio Lima, Iara Jamra, Dani Mustafci, Maria Carolina Dressler, Silvia Poggeti e Beto Galdino - dá show.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A peça recebeu elogios do Jefferson del Rios, no Estadão, e do Dirceu Alves, na Vejinha. E do Luiz Carlos Merten, em seu blog (leia abaixo). &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Apareça lá, será um prazer.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="Hoje tem marmelada? Não, Mazaropi!" href="http://blogs.estadao.com.br/luiz-carlos-merten/hoje-tem-marmelada-nao-mazaropi/"&gt;Hoje tem marmelada? Não, Mazaropi! &lt;/a&gt;&lt;br /&gt;por luizmerten&lt;br /&gt;Seção: &lt;a title="Ver todos os posts em Sem categoria" href="http://blogs.estadao.com.br/luiz-carlos-merten/category/sem-categoria/" rel="category tag"&gt;Sem categoria&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;21.junho.2010 21:50:35&lt;br /&gt;Fico sempre em dúvida se digo ‘a’ Reserva Cultural ou ‘o’ Reserva. Afinal, é cinema, masculino. Fui ontem rever ‘O Profeta’ no Reserva, após o jogo do Brasil. Não havia muita gente – a Copa do Mundo é péssima para o negócio do cinema, mas eu insisto que vocês vejam o filme de Jacques Audiard com Tahar Rahim. Puta filme bom. Já havia gostado (muito) quando o vi em Cannes, no ano passado. Ontem, gostei mais ainda. E como é triste! A solidão do personagem, que consegue unir todo mundo contra, me destroçou, mas o final é ótimo. Não conto para não me acusarem depois de tirar a graça. Estou em casa, e cansado. Corri muito nesta segunda-feira, primeiro para tirar meu visto do México, depois para entrevistar a atriz de ‘Flor do Deserto’. Que que é aquilo? Mulher mais linda, e inteligente, afetiva. Ainda não postei nada sobre ‘Hoje tem Mazaropi’. O novo texto de Mário Viana está no Teatro União Cultural. Não sei se gosto tanto de Mazaropi quanto da representação que fazem dele outros artistas. Havia adorado ‘Tapete Vermelho’, de Luiz Alberto ‘Gal’ Pereira, com Matheus Nachtergaele como um pai que rasga coração para introduzir o filho pequeno no universo de Maza. O texto de Mário Viana agora imagina um primo do cômico e sua filha que não tem um pingo de talento, mas quer ser ‘artista’. Como Mateus Nachtergaele, Júlio Lima cria um Mazaropi marasvilhoso. E o texto é ingênuo na medida certa, jogando com o maniqueísmo de forma inteligente. O próprio Mário Viana estava no teatro no sábado à noite. Trabalhei com o Mário no ‘Estado’. Como autor, adora uma escatologia. Ele definiu ‘Hoje Tem Mazaropi’ com seu texto mais familiar e eu acrescento – ‘em termos’. Numa das cenas, em busca da filha que partiu, Maza, a mulher e a irmã da garota vão parar na fazenda de um coronel que acaba de morrer. Seu filho aparece carregando um ‘trabuco’ no meio das pernas, uma indecência divertida, bem como o Mário gosta. Como o texto é cifrado, cheio de referências – para quem quiser identificar – fiquei pensando se não será, aquele ‘exagero’, por causa de Davi Cardoso, que usava umas calças muito apertadas, com a genitália escancarada. Era um perigo, o cara. Não por isso, claro, mas vejam o espetáculo. É bonito. E o Maza merece, com seu jeca que virou emblema do humor caipira – e popular – brasileiro. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7398137140753176998-671398490521339966?l=olharesloiros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/671398490521339966/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/06/ta-no-fim-corre.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/671398490521339966'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/671398490521339966'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/06/ta-no-fim-corre.html' title='Tá no fim! Corre!'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TCEUdzeWCYI/AAAAAAAAAQk/NphBb-_Jyr0/s72-c/Mazzaropi+Flyer.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-2241246187910280143</id><published>2010-06-19T19:16:00.003-03:00</published><updated>2010-06-19T19:25:50.242-03:00</updated><title type='text'>Memórias de Viagem - Saramaguianas</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TB1DdVR32eI/AAAAAAAAAQc/YxHY_KJOIJ0/s1600/Mafra+Fachada.JPG"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5484614092414507490" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TB1DdVR32eI/AAAAAAAAAQc/YxHY_KJOIJ0/s400/Mafra+Fachada.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Esta é especial. Em 2007, realizei um sonho nascido quando li "Memorial do Convento" - aquele que sugeri ao meu ex-chefe que me desse, quando me mandou embora. Estive em Portugal e fui visitar o convento de Mafra, o convento do memorial. O prédio cuja construção inspirou o escritor José Saramago é lindo, enorme, megalômano. Mal se consegue imaginar o príncipe dom João puxando terços pelos corredores, enquanto a rainha dona Maria gritava, alucinada, em outra ala. A Carlota Joaquina, princesa, ficava em Queluz, bem longe da família real.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A visita a Mafra - que fica a uma hora e pouco de Lisboa, dá pra pegando um ônibus que sai da estação República do metrô alfacinha - deve ser guiada. Lembro que a guia que nos acompanharia reuniu o grupo - havia vários ingleses e outros anglo-falantes - e avisou: "Vou acompanhar-vos durante a visita, mas nem adianta perguntar-me nada, pois sou agente de segurança e não guia turístico". Não satisfeita em proferir isso em português, a moça traduziu tudo direitinho pro inglês.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O começo foi estranho, mas a visita foi bem legal. Recomendo vivamente - assim como aviso pra não perderem tempo e correrem até a doçaria em frente, onde se fabricam (se não me falha a memória) fradinhos, que são uns doces de gemas d'ovos, amêndoa e toneladas de açúcar. Misteriosamente, não afetam a glicemia de ninguém. Devem ser docinhos bentos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7398137140753176998-2241246187910280143?l=olharesloiros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/2241246187910280143/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/06/memorias-de-viagem-saramaguianas.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/2241246187910280143'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/2241246187910280143'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/06/memorias-de-viagem-saramaguianas.html' title='Memórias de Viagem - Saramaguianas'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TB1DdVR32eI/AAAAAAAAAQc/YxHY_KJOIJ0/s72-c/Mafra+Fachada.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-8268384338512168080</id><published>2010-06-18T17:25:00.004-03:00</published><updated>2010-06-18T18:25:32.035-03:00</updated><title type='text'>O evangelista</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TBvaX-ZUsxI/AAAAAAAAAQU/Inwrry4YMN4/s1600/sara.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 101px; FLOAT: left; HEIGHT: 124px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5484217076674769682" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TBvaX-ZUsxI/AAAAAAAAAQU/Inwrry4YMN4/s400/sara.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Eu devia ter desconfiado quando escutei alguém comentar na academia de ginástica: "O Saramago, é?" Onde eu estava com a cabeça para achar que, em pleno dia de revanche sérvia sobre a Alemanha, alguém ia ter cabeça pra pensar em José Saramago se não fosse por um só motivo... Descobri só no fim da tarde, ao chega em casa, que Saramago morreu.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ok, não dá pra dizer que a morte de um homem de 87 anos, com a saúde frágil, nos pegue de surpresa. Mas que chateia, chateia e muito. Se a gente for pensar na lista de calhordas, malfeitores e escrotos que povoam o mundo, haveria muito mais candidatos ao cargo de morto ilustre de hoje. Só que nem tudo na vida segue uma lógica - aliás, quase nada. Aceita-se e pronto. Com a morte não se discute.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Saramago começou a escrever tarde. Quer dizer, tentou escrever cedo, mas seu primeiro romance é bem meia-boca. Ele mesmo reconhecia. Ao contrário de muita gente que insiste em depurar a própria mediocridade à custa dos leitores incautos, Saramago trabalhou muitos anos como jornalista até criar coragem e, já passado dos 50 ou perto disso, retomar a leitura. A maturidade fez um bem danado ao escritor.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Saramago já era um nome conhecido e ainda não tinha passado por minhas mãos. Eu sou sempre meio lerdo pra conhecer "autores novos". Mas um dia, em 1998, o meu então editor me chamou à sala dele pra me demitir. Acho que fui a primeira pessoa que ele demitiu na vida e isso deixa demitidor bem desconfortável. Eu me mantive calmo - não porque não precisasse do emprego, mas porque não nascera ali dentro e poderia perfeitamente sobreviver fora de lá (o que se provou a mais pura verdade). Tentando me acalmar - quando quem estava nervoso era ele - o chefe disse um tipo de "se eu puder fazer alguma coisa...". Em sua mesa, havia um pacote de livros que ele ganhara do Círculo do Livro e, entre os livros, "Memorial do Convento". Pedi o livro como uma espécie de "lembrança dos bons tempos" e ele nem discutiu. Meu primeiro Saramago veio assim, meio chantagem, meio truque.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Li o livro enquanto fazia um frila pro Estadão, em Foz do Iguaçu. As primeiras páginas causaram estranhamento, o que esse homem tem contra o ponto, meu Deus? Até que entendi o ritmo, comecei a respirar conforme o texto e a 'ouvi-lo' com sotaque lusitano. Saramago tem humor, sonoridade lusa, é uma perfeição de estilo. De lá pra cá, li coisas lindas dele: "História do Cerco de Lisboa", "A Jangada de Pedra", "O Evangelho segundo Jesus Cristo", "Ensaio sobre a Cegueira". Foi um belo reencontro com a literatura portuguesa e que me estimulou a redescobrir muitos autores brasileiros.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Nem tudo o que ele escreveu era bom. As peças de teatro eram barrocas. E alguns romances... enjoadinhos. Saramago virou uma persona, um esquerdista de plantão, o velho sábio da montanha. Mas volta e meia, saía alguma coisa legal. Lembro que, durante o lançamento de "O Evangelho...", ele contou que vira o título ao passar por uma banca de jornal em Sevilha. Alguns passos depois, a ficha caiu, a expressão era o máximo e ele voltou pra reler. Não encontrou nada, mas ficou com o título na cabeça. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Dele, lembro sempre de uma coisa linda que ele escreveu sobre a mulher, Pilar. Disse que valeu a pena ter vivido até depois dos 60, para poder conhecê-la. Ele disse, obviamente, de um jeito mais bonito e poético e é muito bonito. Está nos Cadernos de Lanzarote, caso alguém se anime.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;De Saramago basta saber que deixou lindos livros, que soube burilar e mexer com a língua portuguesa. Para quem gosta de escrever e ler, ele foi um dos grandes. Nos dias que correm, isso já é um presente dos deuses.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7398137140753176998-8268384338512168080?l=olharesloiros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/8268384338512168080/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/06/o-evangelista.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/8268384338512168080'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/8268384338512168080'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/06/o-evangelista.html' title='O evangelista'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TBvaX-ZUsxI/AAAAAAAAAQU/Inwrry4YMN4/s72-c/sara.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-6026934494031023650</id><published>2010-06-13T20:12:00.004-03:00</published><updated>2010-06-13T20:49:26.884-03:00</updated><title type='text'>Doze de Junho</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TBVo6b9922I/AAAAAAAAAQM/nTOua3bXuuw/s1600/lap.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 400px; FLOAT: left; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5482403474542812002" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TBVo6b9922I/AAAAAAAAAQM/nTOua3bXuuw/s400/lap.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem data que fica na memória. 12 de junho, por exemplo, resplandesce no meu diário íntimo. Mesmo que eu quisesse esquecer, o sistema capitalista inteiro se mobiliza pra me lembrar que 12 de junho tá aí, tá chegando, não esqueça, etc etc. Num dia 12 de junho, 29 anos atrás, eu tomei meu primeiro avião. Acho que fazia sol, já não lembro. Mas não esqueço a data e toda vez que escuto uma música do Caetano, tenho uma fuga rápida para o pretérito mais que perfeito. "Minha mãe chorava em ai, minha irmã chorava em ui e eu nem olhava pra trás". No dia em que eu fui embora - de casa e do país - não teve nada demais. A não ser pra mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu primeiro voo foi para a Europa, a bordo de um avião da Lineas Aereas Paraguayas, a LAP. Naquele século, viajar de avião era chique. Viajar para fora do país era uma coisa. Viajar para a Europa, então, era tipo sonho dourado. Mesmo que fosse a bordo de um avião da LAP. O destino final era Madri, mas a passagem baratíssima dava direito a um percurso de romaria: Campinas (sim, saía de Viracopos) - Assunção - Salvador - Madri. Acho que a viagem durou umas 500 horas, mas era barato e, pra quem tava habituado a ir e voltar de Pernambuco em possantes ônibus da São Geraldo ou da Itapemirim, 500 horas eram bico. Era avião, ora bolas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A aeromoça falava qualquer idioma, menos português. Acho que não falava espanhol também. Devia ser guarani. Vejam que falta faz a cultura geral. Vai ver, era guarani e por isso ela não entendia quando eu pedia "água". "No compreendo". Meu Deus, como será água em espanhol? O Wanderley, que viajava comigo, remexia nas raízes familiares hispânicas e concluía que água era água. "No compreendo". Deve ser por isso que, atualmente, bebo água feito um camelo toda vez que embarco num avião. Trauma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi nessa viagem que descobri uma coisa fascinante. E assustadora. As asas dos aviões não são inteiriças. São feitas de pedaços que se dobram, abrem, mexem, tudo para fazer o bicho acelerar ou frear, quando pousa. Como eu não sabia disso, levei um puta susto quando o avião pousou em Madri e as asas começaram a se 'desmontar' para todo lado. Profeta da desgraça, eu só acertei em não sair gritando pelo avião, já que ninguém parecia se importar com o fato. Devia ser normal, mesmo que fosse esquisito. Era.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Juro que até hoje, toda vez que o avião pousa, eu olho as asas e lembro disso. Do meu susto. Fico contente em saber que ainda sobrevive em mim o capiau espantado, que saiu da zona norte de São Paulo para a Gran Via de Madri, sem nem imaginar que era verão na Europa e o sol custava a se por. Não falava espanhol, tatibitava no inglês, o francês não chegava ao oui, mon amour. E ainda assim eu embarquei naquele avião da LAP num dia 12 de junho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não vou me gabar nem cantar de galo, assumindo uma postura corajosa que nunca existiu. O corajoso desafia os medos e eu acho que nem medo tive. Não fazia ideia do que ia encontrar, ponto. Tava apaixonado, tava com sede de vida e fome de mundo. Minha agenda estava com as páginas em branco e o que ficou escrito nela foi porque uma coisa puxa a outra, a vida não para e tinha razão o Caetano quando cantava que era preciso estar atento e forte. Não havia tempo pra temer nada. Eu era um tropicalista na prática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uns meses depois daquele 12 de junho, eu caminhava sozinho por Lisboa, acho que pelo Rocio, no centro. Era noite e eu ia pro metrô, quando resolvi subir a pé a Avenida da Liberdade, olhando os turistas que tomavam seus drinques nos bares do passeio público. E eu sem um puto no bolso, a não ser o bilhete do metro. Havia muita estrela no céu - o céu de Lisboa é uma coisa inesquecível, de dia ou de noite, o motivo eu não sei, só sei que é. E eu, sozinho ali, cantarolando "Mamãe coragem", do Caetano. "A vida é assim mesmo, eu fui embora" e andava. "Eu vim, eu quis, eu fiz, seja feliz, mamãe, não chore". E eu chorei. A gente sempre chora no próprio parto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7398137140753176998-6026934494031023650?l=olharesloiros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/6026934494031023650/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/06/doze-de-junho.html#comment-form' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/6026934494031023650'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/6026934494031023650'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/06/doze-de-junho.html' title='Doze de Junho'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TBVo6b9922I/AAAAAAAAAQM/nTOua3bXuuw/s72-c/lap.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-1768829587574858778</id><published>2010-06-07T13:49:00.004-03:00</published><updated>2010-06-07T14:11:29.045-03:00</updated><title type='text'>O Simba Safári da Paulista</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TA0oBVPY2uI/AAAAAAAAAQE/Aodj-xd2p10/s1600/simba"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5480080324926429922" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TA0oBVPY2uI/AAAAAAAAAQE/Aodj-xd2p10/s400/simba" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TA0n23bb7PI/AAAAAAAAAP8/LPTU2KTL8co/s1600/simba"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;E eis que rolou mais uma parada ABCDEFGHIJKLMNOPQRSTUWVXZ (eu sempre erro a sigla, então já tasco o alfabeto inteiro, vocês escolhem). A Paulista e a Consolação ficaram tomadas, gente de todos os sexos se beijava adoidado - houve alguns casos até de beijos em trios e quartetos, e a música eletrônica mandou ver o tempo todo. Aprendi a lição do ano passado e desta vez fui totalmente franciscano: grana espalhada por vários bolsos, o celular guardado em casa e radar ligado pra qualquer aperto mais forte que algum amasso por interesse. Deu certo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Desta vez, fiquei também mais ligado nos trios elétricos. Alguns, como o do Casarão, mereciam um prêmio: todos os participantes estavam animadíssimos e fantasiados de lordes franceses ou algo que o valha, tudo branco. Dava um efeito legal na avenida, à luz do sol que se mostrou um simpatizante de primeira. O segundo carro a merecer aplausos foi o da drag Saletti Campari, a eterna Marilyn Monroe de Campina Grande. Agitada e agitadora, Saletti arregimentou a ex-prefeita Marta Suplicy, o apresentador Leão Lobo e atrizes do elenco de "Viver a Vida". Acho que foi o único carro (dos que eu vi) que tinha celebridade no topo. Os outros transportaram anônimos mesmo - e isso sempre foi o grande barato da parada paulistana: a festa é dos desconhecidos, dos comuns, dos eus e vocês.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O problema é quando os comuns são mal escolhidos. Vamos combinar uma coisa. O nego ganha um passe livre pra acompanhar a parada do alto de um trio elétrico e desfila pela avenida Paulista com expressão de quem está assistindo um torneio de gamão em Helsinque. Nem um sorriso, uma requebradinha que seja. Nada. O popular olhar de peixe morto, vocês lembram? Eu fico impressionado com isso.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Não acho que todo mundo deva sair pulando feito uma minhoca epilética a cada Lady Gaga ou Madonna... mas caramba, nem I Will Survive anima esse povo do alto dos carros. Em geral, são passageiros de carros bancados pela iniciativa pública - prefeitura, sindicato... São pessoas que parecem estar lá porque foram obrigadas. Será que alguém é obrigado a subir em trio elétrico?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Mas isso nem é o pior. O desagradável mesmo é quando o peixe-mortismo do olhar é substituído por uma certa abordagem antropológica. Lá do alto, eles olham a patuléia que - no asfalto - dança, canta, se beija e se embebeda de vinho Sangue de Uva (eu reparei no rótulo), enfim, a turma do trio olha a galera do asfalto como se visse uma manada de seres exóticos. Agem como se estivessem no Simba Safári, percorrendo devagar o reino das suricatas. Destinam aos anônimos pedestres um olhar de desdém, com se estranhos fossem os que vão à parada para se divertir.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Se alguém tiver acesso à organização da parada, pede pra eles serem mais seletivos na hora de distribuir o bilhete único dos trios. Quem quer fazer carão e pose de esnobe, que fique em casa. Ou no mesmo andar que a patuléia. Quem sabe a alegria contagie.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7398137140753176998-1768829587574858778?l=olharesloiros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/1768829587574858778/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/06/o-simba-safari-da-paulista.html#comment-form' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/1768829587574858778'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/1768829587574858778'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/06/o-simba-safari-da-paulista.html' title='O Simba Safári da Paulista'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TA0oBVPY2uI/AAAAAAAAAQE/Aodj-xd2p10/s72-c/simba' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-2762902985986928499</id><published>2010-05-30T15:19:00.004-03:00</published><updated>2010-05-30T15:46:03.576-03:00</updated><title type='text'>Édipos do avesso</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TAKuqrSc7PI/AAAAAAAAAP0/-jRKWzZfKuk/s1600/edipo.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 284px; FLOAT: right; HEIGHT: 363px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5477132145033800946" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TAKuqrSc7PI/AAAAAAAAAP0/-jRKWzZfKuk/s400/edipo.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que acontece com os pais atualmente? Eu sempre acreditei que pai fosse não somente o gerador do filho, mas o que cuida, o que zela e protege. Por isso, tantos homens tremiam na hora de ser pais - como assumir tamanha responsabilidade de criar e orientar um ser que dependerá do adulto para tudo, pelo menos nos primeiros anos de vida...? Começo a achar que essa linha de raciocínio - ou esse temor, como queiram - anda completamente fora de moda. Caducou. Tá out.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro, o casal Nardoni. Tem como conceber a imagem de um pai pendurando a própria filha pela janela e deixando-a cair do alto do prédio? Radical, eu não conseguiria fazer uma coisa dessas com nenhum ser vivo, imagine se fosse... Impensável. O sujeito tem de estar fora do esquadro, desalinhado da vida, perdido no tempo e no espaço de si mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, fiquei sabendo de um caso em Recife, ocorrido há 21 anos. O marido matou a ex-mulher a tiros e ainda atirou nos dois filhos (na época, com 5 e 2 anos). A menina foi atingida no ombro e o garoto na cabeça - parece que ele perdeu os movimentos de um dos lados do corpo (tem uma entrevista com a garota na Folha de hoje).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duas décadas depois, o assassino confesso ainda não foi julgado, pois a defesa sempre consegue adiar com alguma maracutaia jurídica. E o pai do criminoso, que é um velho advogado criminalista, já declarou que o filho fez muito bem em matar a mulher porque ela o traía. "Se não matasse, não comia na minha mesa", disse o avô das crianças órfãs e feridas. Dá pra imaginar que tipo de criação um biscuit desses deu ao filho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Semana passada, em Porto Alegre, um pai esfaqueou a filha, de 3 meses, alegando... Nem sei o que ele alegou. Você não tem o que alegar quando esfaqueia um bebê. Legítima defesa? A menina morreu dias depois e os jornais pararam de noticiar a história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E este fim de semana, as manchetes ficaram por conta do cara de Mato Grosso que contratou pistoleiros pra darem cabo do filho, por causa de um prêmio da mega sena. O pai e um outro filho teriam tramado tudo, pra ficar com os 28 milhões que o rapaz ganhou e que estão depositados na conta do pai. A notícia completa é ainda mais louca: o filho em questão está sendo julgado por homicídio. Durante um bingo beneficente, ele se confundiu ao cantar um número e se ofendeu com os comentários de um sujeito na plateia. Sacou o revólver, começou a atirar, não matou o ofensor, mas acertou um outro coitado na cabeça. Quer dizer, nesse caso pai e filhos quase que se merecem. Ou pelo menos explicam a existência um do outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De todo modo, são histórias que me deixam perplexo. A violência por si já é espantosa e inexplicável. Mas quando se volta para alguém do nosso sangue assume proporções de tragédia. Muito antes de ameaçar a frágil economia europeia, os gregos acertavam a mão escrevendo histórias que até hoje nos comovem. Édipo, que matou o pai e dormiu com a mãe. Medeia que, traída pelo companheiro, matou os dois filhos para se vingar.  Prometeu, que roubou o fogo dos deuses para dá-lo aos homens. Mitos que continuam se reproduzindo nos noticiários do mundo inteiro, com uma violência cada vez maior e mais injustificável. E agora, sem a grandeza salvadora da poesia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7398137140753176998-2762902985986928499?l=olharesloiros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/2762902985986928499/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/05/edipos-do-avesso.html#comment-form' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/2762902985986928499'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/2762902985986928499'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/05/edipos-do-avesso.html' title='Édipos do avesso'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TAKuqrSc7PI/AAAAAAAAAP0/-jRKWzZfKuk/s72-c/edipo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-2121288870114647405</id><published>2010-05-24T22:11:00.005-03:00</published><updated>2010-05-24T23:26:50.177-03:00</updated><title type='text'>Memórias de viagem 3 - Bangcoc</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/S_sv6iQJmFI/AAAAAAAAAPs/Ea3sB1N1Ss4/s1600/IMGP1313.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 400px; FLOAT: left; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5475022454672431186" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/S_sv6iQJmFI/AAAAAAAAAPs/Ea3sB1N1Ss4/s400/IMGP1313.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;De março pra cá, o mundo virou de ponta-cabeça na Tailândia. Bangcoc, a cidade feia mais interessante do mundo, já fora tomada pelos camisas-vermelhas quando estive lá - mas tirando uma vez em que os revoltosos pintaram a casa do ministro com sangue, as manifestações eram pacíficas. Essa do sangue, apesar do mau gosto, também não foi violenta - os caras passaram a noite doando o próprio sangue, que era recolhido em baldes e transformado em "tinta", vocês podem imaginar o cheiro que deve ter ficado.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Agora, as pessoas morrem durante os protestos e o governo ordena toque de recolher. Não deve estar fácil fazer turismo - sempre tem um alemão desavisado - na Tailândia. Pode-se ficar protegido sob o teto dos hoteis bacanas, mas isso é pra quem tem bala na agulha. Um percentual muito grande dos turistas que desembarca em Bangcoc é mochileiro puro. As coisas lá, em geral, são muito baratas. Os mochileiros caminham para cima e para baixo da Khao San Road, uma espécie de 25 de março da turistada alternativa (e onde se pode comprar camisetas bem legais e comer um crepe de banana feito na hora, delicioso), às vezes fazendo massagem nos pés, outras procurando uma lan house ou uma pousada de preço camarada. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Bangcoc é uma cidade maluca. O rio Chao Phraya serve de meio de transporte, barcos coletivos ligam uma ponta à outra, a passagem custa bem barato e é incrivelmente fácil de se mexer - mesmo não sabendo uma palavra daquela língua deles. No centro histórico, o palácio real e vários templos - do Buda Deitado, do Buda de Ouro, do Buda de Jade... - são um delírio arquitetônico. No centro moderno, avenidas largas, metrô aéreo e prostituição feminina e masculina convivem com restaurantes populares ao ar livre e camelôs de tudo quanto é tranqueira 'importada' da China. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Seguindo a linha do metrô, você pode tanto ir jantar no Lemongrass, um restaurante de comida tailandesa tradicional (isto é, apimentada até arder na alma da sua bisavó), ou no Cabbages &amp;amp; Condoms, um restaurante temático - o tema é camisinha -, que destina parte de seus lucros a programas de planejamento familiar. O restaurante serve comida tailandesa também, apimentada também, mas a decoração lembra um Famiglia Mancini com delírios de grandeza. É enorme, iluminado e muito legal. E bem intencionado, ainda por cima. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas o metrô também leva ao Mercado Chatuchak, onde convivem (leio no guia) 6 mil barracas de tudo quanto é artigo vendável: artesanato, tempero, camiseta, toalha, almofada, roupa cafona e panela de inox. De lá, pode-se visitar a Casa Museu de Jim Thompson - esse Jim era um americano que investiu na pesquisa de fiação de seda. O cara chegou à Tailândia como soldado da Segunda Guerra e acabou virando um dos maiores empresários do país, amigo da família real e dono de uma casa lindíssima. Nos anos 60, ele foi visitar amigos no interior e desapareceu. Sumiu sem deixar vestígios nem herdeiros. Por iniciativa de uma das princesas, a casa foi transformada em fundação e hoje administra a melhor loja de artigos de seda do país. E a visita à casa é muito legal - especialmente se termina no restaurante do museu, tomando cerveja bem gelada.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E entre o museu e o mercado, você desce no meio de umas esculturas modernas espalhadas pela rua. É o caso do cesto de lixo gigante, aí da foto, no qual fui parar. Nesse dia, os camisas vermelhas fizeram uma carreata pela cidade e foram bastante aplaudidos pela população pobre em geral. Com suas bandeiras vermelhas defraldadas, seu sorriso aberto no rosto e sua vontade de gritar o que pensam, eles lembravam os primeiros tempos do PT, lá nos anos 80. Agora, infelizmente, a coisa desandou. E eu confesso que saí de lá sem saber se a causa deles era justa ou não. Só sei que achei muito maluco esse número de pintar parede com sangue. Se a moda pega...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7398137140753176998-2121288870114647405?l=olharesloiros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/2121288870114647405/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/05/memorias-de-viagem-bangcoc.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/2121288870114647405'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/2121288870114647405'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/05/memorias-de-viagem-bangcoc.html' title='Memórias de viagem 3 - Bangcoc'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/S_sv6iQJmFI/AAAAAAAAAPs/Ea3sB1N1Ss4/s72-c/IMGP1313.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-6503109788947945239</id><published>2010-05-20T12:54:00.003-03:00</published><updated>2010-05-20T13:12:06.329-03:00</updated><title type='text'>Síndrome de São Tomé</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/S_Vef9vJmdI/AAAAAAAAAPk/6EFVq8vKgFg/s1600/tome"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 292px; FLOAT: right; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5473384825379985874" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/S_Vef9vJmdI/AAAAAAAAAPk/6EFVq8vKgFg/s400/tome" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Por que a gente é tão desconfiado? Por que uma pessoa tão otimista como eu lê no jornal que o Senado aprovou por unanimidade o Projeto Ficha Limpa e não sai comemorando feito torcedor do Santos após cada gol dos meninos? Por que diabos a gente tenta descobrir o que há por trás de cada ação anunciada na imprensa? Em que ponto da história, da nossa história nacional, a classe dirigente e política pegou o desvio que nos colocou definitivamente de pé atrás?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Eu sei que ser ingênuo é até bonitinho, mas dá muito trabalho. Decepcionar-se com o seu candidato deveria constar naquela lista de coisas que causam estresse. É por isso que mantemos a pulga em plantão permanente atrás da orelha, para não sermos surpreendidos por um passo em falso de quem deveria ser nosso alvo de confiança. "Eu sabia...", frase dita com um misto de descaso e conformismo, torna-se quase um mantra nos dias que correm.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Deputados e senadores, surpreendidos pelo abaixo-assinado de 1,6 milhão de cidadãos, enfiaram a viola no saco e aprovaram o projeto Ficha Limpa. Em tese, condenam seus pares atuais e futuros a não poder se candidatar caso sejam condenados juramentados da Justiça. É claro que a coisa não é tão simples como eu escrevi, tem uma série de 'senões', além dos que a lei vai ganhar até finalmente ser sancionada. De repente, inventam que a lei só vale pra deputado condenado por juiz cujo nome comece por Y. Vai saber.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Aprovar na Câmara também é uma malandragem. Olha a desconfiança de novo. Uns políticos ligados ao governo chegaram a dizer que ainda não era hora de aprovar a Ficha Limpa... uma demonstração que chegar ao Poder elimina qualquer resquício de caráter em certas almas (que, certamente, já não era muito católicas antes... o Poder só agravou a coisa)... &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Caso o presidente quisesse agradar aos seus, teria de vetar a lei, o que daria um tremendo prejuízo de imagem em ano eleitoral. Caso aprove, Lula pode provocar muxoxos em muitos aliados, que carregam uma ficha mais suja que as ruas de São Paulo ao fim da Virada Cultural. É uma sinuquinha, convenhamos, mas quem se dispõe a acalmar os ânimos do Irã não se assusta com um romerojucá qualquer.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Eu queria confiar mais e abrir, não um champanhe, que não sou besta, mas pelo menos uma cervejinha e dizer: os deputados e senadores acordaram, criaram vergonha, deram-se ao respeito. Infelizmente, não consigo. Deixa a cerveja na geladeira, esperando que a realidade política se mostre mais positiva.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Mas que foi legal, foi.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7398137140753176998-6503109788947945239?l=olharesloiros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/6503109788947945239/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/05/sindrome-de-sao-tome.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/6503109788947945239'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/6503109788947945239'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/05/sindrome-de-sao-tome.html' title='Síndrome de São Tomé'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/S_Vef9vJmdI/AAAAAAAAAPk/6EFVq8vKgFg/s72-c/tome' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-7961059052495416534</id><published>2010-05-12T12:33:00.004-03:00</published><updated>2010-05-12T12:56:08.168-03:00</updated><title type='text'>Coisinha do pai</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/S-rL0HbZB9I/AAAAAAAAAPc/4TQZRC62JEY/s1600/bob-pai-bob-filho+(1).png"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 304px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5470408793602459602" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/S-rL0HbZB9I/AAAAAAAAAPc/4TQZRC62JEY/s400/bob-pai-bob-filho+(1).png" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não deve ser obra do acaso a presepada do Romeu Tuma Jr. misturar-se à indignação nacional com a seleção escalada por Dunga, entremeada por gangues de PM exterminando motoboys e matadores dando cabo de mendigos no Jaçanã... De cada notícia, sai um comentário, nasce um espanto, ali um fica indignado e mais adiante um outro não acha nada, porque essas coisas não são com ele. Sobre os cinco sem-teto chacinados esta noite, o governador Alberto Goldman soltou uma pérola: "Eles não faziam mal a ninguém". Quando um político acha que cinco pessoas dormindo sob um viaduto numa noite de 10 graus ou menos não fazem mal a ninguém - nem mesmo a quem deveria se importar com isso - é sinal que a coisa anda feíssima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tuma Júnior, com seu visual de dono de estalagem medieval, saiu da sombra do pai para estrelar um quadro do Casseta &amp;amp; Planeta. Ou do Zorra Total. Quem sabe, mesmo, uma cena no programa do Ratinho. Não é possível criar uma trama mais absurda do que a do encarregado de combater a pirataria ser unha-e-carne com o principal muambeiro do país. E agora, caído em desgraça, Tuma Júnior estrela qualquer acusação - da forçação de barra pro namorado da filha ser aprovado num concurso público (vejamos a coisa pelo lado bom: ele está zelando pelo futuro da menina) ao roubo de merenda em algum creche do Amapá, a coisa vai sobrar pra ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só não vai sobrar pro pai, porque o delegado e senador Romeu Tuma tem uma folha corrida cheia de elogios e tapas nas costas e do que se convencionou chamar bons serviços prestados ao país. Sejam ou não merecidos os elogios, o fato é que Tuma Pai sempre navegou tranquilo nas idas e vindas políticas. A traquinagem do Júnior vai abalar a imagem da família e essas coisas são danadas em agrupamentos de origem árabe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como cresceu em meio à noção de impunidade dos poderosos, Júnior não se abala. Oficialmente, saiu de férias para não ter de assinar o recibo de "suspenso para o bem das investigações". Era o que devia ser feito desde a primeira denúncia grave, mas o governo marcou touca, vai saber por quais laços de ternura. A troca de telefonemas entre Júnior e o chinês muambeiro é constrangedora pros envolvidos diretamente, pro governo que não tomou atitude e pro pai, que precisou vir a público declarar que a amizade sino-libanesa une as duas famílias há muito tempo. O cara foi chefe da Polícia Federal e traçava um churrasquinho com um importador de produtos ilícitos... Nem Odorico Paraguaçu chegou tão longe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto à seleção de Dunga, volto a afirmar que futebol não é minha praia. Pra mim, tanto faz se o gordo Adriano vai ou não. Se o Neymar é isso ou aquilo e se o Grafite vai se apagar na mão da primeira borracha argentina. Só sei que Dunga foi coerente com a terra em que vive. Se o encarregado de combater a pirataria compra game e celular por baixo dos panos, por que ele, Dunga - baixinho e gaúcho, ou seja, duplamente cabeça dura - vai ter de atender aos anseios da pátria de chuteiras? No Brasil, só quem leva opinião do público a sério é autor de novela.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7398137140753176998-7961059052495416534?l=olharesloiros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/7961059052495416534/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/05/coisinha-do-pai.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/7961059052495416534'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/7961059052495416534'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/05/coisinha-do-pai.html' title='Coisinha do pai'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/S-rL0HbZB9I/AAAAAAAAAPc/4TQZRC62JEY/s72-c/bob-pai-bob-filho+(1).png' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-6615578207804465123</id><published>2010-05-06T11:15:00.006-03:00</published><updated>2010-05-07T07:26:17.370-03:00</updated><title type='text'>Bonecas cobiçadas</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/S-LRH7HjxgI/AAAAAAAAAPU/ygHNCvgSnQs/s1600/boneca.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 400px; FLOAT: right; HEIGHT: 308px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5468162831639889410" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/S-LRH7HjxgI/AAAAAAAAAPU/ygHNCvgSnQs/s400/boneca.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Durou poucas horas a carreira de mãe de uma adolescente paulistana da zona leste. Do alto de seus 15 anos, ela vestiu um jaleco branco, embrenhou-se em uma maternidade e de lá surrupiou um bebê recém-nascido, dizendo à mãe biológica que a criança passaria por exames clínicos. Teve sangue frio e imaginação, a menina. Quando chegou em casa, os parentes estranharam a criança, apertaram e a adolescente confessou. A polícia foi acionada, o bebê devolvido à família verdadeira e tudo acabou bem. Acabou?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Leio nos jornais que a menina fez isso por frustração: há poucos dias, perdeu a criança que estava esperando, já no quarto mês de gestação. Uma menina de 15 anos grávida já é, por si, uma notícia incômoda. Pela imprensa, chegam os detalhes: era o segundo aborto espontâneo da menina. 15 anos, dois abortos, aumenta o incômodo. O Estadão chegou a dizer que o marido, de 51 anos, tinha ficado constrangido. E tascou isso como um fato comum. O marido, vejam só, teria 51 anos. 51. E isso não constrangia ninguém. &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Na sexta, o jornal deu a informação correta: 51 anos tem o pai da menina. O marido, pai dos dois filhos não nascidos, tem 'apenas' 18 - ou seja, também um menino.&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A menina se diz arrependida, a mãe biológica disse que perdoa a ladra, porque entende seu desespero. O juiz não entendeu assim e mandou recolher a menina a um reformatório ou algo do gênero. Não é a melhor solução, a gente sabe como são esses lugares. Mas também não dá pra deixar passar em branco. Uma pessoa não monta um espetáculo - comprou jaleco, fingiu-se enfermeira, criou uma história - sem imaginar que isso vá ter alguma consequência. Tem, sim. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas quem explica a história dessa menina? Ela, certamente, só difere de centenas de outras por ter, primeiro, abortado, e em seguida, ter roubado um bebê. Ainda outro dia, numa denúncia de suspeita de troca de bebês numa maternidade, a TV entrevistou um dos pais - um garoto, que mal tem idade para cuidar do irmão caçula. Reportagens informam que o número de adolescentes a caminho da sala de parto aumenta dia a dia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Por que isso acontece em escala cada vez mais assustadora? A maternidade é linda, eu imagino, especialmente quando é uma opção ou uma decisão tomada com consciência. E não como desculpa para sair de um lar esbagaçado para outro, certamente parecido. Às vezes, acho que a gravidez na adolescência é tão opcional quanto na idade madura. As informações sobre sexo, uso de camisinha e métodos anticoncepcionais podem não ser nenhuma maravilha, mas estão aí. Fala-se de sexo com mais desembaraço do que há 20, 30 anos. E, no entanto, a situação parece ter sofrido um recuo dramático.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Minha tendência é culpar a igreja e seu moralismo caduco, que impede um investimento maior na política de planejamento familiar. O governo também se esforça pouco para enfrentar o problema com seriedade. Mas também não sei se é só por aí. Só sei que daqui a alguns anos haverá um incontável número de pais e mães jovens, avós jovens, bisavós prematuros... Penso em como pais adolescentes criarão seus filhos... Alguém vai dançar na história - ou os filhos, que crescerão meio que ao deus-dará, ou os pais, que verão sua juventude traduzir-se em fraldas cheias de xixi e cocô. Não acho que haverá uma onda epidêmica de violência, suicídio ou depressão por causa disso. As pessoas se adaptam. Talvez esteja aí a raiz do problema.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7398137140753176998-6615578207804465123?l=olharesloiros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/6615578207804465123/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/05/bonecas-cobicadas.html#comment-form' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/6615578207804465123'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/6615578207804465123'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/05/bonecas-cobicadas.html' title='Bonecas cobiçadas'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/S-LRH7HjxgI/AAAAAAAAAPU/ygHNCvgSnQs/s72-c/boneca.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-7208241411462219606</id><published>2010-05-02T22:27:00.005-03:00</published><updated>2010-05-02T22:58:21.771-03:00</updated><title type='text'>É nóis na fita</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/S94rBtfXiGI/AAAAAAAAAPM/72iqqeHKLXo/s1600/chico.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 400px; FLOAT: right; HEIGHT: 267px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5466854306065385570" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/S94rBtfXiGI/AAAAAAAAAPM/72iqqeHKLXo/s400/chico.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;"Chico Xavier", também conhecido como "o um espírito baixou em mim do Daniel Filho", é um filme comovente que, em momento algum, questiona seu personagem-título. Quem acredita em espiritismo e seguia o medium mais famoso do Brasil vai ver o filme como uma espécie de atrasada homenagem a uma figura capital de nossa história recente. Quem não acredita na doutrina, nem no medium, não vai entrar no cinema. E quem não for tão radical, nem de um lado nem de outro, deve mesmo entrar no cinema e dar-se a chance de ver um ótimo filme.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;É um filme comovente, como eu disse, porque se propõe (e consegue) emocionar a plateia. O roteiro, que até poderia ser um tiquinho mais enxuto, abre espaço para ótimas interpretações. Há cenas arrepiantes ao longo do filme: a conversa do menino com o padre; o enterro do irmão, seguido pelo pai revoltado; o desabafo de Tony Ramos diante da mulher e, depois, do juiz... A gente pode sair de "Chico Xavier" sem abraçar o Espiritismo, mas sai com uma certeza: temos atores de primeiríssima nas telas. Basta seguir a composição que Angelo Antonio, Nelson Xavier, Tony Ramos e Cássia Kiss (numa aparição rápida, mas forte) fazem em cena. Vale o ingresso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Vale o preço também "As Melhores Coisas do Mundo", o mais recente filme de Laís Bodanski. Laís já tinha acertado a mão em "Bicho de 7 Cabeças" e "Chega de Saudade". Acerta de novo com este filme. O retrato que faz de um bando de adolescentes da classe média paulistana é bem bacana. Não apenas pela qualidade do retrato, mas por não se conformar em ser apenas um documentário. Há uma história boa no filme e é ela, a história, que nos prende, mesmo tropeçando aqui e ali. Há personagens de verdade e não apenas adolescentes: a mãe que se agarra aos conceitos teóricos de ética sem conseguir entender o que se passa com os filhos e com sua própria vida é um ótimo personagem, defendido sem histeria por Denise Fraga.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas são os meninos que garantem a força do filme. Já imagino e até ouço gente falando que o filme não retrata o "jovem brasileiro que vive na favela" ou alguma coisa assim. Não, o filme não quer saber de favela. Ele pega justamente a categoria social menos 'homenageada' pelos cineastas brasileiros, a classe média que tantas vezes nos envergonha. Mas a vergonha não deveria ser ser desculpa para afastá-la de nossos roteiros, lentes e focos. A classe média merece um lugar ao sol da arte, não necessariamente no papel de vilã. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Infelizmente, há uma tendência documental em nossos roteiros de cinema. O diretor acha que pelo fato de mostrar como um pobre vive e se vira, ele já está com o filme resolvido. Não tá, não. Muitos filmes das safras recentes do cinema nacional padecem desse mal: bons personagens, vividos por excelentes atores, sem uma trama que se sustente. É um mal que atinge "Sonhos Roubados", de Sandra Werneck. O filme é bacana, as meninas são ótimas e os atores veteranos esquentam a tela. Mas chega-se ao final com a pior pergunta que pode bailar nos lábios de um espectador: "e daí?"&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Saber que meninas de comunidades carentes engravidam cedo, vivem sem referência familiar digna do nome, são vítimas de assédio sexual por parte de seus parentes e, muitas vezes, acabam se prostituindo para ter acesso a bens de consumo... Desculpa aí, mas se você dedicar 30 minutos à conversa com a diarista vai descobrir histórias ainda mais cabeludas. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O problema é que nosso cinema é feito por gente que, na infância, comia maçã sem estar doente. Ou pelo menos tenta dar essa impressão, como se não houvesse outra gama de personagens e histórias. Existe, sim. Mas nosso cinema nasceu com alma de classe média e vergonha atávica da miséria social que nos cerca. Daí, sempre achar que personagem bom é sempre pobre-solidário-apesar-da-pobreza. Personagem rico vai pra novela e classe média, pro teatro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A classe média que se espanta com a humanidade que existe nos pobres é a saúva congênita do nosso cinema.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7398137140753176998-7208241411462219606?l=olharesloiros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/7208241411462219606/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/05/e-nois-na-fita.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/7208241411462219606'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/7208241411462219606'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/05/e-nois-na-fita.html' title='É nóis na fita'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/S94rBtfXiGI/AAAAAAAAAPM/72iqqeHKLXo/s72-c/chico.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-1864603814653108978</id><published>2010-04-30T08:20:00.003-03:00</published><updated>2010-04-30T08:25:09.771-03:00</updated><title type='text'>Mais uma estreia</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/S9q-CExaEoI/AAAAAAAAAPE/hsBwvW8qtkw/s1600/Mazzaropi+Flyer.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 275px; DISPLAY: block; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5465890040617505410" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/S9q-CExaEoI/AAAAAAAAAPE/hsBwvW8qtkw/s400/Mazzaropi+Flyer.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Essa noite vou voltar a sentir aquele frio na barriga. Quando as pessoas começam a chegar ao teatro e eu me dou conta que o processo é irreversível, que todos vão descobrir que não tenho humor nenhum, que perdi o ritmo, que isso e aquilo... E na hora em que as luzes da plateia se apagam, acende-se o palco e a peça começa... aí eu esqueço tudo e fico acompanhando a respiração da plateia, vendo onde ela ri, que piada se perdeu devido à pressa do ator ou à imprecisão do autor... Teatro é engraçado, porque ele só acontece ali, com ator e plateia trocando olhares, risos, pausas... "Hoje tem Mazzaropi" vem à luz essa noite, no Teatro União Cultural (Rua Mário Amaral, 209), até 27 de junho. Vai ser bom escutar a gargalhada da plateia de novo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7398137140753176998-1864603814653108978?l=olharesloiros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/1864603814653108978/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/04/mais-uma-estreia.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/1864603814653108978'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/1864603814653108978'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/04/mais-uma-estreia.html' title='Mais uma estreia'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/S9q-CExaEoI/AAAAAAAAAPE/hsBwvW8qtkw/s72-c/Mazzaropi+Flyer.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-9148156780934994027</id><published>2010-04-27T12:05:00.003-03:00</published><updated>2010-04-27T12:37:25.828-03:00</updated><title type='text'>Eterna lua-de-mel</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/S9cDbpjYU1I/AAAAAAAAAO8/eld2LO3DMZ4/s1600/sexo.bmp"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 400px; FLOAT: left; HEIGHT: 370px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5464840446382986066" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/S9cDbpjYU1I/AAAAAAAAAO8/eld2LO3DMZ4/s400/sexo.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O poder é afrodisíaco, dizem os que sonham em ser poderosos. A julgar pela mais recente declaração do ministro da Saúde, José Gomes Temporão, o governo leva o chavão muito a sério. A esta altura, todo mundo já leu a respeito no noticiário: ao lançar uma campanha de combate à hipertensão, o ministro receitou sexo cinco vezes por semana como forma de, digamos, deixar tudo em dia com o organismo. A nação quedou-se boquiaberta e com toda razão: não é sempre que alguém do governo, de qualquer governo, fala alguma coisa que preste. Para alergia dos carolas, Temporão ainda acrescentou um "com segurança" ao conselho de "meus filhos, trepai".&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Temporão entrou na fila de políticos que usam o sexo como argumento demolidor. Só pra ficar na gestão Lula, a então ministra do Turismo Marta Suplicy aconselhou às vítimas dos atrasos aéreos que relaxassem e gozassem. Na ocasião, pegou muito, muitíssimo mal o que soou como zombaria para com quem estava há mais de 40 horas esperando um vôo de 40 minutos. Marta pediu desculpa, mas a besteira já estava feita - e o que sempre foi um conselho de amigo em mesa de botequim ganhou envergadura de crime contra a dignidade nacional.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Políticos de outros partidos foram menos enfáticos com relação a conselhos sexuais, mas não menos entusiastas na prática do esporte. Haja visto que volta e meia aparece ex-presidente reconhecendo filho nascido fora do casamento e senador denunciado por atrasar a pensão milionária à filha bastarda e ministra alugando escritor consagrado pra botar a boca no trombone sobre seu caso com um colega. No passado, dizem mesmo que um certo ex-prefeito e ex-governador, atualmente com sérios problemas junto ao sistema financeiro internacional, também usou seus atributos sexuais junto a primeiras-damas assanhadas para galgar mais rapidamente as trilhas do poder. Deu certo (e isso não é trocadilho).&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;No Brasil, o sexo mistura-se ao poder desde 1500. Ou alguém esqueceu a menção entusiasmada que o escrivão Pero Vaz de Caminha fez das "vergonhas" de nossas índias - "altas, tão cerradinhas e nós, de tanto as olharmos, não nos envergonhamos". Caminha, hoje em dia, iria parar na cadeia por assédio sexual de incapaz, mas na época a única coisa fora do comum eram as tais vergonhas cerradinhas. O patrono do turismo sexual foi o primeiro laço de nossa brasilidade tropical com o sexo carnavalesco. Ou algo assim.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A receita de cinco doses de sexo por semana merece aplausos e adesões entusiasmadas, decerto, mas isso tá parecendo mais uma daquelas leis que não pegam. A não ser que haja patrulha fiscalizando. Ou seja, não pode beber antes de dirigir, nem fumar na balada - mas furunfar, pode. E deve. Ordem é ordem.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Mas uma coisa sobrou pendente da declaração do ministro. Pra combater a hipertensão, muita gente toma remédios. E esses remédios são conhecidos por anular (ou, pelo menos, reduzir bastante) a libido. Notaram a contradição? Ou bem você obedece ao ministro e cai na gandaia ou bem obedece ao médico e fica vendo a banda passar . A não ser que o ministro da Saúde esteja lançando uma campanha subliminar de combate à medicação exagerada. Pode ser. Danado, esse Temporão.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7398137140753176998-9148156780934994027?l=olharesloiros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/9148156780934994027/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/04/eterna-lua-de-mel.html#comment-form' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/9148156780934994027'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/9148156780934994027'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/04/eterna-lua-de-mel.html' title='Eterna lua-de-mel'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/S9cDbpjYU1I/AAAAAAAAAO8/eld2LO3DMZ4/s72-c/sexo.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-601530920656946140</id><published>2010-04-21T11:53:00.003-03:00</published><updated>2010-04-21T12:26:22.037-03:00</updated><title type='text'>A desembargadora e o pedreiro</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/S88XLeGgIEI/AAAAAAAAAO0/tJGglQ6fZ7g/s1600/cega.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 400px; FLOAT: right; HEIGHT: 281px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5462610358850035778" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/S88XLeGgIEI/AAAAAAAAAO0/tJGglQ6fZ7g/s400/cega.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Passei vários dias pensando no que escrever sobre o caso do pedreiro suicida de Luiziânia. O serial killer de meninos pobres, libertado por um juiz , matou seis moleques e, novamente preso, foi encontrado morto em sua cela, pendurado a dois metros do chão... Fala sério, ia escrever o quê sobre o caso? A história é tão cheia de nonsense e sangue... Qualquer comentário vira um pleonasmo e, aparentemente, só nos resta acompanhar de "olhos boquiabertos" (como escreveu uma repórter) as declarações do juiz, que dormia tranquilo por ter seguido a lei ao pé da letra. E que se danem as seis famílias enlutadas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Aí o pedreiro se matou e é claro que qualquer teoria conspiratória encontraria terreno fértil para germinar. Alguém viu na TV a corda que o pedreiro fez para se enforcar, usando retalhos do colchão? O homem era um talento desperdiçado, um artesão de mão cheia, um tecelão caprichoso, de raro senso estético. Era uma corda perfeita e todo mundo achou normal. É claro que no Brasil as autoridades têm o dom de transformar a realidade ao seu prazer e conveniência. Exceto pelas seis famílias enlutadas (desculpem tocar novamente nesses pobres chorões), todos dormem sossegados agora que o serial killer passou desta pra melhor. À família dele, até o momento, foi negado o direito do sepultamento, pois é preciso esperar o fim das investigações. Cruel, cruel.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;E chega a notícia de Santa Catarina, terra de gente loira e civilizada (dizem), onde tudo é uma amostra do país que poderia dar certo (também dizem). Lá, um rapaz apanhado numa blitz de trânsito, com o carro entorpecido de tantas multas não pagas, apela para a mãe - já que os rapazes de hoje não sabem fazer nada sem o apoio de pais superprotetores. A mãe correu para ajudar o filhote e, lá pelas tantas, do alto do clássico você-sabe-com-quem-está-falando, dá uma carteirada no PM. "Sou desembargadora do Tribunal de Justiça", ao que o PM responde: "Pois devia dar o exemplo e seguir a lei". É bem capaz desse policial atrevido perder o cargo e ser processado por ter peitado uma desembargadora.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Aproveito a ocasião para tentar esclarecer uma dúvida que me acompanha há anos: o que faz um(a) desembargador(a)? Desembarga? É tipo assim um comendador, que só 'comenda'?&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Em vez de se indignar com a carteirada, registrada em filme no celular de outro PM, a Associação dos Magistrados de Santa Catarina emitiu nota de apoio à colega, que teria sido ofendida por um vulgar policial militar. O espírito de corpo se sobrepõe à vergonha e à decência. Na notícia, a fulana já pagou as dívidas, que eram muitas, tirou o carro do Detran catarinense e sumiu sem dar notícia. No Brasil, quando autoridade carteirista some sem deixar rastro é sinal de culpa no cartório.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Isso me fez ficar pensando nas mães enlutadas de Luiziânia. E também na mãe do pedreiro serial killer. Tão mães quanto essa doutora, elas não tiveram chance de mostrar se também são superprotetoras, nem receberam alguma moção de apoio. Não sei se existe a associação das mães de meninos molestados por tarados libertados pela justiça... ou mesmo uma federação das mães de molestadores sexuais... Mas devo deduzir que elas também estão sofrendo e não têm como dar carteirada - com o RG puído, talvez? Mas RG sem pedigree não conta pra nada.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Agora que o rapaz, dizem, se matou, a coisa vai ficar por isso mesmo. Ninguém teve culpa de nada e os meninos morreram porque deram corda a um estranho... E daqui a uns 30 ou 60 dias, a família do pedreiro recolhe seu corpo congelado e enterra, sem tempo de avisar algum conhecido e até sem lágrimas nos olhos, porque até lá, secou tudo. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Não tive pena dele, não. Era um doente que deu o azar de encontrar pela frente uma equipe de profissionais incompetentes, preguiçosos e que julgam qualquer pobre merecedor apenas de descaso. Um doido a mais ou a menos na rua, que mal faz? Esse fez. Matou seis meninos e teria matado mais, se não fosse preso a tempo. Com a dele, são sete cadáveres na conta de profissionais - psicólogos, médicos, advogados, juízes -, cujos nomes mereciam ser expostos em praça pública, pra servir de exemplo e alerta. Sete famílias enlutadas são as credoras dessa fatura.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Enquanto isso, a desembargadora catarinense desembarga sua carteira pra salvaguardar o filhote dos PMs sem coração.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7398137140753176998-601530920656946140?l=olharesloiros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/601530920656946140/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/04/desembargadora-e-o-pedreiro.html#comment-form' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/601530920656946140'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/601530920656946140'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/04/desembargadora-e-o-pedreiro.html' title='A desembargadora e o pedreiro'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/S88XLeGgIEI/AAAAAAAAAO0/tJGglQ6fZ7g/s72-c/cega.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-8338499031694812417</id><published>2010-04-16T16:24:00.003-03:00</published><updated>2010-04-16T17:05:20.172-03:00</updated><title type='text'>Memórias de Viagem 2 - Adeus, lembrancinhas</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/S8jBkzCYKWI/AAAAAAAAAOs/wlbIS-r8u7Y/s1600/IMGP0398.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 400px; FLOAT: left; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5460827386106358114" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/S8jBkzCYKWI/AAAAAAAAAOs/wlbIS-r8u7Y/s400/IMGP0398.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A ficha caiu no meio da viagem, literalmente. Estava numa cidadezinha chamada Hoi An, no Vietnã, e fui conduzido a uma loja de sedas e de roupas feitas sob medida. Disparado, eram as roupas mais feias do mundo, uns ternos desconjuntados e uns vestidos que criariam poeira até em brechó de quinta. Saí de lá, percorri as ruas margeadas por lojas de artesanato... e me dei conta que, na verdade, o artesanato está acabando. Está em extinção, junto com a onça pintada e o sagui do topete verde (se é que existe um).&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Fiquei pensando nas últimas feirinhas de artesanato que já percorri - e eu confesso, adoro percorrer feirinha de artesanato desde o tempo em que a da Praça da República se chamava feira hippie. A cada ano que passa, os produtos são mais e mais iguais: no Nordeste, as mesmas estampas de camisetas percorrem todos os Estados, mudando apenas a identificação: Recife, Natal, Fortaleza... Bolsas de couro, caixinhas coloridas, alguns bonequinhos pornográficos - e nisso se resume a quase totalidade dos "artesanatos", que mais parecem feitos em série num torno mecânico de fundo de quintal.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Não é só no Brasil. Há 17 anos, a rua de Patpong, em Bangcoc, era um festival de roupas de seda e produtos de couro trabalhado a mão, lindos. (Era também a rua dos puteiros, onde as moças extraíam bananas, bolinhas de pingue-pongue e até giletes da vagina - mas isso não mudou, continua). As barracas agora vendem camisetas muito semelhantes às que você encontrará nos países vizinhos. Eu disse 'países' e não exagerei. Quando é o mesmo país, então...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Em Phuket, no sul da Tailândia, vi uma camiseta bem legal, que acabei deixando de comprar por preguiça - tem hora que você enjoa de barganhar cada compra, é um saco ficar discutindo preço até com chofer de táxi. Não me preocupei, porque acharia uma igual em Bangcoc. Dito e feito. Só que em vez de "estive em Phuket" vinha um "estive em Bangcoc"...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;No lugar das roupas de seda e artefatos de madeira, o que se vende agora? Cópias de relógios Rolex; camisetas Lacoste; cuecas Armani e calcinhas Dolce&amp;amp;Gabbana... A máfia das falsificações tomou conta das barraquinhas de suvenir - de Porto Alegre a Macau, de Belém a Dubai. Agora, em vez de colaborar pro orçamento de uma tiazinha bordadeira de Maceió ou Marrakesh, você ajuda a rede do crime organizado. Não, não é paranoia: se alguém ler "McMafia", de Misha Glenny, ou "Ilícito", de Moises Naim, vai entender o que eu estou falando. Comprar um Rolex falso pode ser uma onda divertida, mas para o nego que vende armas contrabandeadas do Tucurunduquistão pro Iraque, não é divertido, é lucrativo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Essa onda pegou força mesmo na China, país que não é nenhuma congregação de freiras descalças. Na terra dos mandarins, os caras têm a manha de falsificar até trem de alta velocidade - compraram o projeto alemão, que está em Xangai, lindo (liga a cidade ao aeroporto, a 32 km, em 8 minutos!) e logo copiaram pra construir um genérico em outra cidade. A coisa tá feia nos tribunais internacionais de marcas e patentes. Mas a mania espalhou e hoje todo mundo - mesmo o seu amigo mais careta - chega de Dubai ou Miami todo satisfeito exibindo roupas, relógios e tênis falsificados. Qual é o prazer disso? Exibir a marca ou a falsificação?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Em meio a tanto "lolex" (é como os orientais chamam o relógio, juro), há sempre um respiro. No Laos, o país mais pobre da velha Indochina, ainda sobrevive o mercado noturno de artesanato à moda antiga. Tá certo que Luang Prabang, a cidade mais bonita do Laos, parece ter parado em 1976: se não fossem as lan houses, você se sentiria em pleno território hippie. Todos falam baixo, todos respeitam você, ninguém te aborda na rua e tudo é meio paz-e-amor. Beleza pura. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O mercado noturno (&lt;em&gt;na foto&lt;/em&gt;) também é assim. Lá você ainda encontra toalhas de mesa feitas à mão, almofadas bordadas mesmo e esculturinhas de gosto duvidoso, porém autênticas. Ah, encontra também camisetas feitas em série - mas que só são vendidas na cidade... Em Luang Prabang, o império das falsificações ainda não chegou à avenida principal.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7398137140753176998-8338499031694812417?l=olharesloiros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/8338499031694812417/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/04/memorias-de-viagem-2-adeus.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/8338499031694812417'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/8338499031694812417'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/04/memorias-de-viagem-2-adeus.html' title='Memórias de Viagem 2 - Adeus, lembrancinhas'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/S8jBkzCYKWI/AAAAAAAAAOs/wlbIS-r8u7Y/s72-c/IMGP0398.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-8408628204846264935</id><published>2010-04-14T08:15:00.005-03:00</published><updated>2010-04-14T08:35:03.254-03:00</updated><title type='text'>Arrivederci, Claudio</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/S8WnVkZyXpI/AAAAAAAAAOk/B13EtLsvFTA/s1600/BARBUTO.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 400px; FLOAT: left; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5459954112247520914" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/S8WnVkZyXpI/AAAAAAAAAOk/B13EtLsvFTA/s400/BARBUTO.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A notícia chegou sábado, no momento em que eu começava a almoçar no Bar da Dona Onça. O jornalista, roteirista, boa praça em geral e amigo em particular Claudio Barbutto tinha morrido naquela manhã, aos 40 e poucos anos (ele não revelava a idade...). Um enfarte fulminante o levara, em Milão, onde vivia com a mulher, Maria Helena. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quando Patricia me ligou contando, a Dona Onça trazia à mesa uma amostra de um novo prato, o cassoulet de frutos do mar, delicioso... E eu, em meio à tristeza, saquei a sincronia: entre meus amigos, Claudio era o que mais gostava de provar novos pratos e sabores... Era um apaixonado por gastronomia e passava essa paixão para quem o conhecia.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Quando ele e MH moraram em Roma, estivemos juntos - e fizemos um deslumbrante passeio a pé pelo Forum Romano, à noite, iluminado de forma especialmente linda. Era um dos passeios prediletos dele - e tornou-se o meu, claro. Além disso, Claudio sempre levava o turista a um restaurante diferente, sempre um melhor que o outro, muitas vezes em lugares que nem os italianos nativos encontravam fácil - mas onde se podia saborear um espaguete com frutos do mar digno dos deuses... E o sorvete de arroz, fabricado na Picca, com direito a todos os trocadilhos? &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Um homem tão apaixonado pelos prazeres da vida e pela Itália não precisava ter sido submetido, depois de morto, a tanto descaso: a polícia italiana demorou 3 dias para levar o corpo da casa para um insituto médico legal. Três dias! Faltava a autorização do médico do bairro, que estava de folga no fim de semana... A burocracia italiana reduz a terra de Fellini, Mastroiani e Armani a um muquifo de quarto mundo. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;p.s. Rosani, obrigado pela foto.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7398137140753176998-8408628204846264935?l=olharesloiros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/8408628204846264935/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/04/memorias-de-viagem-especial-arrivederci.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/8408628204846264935'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/8408628204846264935'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/04/memorias-de-viagem-especial-arrivederci.html' title='Arrivederci, Claudio'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/S8WnVkZyXpI/AAAAAAAAAOk/B13EtLsvFTA/s72-c/BARBUTO.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-5738938419006755772</id><published>2010-04-09T13:31:00.004-03:00</published><updated>2010-04-09T14:00:32.137-03:00</updated><title type='text'>Memórias de Viagem - 1</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/S79cPFEizyI/AAAAAAAAAOc/m3ACTtPx2yY/s1600/IMGP1391.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 400px; FLOAT: right; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5458182687525359394" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/S79cPFEizyI/AAAAAAAAAOc/m3ACTtPx2yY/s400/IMGP1391.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Antes de virar guru de auto-ajuda, o filósofo suíço Alain de Botton escreveu um livro bem legal sobre turismo e o por que as pessoas viajam e o que isso muda na vida delas, se é que muda. Num dos capítulos, Alain tenta explicar porque a gente sempre tem boas ideias e resolve problemas complicados quando está no meio das férias. O horizonte, diz ele, se amplia, perdemos as nossas referências cotidianas e isso nos ajuda a encontrar soluções até óbvias para coisas que nos incomodavam. É claro que ninguém vai descobrir a cura pro xulé durante as férias, mas sempre dá pra ter uma boa ideia pra começar uma peça, um conto, uma paquera, sei lá. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Falava disso com a delicada Adelia Nicolete outro dia, num encontro fortuito no café da Livraria Cultura, e ela me questionou: a gente só encontra essas saídas quando viaja? e quem não viaja? Boa! (Nelson Rodrigues nunca saiu do Brasil, vejam só...) Ficamos tertuliando, pensando que ser turista em seu próprio mundinho, em seu próprio quintal, também é um ótimo método. Ser turista, no caso, é aprender a olhar as coisas sob diferentes luzes e ângulos; é buscar o inusitado no mesmo; é olhar direto pro Outro, o nosso interlocutor, porque o Outro é uma surpresa que nos obriga a assumir novas atitudes, sempre. (Pelo menos é o que se espera do Outro, que não seja uma panqueca insossa todo dia).&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Depois, Adelia me escreveu falando sobre os que viajam, viajam e não saem de casa. Sei de gente que, mal chegou a Nova York pra uma estadia de 7 noites, correu em busca de um restaurante brasileiro, porque ardia de saudades do arroz-e-feijão. Notem: era uma semana de viagem pra Nova York, que não é destino exótico nem pra quem vive em Cabul. Depois, o tal patriota reclamou que a comida deu dor de barriga e eu disse: bem feito. OK, ninguém precisa comer besouro crocante, cérebro de sagüi ou olho de bode só pra dizer que está aberto às novidades. Mas um pouquinho de jogo de cintura não interfere na camade de ozônio de ninguém... Custa dormir sem pijama, comer carne mal passada ou tomar cerveja sem espuma? (é praticamente impossível explicar pra um garçom do Vietnã que, sim, você gosta de colarinho no chope: "The white?", ele pergunta espantado - e serve a cerveja sem nadica de espuma)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Por que escrevo tudo isso? Porque levei um susto tremendo em Dubai. Quase um mês longe da tropical folia brazuca, vendo coisas melhores, vendo coisas piores, enfim, curtindo... e eis que, ao sair de uma estação do novíssimo metrô dubaiense, me vi diante da foto que ilustra esse post. Contive o grito de "Perseguição!", saquei a máquina e pensei: essa vai pro blog. Ironia é isso - tanta gente bacana pra lembrar a 12 mil quilômetros daqui e eu fui lembrar justo de Gilberto, o Alcaide! (É ele ainda, né?)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7398137140753176998-5738938419006755772?l=olharesloiros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/5738938419006755772/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/04/memorias-de-viagem-1.html#comment-form' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/5738938419006755772'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/5738938419006755772'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/04/memorias-de-viagem-1.html' title='Memórias de Viagem - 1'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/S79cPFEizyI/AAAAAAAAAOc/m3ACTtPx2yY/s72-c/IMGP1391.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-3418804298335343798</id><published>2010-04-07T15:04:00.003-03:00</published><updated>2010-04-07T15:26:49.587-03:00</updated><title type='text'>Reabre alas!!!</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/S7zN3J3cwVI/AAAAAAAAAOU/RNk5EcgJw88/s1600/maureen+2.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 274px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5457463195891188050" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/S7zN3J3cwVI/AAAAAAAAAOU/RNk5EcgJw88/s400/maureen+2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;(&lt;em&gt;espreguiça, tira a poeira, esconde o veja multiuso, fica direitinho, olha a postura... pode começar? pode. então, vamo'lá&lt;/em&gt;)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Volto da minha turnê pelos mistérios da Indochina e caio direto no Brasil da Maureen Bisilliat, no Sesi da Avenida Paulista. Percorro fascinado as 200 fotos de Maureen, feitas quase todas sob inspiração de algum escritor - Guimarães Rosa, Jorge Amado, Adélia Prado... Maureen explica as fotos e demole a teoria de que uma foto vale mais que mil palavras. Imagem e palavra se completam e, quando usadas de modo inteligente, fazem a gente avançar um tiquinho. É o caso dessa exposição. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A irlandesa Maureen, instalada no Brasil desde o começo dos anos 60, percorreu caminhos que a maioria de nós jamais ousou - nem mesmo na estante de casa. Pois ela não só leu, como ficou amiga e foi atrás dos personagens citados nos livros. Gente, ela ganhou apelido dado pelo Guimarães Rosa! Eu não consigo fazer com que o porteiro do meu prédio acerte meu nome - "Oi, seu Mauro"... &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;As fotos de Maureen nos trazem os sertanejos de Guimarães, os baianos de Jorge, as mineirinhas de Adélia... E trazem também figuras bolivianas, chinesas, japonesas... E atingem o máximo no segmento da Pele Negra, baseada numa das primeiras exposições da fotógrafa, com ensaios de negros... A foto do menino de pele escura, com asa de anjo e uma flor, à espera da procissão, é de cortar a respiração. Os modelos de Maureen têm em comum o olhar altivo, a pose de quem está em seu terreno... Ao contrário de muito retratista famoso, Maureen acha que o importante da foto é quem está diante da câmera e não atrás dela.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Foi bom re-mergulhar no Brasil pelas lentes de Maureen. Afinal, este não é o mesmo país de um mês atrás. Quando eu saí de férias, deixei o Glauco aí e agora... Dona Marta, Geraldão e outros tipos devem ter chorado muito e eu não pude estar aqui pra dar uma força. Volto e procuro o Rio, escondido debaixo da chuva. (&lt;em&gt;Ontem, num boteco da Nove de Julho, parei pra observar um gari, um entregador de cerveja e um aposentado olhando fixamente o noticiário da TV, com as imagens da tragédia carioca... Um deles comentou com o outro: "Igual São Paulo, uns tempos atrás...". "Coitados", respondeu o outro. E o tom de solidariedade, de 'eu sei como eles estão sofrendo', me deixou filosófico&lt;/em&gt;). &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Volto pro Brasil e encontro o Alberto Goldman no lugar do Serra, que saiu do governo pra disputar a presidência. É cena repetida: ele já fez esse esquete na prefeitura. Pelo jeito, caso o Serra ganhe a eleição pra presidente, a gente vai ter de rezar bastante pro papa viver muito. Senão, já viu...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Tô alimentando o projeto de blogar uma série "Memórias de Viagem". Caldo, dá. Vamos ver. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Tava com saudades. &lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7398137140753176998-3418804298335343798?l=olharesloiros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/3418804298335343798/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/04/reabre-alas.html#comment-form' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/3418804298335343798'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/3418804298335343798'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/04/reabre-alas.html' title='Reabre alas!!!'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/S7zN3J3cwVI/AAAAAAAAAOU/RNk5EcgJw88/s72-c/maureen+2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-8887846050795169131</id><published>2010-03-02T20:43:00.003-03:00</published><updated>2010-03-02T21:09:55.331-03:00</updated><title type='text'>O Haiti é aqui.... ao lado</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/S42l2Rnn0YI/AAAAAAAAAOM/dDB7GjSMgAo/s1600-h/CHILE.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 250px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5444189876421906818" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/S42l2Rnn0YI/AAAAAAAAAOM/dDB7GjSMgAo/s400/CHILE.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Desde o fim de semana, o Chile despertou em nós sentimentos que foram da piedade ao espanto e o horror. Da tragédia natural ao vandalismo generalizado, nosso vizinho de Mercosul foi fundo em tudo. É tudo muito estranho, ainda mais porque em relação ao Chile quase sempre temos uma posição respeitosa. Eles são tão bacanas, os chilenos. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Pra começo de conversa, eles não têm a empáfia dos argentinos - ok, eles também não têm aquelas churrascarias maravilhosas de Buenos Aires; aliás, eles não têm Buenos Aires... E o castelhano chileno é muito mais gostoso de ouvir do que o dos portenhos. Chilenos enfrentaram o fim do governo Pinochet com galhardia e elegeram a primeira mulher à presidência - Isabelita e Cristinita não contam. Durante muito tempo, o Chile manteve sua economia nos eixos. E, como se nada disso bastasse, Pablo Neruda, Violeta Parra e Victor Jara nasceram no Chile.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Um país tão bacana veio abaixo com o terremoto do fim de semana. Junto com casas, prédios e pontes, ruiu também a auto-estima chilena e abriu-se caminho para um vandalismo digno de torcida uniformizada paulista.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Quando isso aconteceu no Haiti, o choque vinha com justificativas: linha da miséria, negros historicamente explorados, etc, etc. Nas cenas enviadas do Chile não havia um negro miserável saqueando supermercado. Havia uma população branca, com ares de classe média vilipendiada e completamente fora do eixo. Forte e revoltada o suficiente pra tacar fogo em supermercado já esvaziado pelos saqueadores ou arrastar geladeiras estalando de novas pelas ruas... &lt;/div&gt;&lt;div&gt;O racismo disfarçado de politicamente correto busca as explicações para o salve-se quem puder na terra do Concha Y Toro...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;**********************************&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;Este blogueiro saúda o povo, pede passagem e anuncia suas férias. E já avisa que não vai atualizar post durante suas andanças pela Indochina. Tô indo pra passear e esquecer, na maior parte do tempo, que existem computadores, e-mails, etc. Férias à moda antiga, saca?&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Crianças, no tempo em que os animais falavam e a Hebe era morena, a gente tirava férias MESMO. Se viajasse pra fora do país, então, era aquela farra: nenhuma notícia durante 20, 30 dias. Quem ia nos buscar no aeroporto tinha que contar tudo no caminho de volta: morreu o deputado tal, a atriz tal casou, o cantor X fez isso, choveu, inundou, secou... Tudo era novidade e espanto. (Nessa época, quando nascia uma criança, a primeira pergunta era: "é o quê, menino ou menina?". O suspense era uma delícia).&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que vai ser impossível ficar longe do e-mail, ao menos uma vez por semana. Mas nada de blogar diariamente, twittar a cada cinco minutos, fazer fotoblog imediato... Não! Quero descobrir os lugares e não levar o meu mundinho até eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho certeza que vocês vão se comportar bem durante minha ausência e já podemos marcar um encontro em plena semana santa. Vou sentir saudades e resistirei bravamente à vontade de "escrever só um pouquinho". Meu cérebro quer se alimentar - ele merece, tadinho.&lt;br /&gt;Beijos a todos e hasta la vista, babies.&lt;br /&gt;(por favor, &lt;strong&gt;não&lt;/strong&gt; contem a Gilberto, o Alcaide... )&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7398137140753176998-8887846050795169131?l=olharesloiros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/8887846050795169131/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/03/o-haiti-e-aqui-ao-lado.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/8887846050795169131'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/8887846050795169131'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/03/o-haiti-e-aqui-ao-lado.html' title='O Haiti é aqui.... ao lado'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/S42l2Rnn0YI/AAAAAAAAAOM/dDB7GjSMgAo/s72-c/CHILE.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-3580953080730546690</id><published>2010-02-25T14:13:00.003-03:00</published><updated>2010-02-25T14:32:04.842-03:00</updated><title type='text'>O fim, como princípio</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/S4azTvCJyNI/AAAAAAAAAOE/DGDtBf9b2I0/s1600-h/fita-branca1.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 400px; FLOAT: left; HEIGHT: 226px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5442234351348205778" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/S4azTvCJyNI/AAAAAAAAAOE/DGDtBf9b2I0/s400/fita-branca1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Já li e ouvi algumas pessoas falando mal de "A Fita Branca", novo filme do suíço Mikael Haneke. Eu estou no time dos que gostaram - e gostaram muito - do filme (&lt;em&gt;foto&lt;/em&gt;) Com menos entusiasmo, gostei de "Um homem sério", dos irmãos Cohen. Os dois filmes me conquistaram por suas cenas finais e, em especial, por deixar muita gente na plateia com cara de ovo frito. "O que aconteceu?" foi a primeira pergunta que mais ouvi. "Isso lá é fim" foi a segunda. A cada manifestação dessas, eu gostava mais de cada filme.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Tem um filme famoso dos anos 70, que nunca vi nem sei o nome, mas lembro do impacto que me causou a cena final (que, obviamente, me contaram): pra decidir a grande questão do filme, o personagem joga uma moeda pro alto, vai resolver no cara ou coroa. E a imagem congela com a moeda voando no espaço. Tchau e bênção. Desde esse dia eu gosto de finais assim, que deixam na boca o gosto de continuidade - mais ou menos como os finais dos melhores contos de Lygia Fagundes Telles.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Mas parece que a plateia de hoje não é muito chegada a essa múltipla escolha derradeira. Quer o final explicado, definido, de preferência feliz. Não há espaço pra dúvidas, dilemas e quem-sabes. Talvez houvesse se a pessoa não passasse metade do filme mandando twitters ou torpedos ou atendendo o celular ou comentando qualquer coisa com a pessoa do lado. A necessidade neurótica de estar conectado 24 horas com o mundo acaba dispersando as atenções e impedindo qualquer concentração. Daí, a obrigatoriedade de um final claríssimo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A tecnologia avança a passos cada vez mais largos e qualquer novidade às 10 horas já se tornou obsoleta ao cair da tarde. Pior, estamos aplicando essa velocidade em nossa vida. Não temos tempo de ouvir, falar, ver, amar, nada. Não temos paciência para entender que o Outro é diferente e nem sempre concorda conosco. Buscamos nossos Iguais, no sentido mais rasteiro do termo. Qualquer sinal de diferença acaba em afastamento imediato, quando não em troca de insultos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Um bom exemplo é o twitter. Hoje, recebi vários posts de um ator amigo, declarando sua aversão a Dilma, Lula, PT, etc. Vários, dezenas de posts. Respondi com apenas um: "Democracia é bom, mas dá trabalho. Eu não voto em tucano". É uma opinião minha, exclusiva, mas que achei legal partilhar com quem estava dando a sua. A resposta foi um silêncio sepulcral. Será que o fato de votar no outro candidato, torcer pro outro time ou preferir outro gênero musical vai nos afastar tanto assim uns dos outros?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Eu não quero nem faço questão de viver rodeado de quem pensa como eu. Deus me livre. Ter opinião e defendê-la não significa construir uma barricada que impeça a entrada dos 'inimigos'. Hello, pessoas: não há inimigos. Não neste campo, pelo menos. Podemos conviver com o diverso, foi pra isso que lutamos, acho eu. Não precisamos de finais de filme engessados, mas podemos ter aqui e ali, pra quem goste. Não é isso que vai fazer o filme melhor ou pior, no fim das contas. Podemos e devemos ter nossas preferências. Melhor ainda, devemos manifestá-las sem medo nem prepotência. Mas o bom senso anda tão fora de moda...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7398137140753176998-3580953080730546690?l=olharesloiros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/3580953080730546690/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/02/o-fim-como-principio.html#comment-form' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/3580953080730546690'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/3580953080730546690'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/02/o-fim-como-principio.html' title='O fim, como princípio'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/S4azTvCJyNI/AAAAAAAAAOE/DGDtBf9b2I0/s72-c/fita-branca1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-5370663228279772080</id><published>2010-02-20T09:56:00.003-02:00</published><updated>2010-02-20T10:15:29.859-02:00</updated><title type='text'>Lei de Muricy</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/S3_R5dfk5jI/AAAAAAAAAN0/TnuFLYN76dw/s1600-h/muricy-palmeiras.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 400px; FLOAT: left; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5440297659986667058" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/S3_R5dfk5jI/AAAAAAAAAN0/TnuFLYN76dw/s400/muricy-palmeiras.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;É fato conhecido dos seguidores deste blog que futebol não é a minha praia. E que o Palmeiras está a séculos-luz de minha simpatia (apesar dos bons amigos palmeirenses que tenho... bom, eu tenho até amigo que torce pra Portuguesa... mas, voltando). Apesar desse referencial que não me credencia a discutir o tal do esporte bretão, não deu pra ficar indiferente à demissão sumária do Muricy Ramalho esta semana. Cabe acrescentar que não conheço, não sou amigo nem fã do Muricy. Mas, pela primeira vez, me dei conta que o único cargo levado a ferro e fogo no Brasil é o de técnico de futebol. No resto, impera o jeitinho.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Tenta lembrar da sua última escorregada no trabalho. O chefe acabou perdoando. Deu bronca, de repente ameaçou com demissão... mas mandar embora, não mandou. Quando cometemos uma infração de trânsito e somos apanhados pelo guarda, fazemos aquele olhar de gato de botas do Shreck - quando não apelamos pra outros métodos mais convincentes - e esperamos sair ilesos da multa. A prática do "então tá" é a regra que o brasileiro mais leva a sério. Menos no futebol.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Os políticos contam com nossa falta de rancor. O governador preso de Brasília, por exemplo. Não era a primeira maracutaia em que ele aparecia, protagonista. Entretanto, a patuleia candanga compareceu às urnas e sapecou votos no Arruda. O resultado só serviu para termos o ineditismo de um governador preso em pleno exercício do mandato. Mas o emprego mesmo, ele ainda não perdeu. Só o Muricy.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;E o Dunga, né? Qualquer resultado insatisfatório da Seleção e já tem nego pedindo a cabeça do Dunga. O técnico de futebol é o guardião da nossa seriedade, é o mantenedor perpétuo da nossa tolerância zero. Três derrotas e o técnico vai pro paredão e eu desconfio que até pra tirar as fotos da família da sala, ele tem alguém vigiando. Afinal, um profissional capaz de tamanha incompetência não é de confiança. E devolve o cartão do estacionamento vip!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Será que poderíamos aplicar esse rigor com quem merece? Já demos impeachment num presidente e, agora, volta e meia, tem alguém sugerindo impeachment até de síndico de prédio. Transformamos uma extirpação radical numa palmatória, como se fosse tudo simples assim. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Não estou aqui defendendo a demissão sumária de qualquer picareta que ganhe um cargo político e se mostre, no exercício do mandato, um pilantra de marca maior. Há processos, investigações, julgamentos. O que não pode é encarar essas coisas como um desfile de escola de samba, muito brilho, muito barulho, uns peitos de fora e umas bundas sacolejantes - e tudo acaba na dispersão. Até técnicos de futebol merecem um julgamento justo. Ou não? A discutir.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7398137140753176998-5370663228279772080?l=olharesloiros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/5370663228279772080/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/02/lei-de-muricy.html#comment-form' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/5370663228279772080'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/5370663228279772080'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/02/lei-de-muricy.html' title='Lei de Muricy'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/S3_R5dfk5jI/AAAAAAAAAN0/TnuFLYN76dw/s72-c/muricy-palmeiras.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-1210657323973091026</id><published>2010-02-15T14:15:00.003-02:00</published><updated>2010-02-15T14:42:15.617-02:00</updated><title type='text'>Baticum do Repeteco</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/S3l4PLD7LLI/AAAAAAAAANs/z2lLn4pB2_U/s1600-h/carnaval.gif"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 400px; FLOAT: right; HEIGHT: 267px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5438510227089206450" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/S3l4PLD7LLI/AAAAAAAAANs/z2lLn4pB2_U/s400/carnaval.gif" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Eu gosto de carnaval. Por mais adulterado que esteja o sentido original, carnaval ainda é quebra de parâmetros - ou, pelo menos, deveria ser. Gosto da ansiedade que começa na madrugada do dia 1.º de janeiro , &lt;em&gt;o que você vai fazer no carnaval?&lt;/em&gt; Em São Paulo, a pergunta sempre tem uma faixa bônus: "vai viajar?". Paulistano sempre viaja no carnaval ou acha que pode viajar... São cinco dias de curtição, marcada por cerveja gelada, orgias de corar calígulas, só sacanagem e folia, ninguém é de ninguém... Ou apenas 4 ou 5 dias de descanso, talvez um cinema, a leitura em dia... É carnaval, oba!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Nesse período, eu quase que só consigo escutar samba. E se for pra brincar de marchinha, ai de quem não tocar as minhas preferidaas: &lt;em&gt;Alá-lá-ô&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Touradas em Madri&lt;/em&gt;. Sério, você já parou pra analisar a letra de &lt;em&gt;Alá-lá-ô&lt;/em&gt;? Aquilo é de um non-sense, de uma irreverência e de uma geleia geral que fariam Samuel Beckett dar novo sentido a &lt;em&gt;Esperando Godot&lt;/em&gt;. Em dias de politicamente correto, não há nada melhor que misturar Alá com falta d'água, viemos do Egito com lança-perfume... (e de quebra, ainda emenda com a Cabeleira do Zezé, será que ele é bossa nova, será que ele é maomé...). &lt;em&gt;Touradas em Madri&lt;/em&gt; vai na mesma linha do non-sense antropofágico, mistura Catalunha com Ceci e Peri e ainda tempera tudo com uma onomatopéia delicicosa, paratimbum-bum-bum...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Carnaval também é ver mais um desfile deslumbrante criado pelo Paulo Barros (é esse o nome do homem?), desta vez pra Unidos da Tijuca. Acho que, depois do furacão Joãosinho Trinta, Paulo é o primeiro carnavalesco a quebrar paradigmas, avançar fronteiras e perguntar, mãos na cadeira, olhos nos olhos da imensidão: "Por que não?" Carnaval é empurra-empurra, é sacode geral.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Então, me digam, por que diabos me dá sempre uma entediante sensação de dejá vu quando leio as manchetes de jornais e sites durante o carnaval? "Vai Vai, Rosas e Vila Maria são as favoritas" ou algo do gênero - no Rio, é "Beija Flor, Mangueira e..." Dá a impressão que são os mesmos títulos do ano passado e do anterior e do anterior e... A criatividade do carnaval se esgota na avenida e, às vezes, nem chega nela.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Este ano, nosso carnaval recebeu um 'habite-se' de primeira grandeza. Madonna, em pessoa, acompanhada do namorado brasileiro e das filhas, apareceu nos camarotes e até concedeu que as pessoas olhassem para sua figura (nos hotéis, os funcionários são proibidos de olhar para ela, muito menos de lhe dirigir a palavra). Paris Hilton, a milionária, também apareceu por aqui e ainda faturou algum fazendo propaganda de cerveja. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Você não percebeu que o carnaval agora acontece de verdade? Enquanto são apenas os astros e celebridades de sempre, bem, a coisa fica praticamente em família - afinal, a Suzana Vieira já apareceu tanto em nossas vidas que é quase como uma prima desbocada, que bebe todo natal e deixa a Tia Ceição morta de vergonha. Mas desta vez, não! Veio gente de fora!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Madonna, Paris Hilton e aquele abdomen tanqunho do filme 300... ah, as celebridades internacionais estão de volta. Agora, sim, o Brasil entrou na grande rede! Agora não precisamos mais erguer os dedos indicadores e sambar escondidos no escurinho da sala durante o desfile de nossas escolas preferidas. Podemos até assobiar "Mamãe eu quero" no elevador, porque todo mundo viu que a rainha do pop assistiu a um desfile. Um desfile de nossas escolas! Em português! É a glória! Do jeito que saiu na imprensa, foi um pequeno passo para a Madonna, mas um grande passo pros brasileiros.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7398137140753176998-1210657323973091026?l=olharesloiros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/1210657323973091026/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/02/baticum-do-repeteco.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/1210657323973091026'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/1210657323973091026'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/02/baticum-do-repeteco.html' title='Baticum do Repeteco'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/S3l4PLD7LLI/AAAAAAAAANs/z2lLn4pB2_U/s72-c/carnaval.gif' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-5436269178626974007</id><published>2010-02-04T18:03:00.006-02:00</published><updated>2010-02-04T18:47:36.724-02:00</updated><title type='text'>Os pigmeus do bulevar</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/S2stN6hsEoI/AAAAAAAAANk/FESJv9avybA/s1600-h/chaplin.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 400px; FLOAT: left; HEIGHT: 285px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5434487092424741506" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/S2stN6hsEoI/AAAAAAAAANk/FESJv9avybA/s400/chaplin.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Está na primeira página do Estadão de hoje uma notícia que a Vejinha já tinha cantado há cerca de dois meses: a prefeitura, capitaneada por vocês-sabem-quem, fechou diversos albergues para mendigos e miseráveis - até o momento, foram cerca de 700 leitos apagados do mapa. A eles, vão se juntar mais 400 leitos, brevemente. Ou seja, com uma canetada, tira-se o direito de mil pessoas dormirem com um mínimo de decência. Todos esses albergues ficam na região central da cidade - Glicério e arredores - onde vivem (se é que se pode usar o verbo) quase todos os mendigos paulistanos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A ideia, à qual a horda de mulambentos teimou em não aderir, era muito simples: fechados os albergues do centro, os miseráveis que se resolvam lá pros lados da zona leste ou mais longe ainda. Acontece que muitos desses mendigos vivem de catar papelão na rua. Outros fuçam o lixo dos restaurantes e lanchonetes, à procura de um resto de comida. É muito mais fácil encontrar papelão e resto de comida na 25 de Março do que em Guaianazes. Outra prova da insensibilidade dos famélicos é que eles evitam bairros distantes, porque isso implica em gastar passagem de ônibus. R$ 2,70 pode não ser muita coisa para pessoas como vocês-sabem-quem, mas para quem sobrevive às custas dos dejetos consumistas é um dinheirão.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Como numa conjunção astral desfavorável, aconteceu o que "ele" (vocês-sabem-quem) não previu. Sem ter onde repousar os ossos e avessos à ideia de morar na periferia, os pobres se espalharam pela cidade mesmo. E o que se vê é um projeto mal acabado de apocalipse social, com famílias inteiras abrigadas em praças, sob marquises, dentro de caixas eletrônicos ou debaixo de viadutos. Das ruas do centro chegaram à Paulista e, de lá, à avenida Brasil, rua Oscar Freire e outros points nobres. Foi só nesse momento que a classe média - a mesma que se orgulha de pagar impostos e tem ojeriza de presidente analfabeto - despertou para o "problema social".&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Paralelo a isso, ocorre o festival gastronômico, já previsto por este blog, cujo prato de resistência é Kassab Frito à Moda do Serra. Não interessa mais que o apagado alcaide paulistano conquiste votos. Chega de farra, Gilberto, deixa a política pros adultos. Assim, os mesmos jornais e revistas que, não faz muito tempo, só tinham elogios para a administração atual, agora descobriram seus defeitos. Antes tarde do que nunca, mesmo que por motivos tortos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;No caso dos indivíduos que a empáfia politicamente correta chama de "cidadãos em situação de rua", a crueldade tem um tempero especial. Já faz dois anos que Gilberto, o Alcaide, iniciou a "limpeza" dos albergues. Mas só agora - quando não interessa mais ao Poder e quando a situação incomoda os 'de bem' - é que a coisa vem à tona. Qualquer pessoa que caminhasse pelas ruas nos últimos meses já tinha notado isso. Os moradores de rua multiplicam-se feito gremlins infelizes. Misturam-se todos, agora, nas calçadas - catadores de papel sem abrigo e viciados exilados da cracolândia.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Foi-se o tempo em que Charlie Chaplin cozinhava uma bota para matar a fome e protegia um garoto tão miserável como ele - e, com isso, despertava riso e emoção na mesma medida. A miséria real causa horror, porque está ali, na calçada mais perto de você. Chamá-los de sem-teto é impreciso e frio. O mais correto é o termo inglês, homeless, sem lar. Ou seja, sem um canto na terra que o faça se sentir mais protegido, acarinhado, aquecido na alma. Teto, qualquer marquise de Casas Bahia serve. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;É muito provável que o projeto de vocês-sabem-quem fosse apenas afastar para longe a multidão de feios, sujos, desdentados e, acima de tudo, não-eleitores, numa visão muito particular do que seja a revitalização do centro. A canetada fatal tirou desses homens e mulheres a possibilidade de um colchão sob o corpo moído. Tirou também a rara possibilidade de um banho de corpo e roupas. Por isso, cada vez mais, muitos deles caminham por aí espalhando ao redor o cheiro azedo de suor antigo. É, minha gente, os homens fedem. Alguns, por fora.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7398137140753176998-5436269178626974007?l=olharesloiros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/5436269178626974007/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/02/ala-dos-baroes-famintos.html#comment-form' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/5436269178626974007'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/5436269178626974007'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/02/ala-dos-baroes-famintos.html' title='Os pigmeus do bulevar'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/S2stN6hsEoI/AAAAAAAAANk/FESJv9avybA/s72-c/chaplin.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-5848296241302534824</id><published>2010-02-02T15:25:00.003-02:00</published><updated>2010-02-02T15:51:33.358-02:00</updated><title type='text'>Os suspeitos de sempre...</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/S2hlyoLgiaI/AAAAAAAAANc/C8tsC0WFxoA/s1600-h/casablanca_.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 400px; FLOAT: right; HEIGHT: 338px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5433704870876055970" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/S2hlyoLgiaI/AAAAAAAAANc/C8tsC0WFxoA/s400/casablanca_.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Eu tinha jurado pra mim mesmo que não ia mais pegar no pé de Gilberto, o Alcaide. Mas, vamos combinar... o homem pede. Como se não bastasse a mania de colocar regra em tudo - até feira , agora ex-livre - pra depois passar o vexame de voltar atrás... (Quando uma pessoa volta atrás, revê conceitos, ela tem a chance de crescer e aprender. Quando é o zelador da cidade, ele passa a imagem de frouxo metido a intempestivo). Com tanta chuva, eu tinha mesmo achado que, bem, não há administração que dê jeito... e se juntar a sujeira que o povo joga na rua, então... &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Mas aí vem o Estadão hoje e revela que metade da verba que deveria ser usada em pavimentação ficou no ora-veja. Guardaram, pro caso de alguma necessidade. Você pode até pensar que o que a cidade menos precisa agora é de asfalto - mas ruas mal pavimentadas cedem mais facilmente à erosão, por exemplo. Crateras se abrem mais facilmente. E o que está ruim acaba por se tornar pior.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Enquanto isso, Gilberto, o Alcaide, faz aquela cara de menino que soltou pum na missa.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;E o Zé Bonitinho do Bandeirantes, que só vê enchente de helicóptero, prefere ligar pros donos de jornais pra reclamar de repórter que faz texto falando mal de enchente... &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Cadeia é pouco.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;******&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Agora, danou-se. Ciro Gomes tira votos de José Serra. Preparem-se para uma temporada de caça ao cearense em todos os setores da imprensa. Vão dizer tudo e mais um pouco sobre ele. Até que a Patrícia Pillar é feia.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7398137140753176998-5848296241302534824?l=olharesloiros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/5848296241302534824/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/02/os-suspeitos-de-sempre.html#comment-form' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/5848296241302534824'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/5848296241302534824'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/02/os-suspeitos-de-sempre.html' title='Os suspeitos de sempre...'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/S2hlyoLgiaI/AAAAAAAAANc/C8tsC0WFxoA/s72-c/casablanca_.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-3636874679406397370</id><published>2010-01-25T13:28:00.003-02:00</published><updated>2010-01-25T13:52:22.908-02:00</updated><title type='text'>Um presente pra SP</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/S127aLMJxpI/AAAAAAAAANU/kLLyZFoRAh8/s1600-h/sampa2.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 242px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5430702784033441426" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/S127aLMJxpI/AAAAAAAAANU/kLLyZFoRAh8/s400/sampa2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Entre trabalhos e chuvas, rola o feriado pelo aniversário de São Paulo. Se o clima der um tempo, vai ter show de MPB no Ipiranga, apresentações disso e daquilo no Anhangabaú, não haverá engarrafamento e quem chegar pela primeira vez hoje a esta cidade, vai achar que São Paulo é suave e acolhedora. Acolhedora, ela é, recebe todo mundo, abre espaço e adota. Mas não é fácil, nem a recepção é das mais calorosas. Imagino que São Paulo fascine e assuste. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Quem nasceu no pós-rio, que nem eu, em bairros que até hoje são distantes, São Paulo era isso, misturava fascínio e temor na mesma figurinha. Seduzia e apavorava, com seus códigos, sinais, atalhos. "A cidade", era assim que falávamos, "a cidade engolia". Mudei de margem no rio, estou a dois passos da Paulista e a cidade continua me seduzindo. Casamento antigo, de amantes que se conhecem, enjoadinhos, mas sempre gostam de se encontrar. Outras paixões cruzam pelo caminho - de Recife a Istambul - mas sempre se volta para os braços abertos do velho lar. Aqui é o berço e o mapa do meu entendimento.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Acordei pensando que era aniversário de São Paulo e eu não tinha comprado nada pra dar de presente. Que presente dar a uma cidade? À minha cidade? Um prefeito melhor, talvez. Mas prefeitos passam - e, no fim das contas, ele foi escolhido pela maioria dos moradores da cidade. Um povo que escolha melhor, pode alguém dizer, mas não sei. É esse povo, que desentende, que erra e suja, que briga e afaga, que corre de um lado pra outro, é esse povo que dá liga à cidade. Deixa o povo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Podia melhorar o trânsito e o transporte público, mas a foto de 1937, feita na Praça da Sé, mostra que esse problema é antigo... Podia melhorar o clima, deixar tudo mais iluminado, mais limpo, mais sem enchentes, mais... Há tanto pra fazer aqui. Cansa, mas estimula. Não fechamos a conta, manda vir mais uma. A festa segue.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descobri que São Paulo era definitiva em mim quando fui a Palmas, Tocantins. Na época, uns 20 anos atrás, Palma era um arruamento de barro vermelho, com um palácio do governo no centro. Quem morava lá tinha ido pra ganhar dinheiro. Fazer a vida. A ligação entre eles e entre eles e a cidade recém-nascida era mínima, zero. Entendi ali que as pessoas de uma ou duas gerações anteriores à minha sentiam por São Paulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui era o terreno pra fazer a vida, criar família, crescer os filhos. Não era lugar de se gostar. Acho que o amor pela cidade - em linhas gerais, obviamente - nasceu a partir da minha geração. Hoje, é mais fácil encontrar quem goste de verdade desta cidade. Que reconheça os defeitos e problemas, mas nem por isso a abandone.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem essa de "I love SP", a coisa é à vera. São Paulo é mais São Paulo quando mistura tudo: o sushi man é do Crato, o evangélico faz marcha pra Cristo no mesmo dia que os gays invadem a Paulista, o palmeirense fanático faz uma serenata pra corintiana roxa... São Paulo faz aniversário e a essa altura do dia já deve ter rolado a cena vexatória do bolo gigante desfeito em minutos por uma multidão de famintos e mal-educados. São Paulo é mais que isso: São Paulo sou eu e é você que me lê, em qualquer canto do país. São Paulo é um estado de espírito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7398137140753176998-3636874679406397370?l=olharesloiros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/3636874679406397370/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/01/um-presente-pra-sp.html#comment-form' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/3636874679406397370'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/3636874679406397370'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/01/um-presente-pra-sp.html' title='Um presente pra SP'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/S127aLMJxpI/AAAAAAAAANU/kLLyZFoRAh8/s72-c/sampa2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-6289612666440179885</id><published>2010-01-19T17:04:00.000-02:00</published><updated>2010-01-19T17:05:12.211-02:00</updated><title type='text'>Panorama Teatral -</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.panoramatapa.blogspot.com/" target="_blank"&gt;www.panoramatapa.blogspot.com&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Grupo TAPA lança PANORAMA DO TEATRO BRASILEIRO - 2º Geração&lt;br /&gt; Em 35 dias serão apresentadas 7 peças da dramaturgia nacional em 41 sessões&lt;br /&gt; Em 2009 o Grupo Tapa completou 30 anos de história. E além de continuar produzindo novas montagens e revisitando seu repertório, também fomenta grupos e artistas que desenvolveram trabalhos próprios a partir de sua vivência no grupo, formando assim uma 2ª geração. &lt;br /&gt; Depois de 15 anos da primeira edição do Panorama do Teatro Brasileiro (projeto vencedor do Grande Prêmio da Critica da Associação Paulista de Críticos de Arte -APCA- em 1995), o grupo retoma a proposta realizando uma mostra com sete peças de grandes nomes da dramaturgia nacional: Artur Azevedo, Jorge Andrade, &lt;strong&gt;Mário Viana&lt;/strong&gt;, Nélson Rodrigues e Oduvaldo Vianna Filho (Vianinha).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7398137140753176998-6289612666440179885?l=olharesloiros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/6289612666440179885/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/01/panorama-teatral.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/6289612666440179885'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/6289612666440179885'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/01/panorama-teatral.html' title='Panorama Teatral -'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-3952349459551810002</id><published>2010-01-18T13:39:00.003-02:00</published><updated>2010-01-18T14:18:28.328-02:00</updated><title type='text'>Dona Lindu e as nuvens</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/S1SHfDh-7tI/AAAAAAAAANM/35njpdoE8_k/s1600-h/lulafilme.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 400px; FLOAT: left; HEIGHT: 341px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5428112418481827538" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/S1SHfDh-7tI/AAAAAAAAANM/35njpdoE8_k/s400/lulafilme.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Fui ao cinema assistir à história de um nordestino que saiu de seu sertão natal, veio pro Sul Maravilha, venceu na vida e ganhou o mundo. Forçando um pouquinho, a sinopse poderia servir tanto a "Lula, o Filho do Brasil" quanto a "O homem que engarrafava nuvens". O primeiro é uma ficção biográfica com ares de documentário e o segundo, um documentário editado com criatividade de uma boa ficção. A diferença é que o segundo emociona.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Pra alegria da imprensa que cria aves de bico comprido, "Lula" está fazendo água nas bilheterias, pelo menos nas salas de público classe média, o mais avesso ao personagem do título. O filme ainda não chegou às camadas populares, com ingressos subsidiados, mas já animou s camelôs piratas. Mesmo assim, está longe de ser 'acusado' de ter caído nas graças da platéia.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Os anti-lula comemoram, como se o filme fosse um veículo de propaganda da candidatura Dilma. Afinal, até o New York Times afirmou isso outro dia. Isso não é dar poder demais a um filme, não? Será que alguém vai sair do cinema tão fascinado pelo que assistiu que mudará os destinos do país através do voto direto? Gente, eu adoro cinema, mas não acho que a sétima arte tenha essa bateria toda, não. Uma novela, que está todo santo dia martelando na cabeça do indivíduo, tem mais chance de 'fazer a cabeça'. E mesmo assim...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;"Lula", o filme, está fazendo água porque é ruim. É fraco. Tem um personagem com uma trajetória fascinante nas mãos, mas desvia o foco, disfarça a direção do tiro e acaba acertando o vazio. O filme começou errado pela escolha do diretor. Fábio Barreto não deixa sua marca, não conduz os atores, não dá personalidade ao filme. E, pior, não salva - ou quem sabe, até sublinha -  os pontos fracos do roteiro.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A idéia por trás de "Lula" é clara: ganhar dinheiro. Isso não é pecado, nem feio. E justiça seja feita, os Barreto não negam intimidade com o cinema. A produção é caprichada, há ótimos atores em cena, alguns atuando muito bem, como Gloria Pires. Mas falta alma ao filme. Se a ideia foi misturar a trajetória biográfica de Lula (admirável, sob vários aspectos, independente do que se ache dele como político) ao poder emocionante de "Dois filhos de Francisco", lamento informar, mas a receita desandou. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Não é preciso ser Einstein pra saber o motivo. Há sérios problemas de dramaturgia no roteiro de "Lula" - e, os gênios da direção que me perdoem, mas um bom roteiro é fundamental. "Francisco" tinha seu eixo na luta de um pai para transformar os filhos em cantores de sucesso. Há uma saga, há um objetivo, a platéia acompanha aquilo passo a passo. Em "Lula", pra não contar diretamente a história interessante do presidente, optou-se por uma via alternativa, a luta de dona Lindu, sua mãe. Com isso, o personagem Lula esvaziou-se, ficou frouxo na tela... e a mãe não cresceu.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Sertaneja, mãe de uma penca de filhos, maltratada pelo marido alcoólatra, dona Lindu era antes de tudo uma forte. E passou essa determinação para o filho, com diálogos edificantes no leito de morte... Ok. Mas no filme, em nenhum momento, dona Lindu arregaça as mangas e diz: "Luís, agora tu vai ser torneiro mecânico... depois, tu vai ser deputado... oxente, menino, já pensasse em ser presidente?" &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Não, não. Dona Lindu apenas queria criar os filhos com honestidade e decência, como boa parte das mães. Dar-se bem, pra ela, poderia ser ver o filho com casa própria, telefone e família encaminhada. O resto seria lucro. Talvez até ela nem quisesse que o menino se metesse nessas confusões de política... No filme, Lula cresce bom rapaz, tem uma noitada de bebedeira (que poderia render uma ótima discussão, já que traria de volta a imagem do pai pinguço, mas não...) e logo vira sindicalista e, dali a pouco, presidente. Dona Lindu, a protagonista, morreu antes disso. Não há saga, não há herói, o filme perde o eixo...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;É preciso entender que o público consagrou "Dois filhos de Francisco" não somente porque era a história de uma dupla sertaneja de sucesso, mas porque havia uma história mesmo a ser contada no filme. Em nenhum momento, há cenas embaraçosas como os diálogos românticos de Lula com suas duas mulheres ou nas últimas palavras do pai, correndo mar adentro, "não me deixa, Lindu". Constrangedor.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;"O homem que engarrafava nuvens", se peca pela duração um tanto extensa, se consagra pela sinceridade. É a história de um personagem pouco conhecido, o letrista Humberto Teixeira, parceiro de Luiz Gonzaga em diversos clássicos da música brasileira. É também uma maneira da filha do personagem (a atriz Denise Dummont, que produziu o filme) tentar descobrir algo mais sobre o próprio pai. Acompanhamos Denise nas entrevistas e nas descobertas. Descobrimos junto com ela. Há uma trajetória ali, uma revelação - ah, o velho Aristóteles tinha razão, quando escreveu "Poética"...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Assim como "Dzi Croquettes", "O homem" é um filme feito por uma filha a propósito do pai. É uma aula prática de história do Brasil, da relação da segunda guerra com o baião, e de como a asa branca levou à tropicália... Há um momento genial no filme, quando revela-se a teoria de Raul Seixas: Bob Marley criou o reggae, na Jamaica, depois de ouvir um disco de Luiz Gonzaga. Viagem total, claro, mas muito divertida. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não bastasse o bom personagem, o documentário tem números musicais esplêndidos. Chico Buarque canta Kalu... Gal e Sivuca... Mutantes... Ouve-se Miriam Makeba cantando um baião... e uma japonesinha cantando uma versão de Paraíba, sensacional. Lenine, Caetano (que não precisava cantar "Terra", mas...), Bebel Gilberto... O filme mostra que a música brasileira é mais que trilha sonora de nossas vidas, ela retrata e conduz, integra-se ao momento e avança.  Em suma, "O homem que engarrafava nuvens", o título de filme brasileiro mais poético dos últimos anos, merece muito ser visto.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7398137140753176998-3952349459551810002?l=olharesloiros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/3952349459551810002/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/01/dona-lindu-e-as-nuvens.html#comment-form' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/3952349459551810002'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/3952349459551810002'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/01/dona-lindu-e-as-nuvens.html' title='Dona Lindu e as nuvens'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/S1SHfDh-7tI/AAAAAAAAANM/35njpdoE8_k/s72-c/lulafilme.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-3927326600215051275</id><published>2010-01-13T16:30:00.003-02:00</published><updated>2010-01-13T17:03:44.262-02:00</updated><title type='text'>Dona Zilda</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/S04YXJIbrPI/AAAAAAAAANE/WcHLip9ec7Q/s1600-h/zilda2.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 400px; FLOAT: right; HEIGHT: 248px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5426301386895371506" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/S04YXJIbrPI/AAAAAAAAANE/WcHLip9ec7Q/s400/zilda2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Por um instante, tive a impressão que o Luiz Megale, da Band News FM, estava com a dicção péssima. Zilda Arns, vítima do terremoto no Haiti? Zilda Arns vivia batendo perna por aí, eu sei, agitando a Pastoral da Criança, pintando e bordando pra ajudar as pessoas carentes, fazendo aquele tipo de ação que tá meio fora de moda e não rende foto em revista de celebridade. Mas... Haiti? Tirando os soldados, que são obrigados, e o Nelson Jobim, que é exibido, quem mais vai pro Haiti por vontade própria? Acho que nem o Caetano foi, quando compôs aquela música dele... "Haiti", ora pois. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Zilda Arns foi. Estava lá a trabalho. Pouco antes do terremoto, estava na embaixada - que sofreu com a tragédia, mas não ruiu. A morte de dona Zilda choca, chateia e nos deixa assim com uma cara de quem - caso encontre Deus no elevador ou na padaria - vai dizer umas boas verdades. Se bem que Ele já deve estar ouvindo umas e outras da própria Zilda - sem arroubos, sem escândalo, mas direta. "Francamente, Deus, isso lá é hora?"&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Nunca encontrei dona Zilda nem tenho experiências edificantes pra relatar sobre ela. Uma vez, em 2002, quase a entrevistei, mas o frila rodou e a entrevista foi pro espaço. Tinha dela a mesma boa impressão que todos os brasileiros - livres de qualquer amarra ideológica nessa hora. Zilda era do bem, se podemos resumir assim tão brevemente.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Devia ter seus defeitos, ai dela se não os tivesse. Seus momentos de impaciência e suas teimosias. E daí? Nós também temos as nossas e não saímos fazendo boas ações pra deus e o mundo. Na minha cabeça, dona Zilda era e sempre foi a irmã do dom Paulo Evaristo. Da família, foi ele quem eu 'conheci' primeiro, pelos noticiários e pela admiração crescente. Junto com o rabino Henry Sobel e com o reverendo James Wright, dom Paulo foi o lastro de moralidade cívica que nos manteve à tona nos anos do regime militar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;No tempo de dom Paulo - que pertencia à hoje atacada e ridicularizada corrente da Teologia da Libertação - a Igreja desceu do pedestal, Jesus veio à Terra e Nossa Senhora catou lixo com os pobres. Era uma igreja crível, mas as forças da repressão - abençoadas pelo papa, aliás - mandaram brasa. Dom Paulo foi aposentado e calou-se. Contestar saiu de moda. E o homem, na necessidade brutal de algo que explique o inexplicável, preferiu apelar para um Deus etéreo, transfigurado em livros de auto-ajuda e padres-orelhudos-cantores.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;De certa maneira, dona Zilda era a memória viva do tempo em que Paulo Evaristo botava pra quebrar. Mas ela só começou a aparecer depois, bem depois... Dela, sabia-se pouco. Ou eu sabia pouco. Sempre achei que fosse freira. Tinha carinha de freira. Não era. Parece que teve 3 filhos. Que importa o que eu sabia ou não de Zilda Arns? Vou ficar sabendo agora, com os noticiários infinitos. Talvez até a Caras publique alguma coisa sobre ela, numa página que sobrou entre o câncer da apresentadora e o novo namorado gay da atriz lésbica.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Zilda Arns parecia decidida, determinada e coerente. Tão coerente, que não morreu em Paris ou a caminho de uma convenção sobre miseráveis em alguma capital da Europa rica. Estava em Porto Príncipe, sujando o pé na lama e vendo o miserê que reina no país mais pobre das Américas. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;País maroto, meia ilha (dividida em condomínio com a República Dominicana), o Haiti roubou a cena de Los Angeles: enquanto todo mundo esperava o Big One, o terremoto que vai transformar a Califórnia num poeirão só, Haiti veio pelo acostamento e entrou de sola na desgraceira. Destruiu o que nem construído estava. Matou quem já vivia abaixo da linha da miséria. Oficializou-se a ruína que o país tinha virado muito antes que qualquer pedacinho de terra tremesse.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Zilda Arns estava lá, viu tudo isso e levou, para uma hipotética vida eterna, a imagem dos pobres que ela passou a vida tentando ajudar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7398137140753176998-3927326600215051275?l=olharesloiros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/3927326600215051275/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/01/dona-zilda.html#comment-form' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/3927326600215051275'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/3927326600215051275'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/01/dona-zilda.html' title='Dona Zilda'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/S04YXJIbrPI/AAAAAAAAANE/WcHLip9ec7Q/s72-c/zilda2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-892389176477087957</id><published>2010-01-05T11:32:00.003-02:00</published><updated>2010-01-05T12:15:47.763-02:00</updated><title type='text'>A dor na contramão</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/S0NGskr8PJI/AAAAAAAAAM8/q6ZSzr4eqgc/s1600-h/dor-1.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 299px; FLOAT: right; HEIGHT: 276px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5423256107860376722" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/S0NGskr8PJI/AAAAAAAAAM8/q6ZSzr4eqgc/s400/dor-1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Existe algo de subversivo em sofrer no momento que todos comemoram. Ou melhor: instala-se um terrorista dentro de nós, uma dor-bomba que ameaça explodir tudo que seja sinônimo de alegria ao redor. Sempre pensei nisso quando passava em frente a um cemitério em dia de feriado. Senti na pele, quando caminhava para a igreja, para a missa de sétimo dia de minha mãe, em meio ao foguetório pela vitória da Seleção numa semifinal da Copa. A imagem da jovem negra, circulando perdida entre os caixões da família no enterro coletivo realizado em Angra dos Reis, no primeiro dia do ano, foi chocante o suficiente para trazer de volta essas imagens à mente.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;As tragédias de Angra, de Ilha Grande e São Luiz do Paraitinga seriam terríveis em qualquer época do ano. Mas ocorreram em pleno réveillon e, com isso, parecem atirar em nossa cara o quanto tudo é efêmero. Nós, os contentes, é que desafinamos. O champanhe da véspera amarga na boca, a comida que sobrou parece desperdício e o branco da roupa encarde. A dor alheia, no momento da nossa festa, nos faz solidários - mesmo que a culpa cristã esteja fora do cardápio. Somos feitos de carne e sangue, o sofrimento de quem nem conhecemos nos lembra disso.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Por alguns instantes, pensamos que aquelas pessoas soterradas na Ilha Grande estiveram, três horas antes da tragédia, abraçando-se e desejando feliz ano novo uns aos outros. Talvez tenham ido dormir tontinhos de bebida, talvez tenham deixado pra amanhã um telefonema (as linhas estavam ocupadas...). Alguns talvez até estivessem ainda com a roupa usada na passagem de ano. Um casal morreu abraçado. A família jovem do interior, todos gordinhos - marido, mulher e filho - sucumbiu à avalanche sem ter tempo de aproveitar 2010. O ano foi curto demais para eles.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não demorou para as autoridades comparecerem ao local das tragédias. Rapidamente surgiram os votos de pesar e as promessas de melhoria. Como se a ocupação irregular dos morros não fosse um problema de muito tempo atrás. Como se a culpa de ter morrido fosse dos pobres que escolheram as encostas para se arranchar. Agora, vem à tona que o governador Sergio Cabral havia autorizado uma ocupação ainda maior das encostas - pensando certamente na construção de condomínios de alto padrão, não em residências populares. O descaso com a natureza leva de roldão as dezenas de vidas humanas, mas a culpa será sempre da gestão passada.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Enquanto isso, fazemos correntes de solidariedade, catamos roupas, águas e alimentos não perecíveis, porque somos solidários. E queremos dizer, de algum modo, que as pessoas que perderam toda a família não estão sós. Pode até ser que a família da jovem negra que vagava entre caixões não fosse a família das propagandas de margarina. Uns podiam estar de mal de outros, acontece. Laço de sangue não obriga ninguém a se amar. Mas eram referências. Essas personagens, como a jovem negra, terão de partir do zero sem nascer de novo. Pelo contrário: renascem da morte, fênix forçadas, e seguirão, sabe-se lá como. Uma espécie de amnésia às avessas, porque terão de apagar tudo o que servia de baliza, bem ou mal.  A própria reconstrução, difícil mas não impossível, acontecerá. É da nossa natureza seguir em frente assim que as águas abaixam.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7398137140753176998-892389176477087957?l=olharesloiros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/892389176477087957/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/01/dor-na-contramao.html#comment-form' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/892389176477087957'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/892389176477087957'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2010/01/dor-na-contramao.html' title='A dor na contramão'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/S0NGskr8PJI/AAAAAAAAAM8/q6ZSzr4eqgc/s72-c/dor-1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-6420725220055356143</id><published>2009-12-29T18:34:00.004-02:00</published><updated>2009-12-29T19:03:38.848-02:00</updated><title type='text'>Um brinde a 2010</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/SzprTKS6DpI/AAAAAAAAAM0/z9qCMQMRAPA/s1600-h/reveillon.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 308px; FLOAT: right; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5420763078419156626" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/SzprTKS6DpI/AAAAAAAAAM0/z9qCMQMRAPA/s400/reveillon.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/SzpqstVPXQI/AAAAAAAAAMs/Q1qoMxI7plI/s1600-h/anonovo.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Com exceção dos lojistas da 25 de Março, dos velhinhos que fazem bico de papai noel e dos cantores de coral, acho que pouca gente acredita mesmo que o Natal seja uma noite feliz. A melancolia dá o tom e mesmo quem tem uma graninha acaba se contagiando - deve ser por isso que alguém sempre chora na ceia de Natal. De onde será que vem isso? Ninguém chora no meio do jantar de Páscoa, quando se fala da crucificação de Jesus - mas no nascimento do coitado, é um chororô só. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O bom do Natal é que, logo depois dele, tem o Ano Novo. O Réveillon. As boas entradas. A julgar pelo movimento das pessoas e pelo clima das ruas, eu não sou o único a curtir essa semana que antecede a queima de fogos em Copacabana ou o show da virada na Paulista... ou os sete pulinhos no mar da Praia Grande, da Boa Viagem, de Canoa Quebrada, Ponta Negra ou Mole... Em qualquer trecho do litoral brasileiro vai ter alguém vestido de branco, olhando o mar como se deve viesse a notícia salvadora: "Sim, o ano novo vai ser mesmo tudo isso que você quer dele". &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Nos dias que separam o Natal do Reveillon, os otimistas e os preguiçosos trocam olhares emocionados. Os primeiros acham que o ano novo, sim, será absurdamente feliz: pelo menos, é o que desejam uns aos outros. Os preguiçosos não vêem a hora do ano velho acabar, coitado, justo ele que tinha sido recebido com tanta euforia uns meses atrás. Mas o Ano em Curso é que nem amigo hospedado há muito tempo em casa: no começo, é uma diversão só, mas passou o alalaô, vem a rotina e os defeitos começam a aparecer. Bom mesmo é ano novo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A gente deseja feliz ano novo - eu, pelo menos - com uma tremenda sinceridade. Você não deseja felicidades pra alguém que te encha o saco, te torture a existência, te faça mal - pensando bem, se essa pessoa é assim tão vudu, que diabos você faz ao redor dela? Se fuçar bem, vai descobrir que o problema é você e não ela, que apenas segue sua natureza de coisa-ruim. O legal de desejar feliz ano novo é que nem o mais azedo dos infelizes vai te mandar à merda. Você pode cometer gafes, como desejar feliz natal pra judeu, mas ano novo... gente, ano novo é ano novo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;É provável que a crença num novo ano feliz venha dos tempos em que a vida dos homens era marcada pelos ciclos rurais: ano novo seria o equivalente à colheita. Na Europa, o Ano Novo antecede a primavera, estação do renascimento, da volta do verde, das cores... No Brasil, nem tanto, mas como já copiamos tantas coisas dos gringos, mais essa não vai fazer diferença. Réveillon - que tem a ver com o francês 'reveiller', despertar, acordar - é isso: acordar limpinho e bacana pro novo tempo que vem aí. Tempo de colher, de criar, de alimentar. Tempo de ver o sol, a chuva e esquecer o frio que estava até agora nos calcanhares. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Simbolicamente, ano novo é tudo isso e mais um pouco. A gente quer deixar os problemas pra trás, como se o último banho do ano nos purificasse e nos jogasse, semivirgens, nos braços do ano recém-chegado. Eu sempre penso isso quando tomo o banho-antes-da-festa. "Xô, tranqueira" é minha palavra de ordem, meu lema, meu refrão. Nem sempre dá certo - e a prova é que as tranqueiras aparecem loguinho (dependendo da festa em que você foi, aparecem na noite do réveillon mesmo...). Mas tudo bem, ano que vem tem mais. Ainda bem.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Feliz Ano Novo. Ou melhor, como me mandaram num lindo cartão virtual outro dia: FELIZ OLHAR NOVO. Tem alguma coisa mais linda? Não é o Ano. É o Olhar. É você que será novo a partir de... de agora. Vamos combinar assim: o réveillon já começou!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7398137140753176998-6420725220055356143?l=olharesloiros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/6420725220055356143/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2009/12/um-brinde-2010.html#comment-form' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/6420725220055356143'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/6420725220055356143'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2009/12/um-brinde-2010.html' title='Um brinde a 2010'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/SzprTKS6DpI/AAAAAAAAAM0/z9qCMQMRAPA/s72-c/reveillon.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-5714223298119465375</id><published>2009-12-23T09:30:00.003-02:00</published><updated>2009-12-23T10:01:41.926-02:00</updated><title type='text'>Luzes da cidade</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/SzIFH3JDZbI/AAAAAAAAAMk/yH-X7gfomfs/s1600-h/papainoel.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 281px; DISPLAY: block; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5418398934299272626" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/SzIFH3JDZbI/AAAAAAAAAMk/yH-X7gfomfs/s400/papainoel.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Muitas pessoas que lêem esse blog - sim, no plural! - têm urticária quando passam pela Avenida Paulista em dezembro. Bancos e prédios investem pesado em luzes, neve artificial, renas de pelúcia e pacotes de presente exagerados... É Natal na Paulista e isso já virou programa de família aos domingos. No último, eram quase onze da noite, uma multidão se espalhava pelas calçadas da avenida e o trânsito estava caótico - as pessoas simplesmente param o carro onde quer que estejam e fazem fotos com seus celulares ultra-mega-super modernos, comprados com o décimo terceiro.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;É um caos? É. Aqueles enfeites são bregas? Demais da conta. Só mesmo uma cabeça formada pra considerar o Hemisfério Norte como modelo a ser copiado é que vai achar natural um velhote coberto de peles, sob neve, iluminado por um sol de quase 35 graus. Nesse ponto, continuamos iguais aos ingleses que vieram para o Brasil com a corte de d. João VI, em 1808, e abriram no Rio de Janeiro diversas lojas importadoras de lareiras e esquis. A suadeira tropical levou muito comerciante à merecida falência.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Pois eu acho lindo - apesar de todos os defeitos - aquele festival de sinos e ho-ho-hos. Tudo bem, não passo de carro por ali, nem paro a todo instante pra ver o anãozinho tocar o sino (do jeito que ele está pendurado, mais parece um baixinho se enforcando...), mas acho um tremendo barato aquelas famílias colocarem suas melhores roupas, tomarem um ou dois ou três ônibus e descerem do metrô na Paulista. São turistas daqui mesmo. Gente que vem do caixa-prego. Pessoas que vivem a galáxias de distância da Paulista, dos shoppings e de todos os ícones que nossa "paulistanice" elegeu como links da modernidade (palavras em inglês são essenciais pra ser moderno). Não é a breguice que incomoda, mas a invasão dos 'de fora'.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Aqueles meninos que caminham excitados pela avenida, os olhos fascinados com os prédios tão altos e tão coloridos, lembram o meu encanto pela "cidade". Era assim: um dia, meu pai chegava do trabalho e avisava: "Hoje nós vamos na cidade". Morávamos num bairro da zona norte e tínhamos de tomar um ônibus até o centro - devia ser uma viagenzinha de uma hora, algo assim, naquela época crianças não tinham nem precisavam de relógio.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Mas era sempre época de Natal e pros meus olhos acostumados às ruas do bairro os prédios e ruas enfeitados eram um mundo mágico, uma caverna de ali babá, com seus ouros e brilhos noturnos. Íamos ao Mappin, ganhávamos um presente, também uma roupa e, no fim, dividíamos um misto quente na Leiteria Americana, ao lado do Mappin. Com guaraná champanhe! Não há Fasano que chegue aos pés desse misto quente - e não estou desmerecendo o restaurante mil estrelas dos Jardins, longe disso.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Pode ser bobeira minha. Mas as famílias que hoje circulam pela Paulista atraídas por um enfeite luminoso brega e efêmero são desdobramentos, cópias, continuações da mesma família que éramos nos anos 60. Mudou a economia, hoje os meninos correm pela avenida com o celular do pai - comprado em prestações, muitas vezes - pra fazer uma foto que prove sua passagem pelo mundo mágico. É essa magia que me interessa, é esse fascínio que me comove. É bom demais prestar atenção no olhar dessas crianças, que não vão passar férias na Disney nem em acampamentos de verão, mas também não vão cair no lodaçal do crack e do crime. São crianças que crescerão, trabalharão e terão seus filhos, a quem levarão no Natal em algum lugar bem iluminado e mágico.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Há comércio demais, marketing demais, bom gosto de menos. O trânsito piora, parece uma invasão bárbara. Danem-se. Pelo menos durante um mês as luzes natalinas compensam a péssima iluiminação pública e o risco da ameaça de assalto nas esquinas afasta-se, expulso pelos cascos das renas de pelúcia. Por alguns instantes, haverá um reino mágico no olhar da criançada. Se isso não valer a pena, apaguem a luz, fechem a porteira e vamos todos viver no fundo da mata escura. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;p.s. Momento deduragem carinhosa. Uma de nossas frequentadoras assíduas, com cartão de milhagem e tudo, faz aniversário neste dia 24. Beijos, Ana.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7398137140753176998-5714223298119465375?l=olharesloiros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/5714223298119465375/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2009/12/luzes-da-cidade.html#comment-form' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/5714223298119465375'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/5714223298119465375'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2009/12/luzes-da-cidade.html' title='Luzes da cidade'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/SzIFH3JDZbI/AAAAAAAAAMk/yH-X7gfomfs/s72-c/papainoel.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-4142801570292682090</id><published>2009-12-17T22:11:00.003-02:00</published><updated>2009-12-17T22:46:03.716-02:00</updated><title type='text'>O Príncipe e o Mendigo</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/SyrM_YbPSxI/AAAAAAAAAMc/t6jStlcahfY/s1600-h/Lisboa+Gulbenkian+6.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 300px; FLOAT: right; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5416366891126967058" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/SyrM_YbPSxI/AAAAAAAAAMc/t6jStlcahfY/s400/Lisboa+Gulbenkian+6.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Se a vida fosse uma novela, dessas que a gente assiste (ou, no meu caso, escreve), a coisa já estaria encaminhada. No fim da trama, os maus seriam punidos - alguns até com morte - e os bons se encontrariam, todos se entenderiam e dariam início a uma nova e feliz existência. Infelizmente, a vida teima em não seguir um roteiro. Nós, da grande platéia, só sabemos o que os jornais noticiam. De um lado, um menino norte-americano, filho de mãe brasileira, virou o lencinho no cabo de guerra que seus avós e seu pai travam diante do mundo todo, literalmente. Do outro lado, enfiado numa cama de hospital no interior da Bahia, está o menino cujo padrasto vingou-se da mulher, enfiando 42 agulhas no corpo do garoto de 2 anos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Um, no Rio de Janeiro, vive cercado de tanto, mas tanto amor, que não tem quem pense nele. O outro, em Ibotirama, vive com a mãe, os cinco irmãos e o padrasto - e não teve ninguém que prestasse atenção nas agressões que seu corpo sofreu ao longo de dois meses. Numa novela, dessas que disputam a audiência ponto a ponto, os dois meninos seriam provavelmente irmãos separados no nascimento. Na vida real - se é que podemos chamar isso tudo de vida - eles nunca vão nem saber da existência um do outro. O mais pobre, talvez, nem sobreviva às agulhas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O menino rico - deve ser rica a família, para mover com tanta gana a roda implacável da Justiça brasileira - virou alvo de uma disputa insana: os avós querem mais poder que o pai. Não sei se o pai é bacana ou pilantra, mas se fosse pilantra mesmo não estaria brigando tanto pelo moleque. Os avós, com certeza, vêem no menino uma extensão da filha morta. É justo que queiram ficar perto do neto. Mas será que a ponto de separá-lo do pai, apenas por que a filha tinha terminado o casamento? É uma discussão cabeluda, mas o que me chama mais atenção é a sensação de que, em momento algum, as duas partes se sentaram numa mesa para conversar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Devem ter sentado, é claro, mas com posições já definidas. Delas, nenhum dos dois lados abriu mão. E o resultado é o interminável bate-boca jurídico, envolvendo até mesmo a super-poderosa Hillary Clinton. Ok, exagerei, a simplesmente poderosa Hillary. O pai tem a aura de norte-americano, o que dá a ele certo poder mítico. Os avós brasileiros são de uma família influente e bastante enfronhada nos meios do Judiciário. E nós sabemos o quanto isso pesa na hora de um juiz dar uma sentença.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Do menino baiano, o que sabemos é que a mãe só percebeu que algo estava errado quando o filho começou a vomitar e sentir dores fortes no estômago. Um raio X revelou a brutalidade. Uma criança de 2 anos, normalmente, já é pequena. Uma criança pobre, do interior do nordeste, é menor ainda. Mais frágil ainda. O que passa na cabeça de uma pessoa que, deliberadamente, submete um ser desses a tamanha tortura? Cachaça demais? Não tentem colocar a culpa na coitada da caninha.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Do baianinho quem vai cuidar, além dos médicos, é um delegado de província e um promotor, tomara Deus, bem intencionado. Não haverá roda implacável da Justiça movendo-se a favor do menino. No lugar de uma  Hillary Clinton, talvez uma freirinha ou uma militante de ONG, mais ninguém. As mulheres poderosas de nossa terra - a primeira-dama, as ministras, as apresentadoras de TV que derramam lágrimas pelas criancinhas do show da TV - estão ocupadas procurando o marido, cavando uma vaguinha na presidência ou posando pra Caras.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eu queria ser roteirista da novela dos dois meninos, só pra poder arrumar um fim bem meloso e feliz pros dois. Só pra escrever a cena em que os dois se encontrariam na rua, talvez diante de uma vitrine de doces ou, quem sabe, num play ground de uma praça abandonada. Eles se olhariam, trocariam um brinquedo, falariam de suas vidas - em sua linguagem quebrada de criança - e superariam todas as diferenças. Nos anos 60, Kadu Moliterno trocou de lugar consigo mesmo e o que era príncipe virou mendigo e vice-versa. Na minha novela, não. Nenhum deles seria príncipe, mas nenhum viraria mendigo. Sairiam pela rua, de repente fugindo com um circo, e seriam, talvez não felizes, mas crianças.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7398137140753176998-4142801570292682090?l=olharesloiros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olharesloiros.blogspot.com/feeds/4142801570292682090/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2009/12/o-principe-e-o-mendigo.html#comment-form' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/4142801570292682090'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7398137140753176998/posts/default/4142801570292682090'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olharesloiros.blogspot.com/2009/12/o-principe-e-o-mendigo.html' title='O Príncipe e o Mendigo'/><author><name>Mário Viana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/TNgYEbkh_2I/AAAAAAAAASs/7HtKkYBrOnA/S220/IMG_0006.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/SyrM_YbPSxI/AAAAAAAAAMc/t6jStlcahfY/s72-c/Lisboa+Gulbenkian+6.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7398137140753176998.post-1965849384179247634</id><published>2009-12-11T16:58:00.003-02:00</published><updated>2009-12-11T17:34:07.607-02:00</updated><title type='text'>Festival de besteiras</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/SyKZUpwkcgI/AAAAAAAAAMU/Zb9HJu8Dw84/s1600-h/blabla.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 400px; FLOAT: right; HEIGHT: 313px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5414058282138759682" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_H_aZ0xQdcfg/SyKZUpwkcgI/AAAAAAAAAMU/Zb9HJu8Dw84/s400/blabla.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desta vez, não teve pra ninguém. Gilberto, o Alcaide, saiu na disparada e bateu o ranking de besteiras ditas por um político durante uma tragédia. (Ok, Lula extrapolou com a merda no discurso, mas não havia uma tragédia em andamento). Gilberto alistou-se, assim, no clube que reúne gente mais tarimbada na política, como o falecido Franco Montoro e a resistente Marta Suplicy.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra quem esteve em Marte na semana passada, eu explico: de segunda pra terça-feira, o céu desabou sobre São Paulo. Choveu gato, cachorro, periquito, cacatua, rinoceronte, iguana e ferret - em suma, choveu até dizer chega. Dois dias depois, a TV mostrava alguns bairros que teimavam em permanecer alagados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o que disse Gilberto a respeito desse dia tão caótico, mas tão, que a cidade registrou índice zero de congestionamento - simplesmente porque as pessoas não conseguiam se locomover a partir de certos pontos. "Está tudo sob controle", disse o Alcaide, revelando uma face budista desconhecida até de quem votou nele por convicção. Em seguida, Gilberto contestou os pessimistas e afirmou que a coisa não estava tão feia. O grande debate que surgiu a partir daí foi tentar entender o que o alcaide da maior cidade do país define por "caos".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falar cretinices é um esporte muito praticado entre os políticos. Revela, além da pobreza de raciocínio, um tremendo desprezo pelo bem estar público. Exagero meu? Não. Quando Franco Montoro percorreu as áreas da cidade cobertas até o teto por água de enchente, em vez de lamentar a desgraça dos atingidos, suspirou: "Lembra Veneza". Foi muito gratificante para as vítimas da enchente saber que sua vida chegara, enfim, a níveis europeus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também Marta Suplicy perdeu uma luminos
